13 de fevereiro de 2008

Aniversário

Há exatamente um ano, este blog nascia de parto normal, no meio da madrugada e com muito sangue. Feitas as devidas limpezas no bebê, ele foi registrado como "Nossa, Canossa!" e passou a se desenvolver ao longo do tempo, alternando momentos de gracinhas encantadoras com birras memoráveis.

Atualmente, já engatinha com grande habilidade e consegue dar um ou dois passos em pé antes de se esborrachar no chão. De vez em quando também sofre com a febre ourinda dos dentinhos que estão nascendo, a qual todo pediatra insiste em denominar erroneamente como virose. Faz cocô durinho e fedorento.

Ainda toma leite no peito e come muita papinha, além de maçã e biscoitos em pequenos pedacinhos. Já balbucia algumas palavras e entende tudo o que dizem para ele. Em breve, estará correndo por esse mundo da Internet, que terá que tirar todos os objetos da parte de baixo do armário.

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A verdade é que quase toda a festinha planejada para o primeiro ano deste blog deu errado. Primeiro, porque a minha idéia inicial era comemorar este dia com o post de número 100. Até tentei me programar, mas acabei vacilando e esta pe a 93ª mensagem escrita nesta página.

Depois, eu também tive a maravilhosa idéia de comemorar esta primeira primavera (trava língua!) mudando o layout da página. Entretanto, fui acometida por uma crise de criatividade e não consegui pensar em nada de bacana. Como eu não queria somente mudar as cores, o "Nossa, Canossa!" vai ficando verde e laranja por enquanto... ou melhor, se alguma boa alma se dispor a fazer isso para mim ganha um almoço acompanhado por mim em um lugar barato e que aceite VR.

E, em terceiro lugar, a idéia era colocar este post no ar logo nas primeiras horas do dia 12, mas isto não foi possível porque a Internet ficou mais de 24 horas fora do ar aqui em casa e também porque hoje eu trabalhei bastante e somente agora eu pude redigir estas linhas. De qualquer forma, um "arigatô" a todos os leitores.

Mas há uma coisa que deu certo nas comemorações, afinal eu finalmente vou atualizar os blogs linkados aí na direita e que valem a pena serem lidos: agora estão adicionados o "Prefiro Pegar Pneumonia e Morrer", do excelente Victor Biachin (está meio desatualizado, mas tenho fé que ele ainda vai nos divertir mais), o "Paris na Linha", que conta as aventuras francesas do glorioso Elói Silveira, o "Quotations", da sempre ótima Carmen Guerreiro, o "Martini Seco", dos leitores (quase) anônimos Gabriel e Léo Barbosa, o "Ponto de Fuga", da pertinente Amanda, o "D'Propósito", da pensadora Camila Dayan e o recém-descoberto "Publicações Vol.3", da Marilia Zannon.

Ah, também aproveito para tomar vergonha na cara e finalmente enterrar o finado "Indecências", e transformá-lo no novíssimo "Enaoltil", ambos escritos ótima contadora de causos Lelê, que é irmã do Rodrigo Martin e amiga do Elói. Tem também as fotos do Túlio Vidal, com destaque especial para a denominada "Mãe e Filho". De famosos, vou apenas colocar o do PVC, que é o melhor comentárita de futebol deste país. Saem de cena o "Perólas das Assessorias..." e o "Balde de Gelo", enquanto Juca Kfuri estará com o link a prêmio até passar a má fase e ele voltar a ser o espetacular jornalista que é.

Para finalizar, digo/escrevo que pretendo copiar o Trotta e, na medida que a minha procrastinação permitir, responder aos comentários. Só para finalmente terminar mesmo, inicio a campanha: "Vitim, Monte, Nara e mamãe, façam um blog!".

10 de fevereiro de 2008

Da série: "Coisas futebolísticas bizarras do mundo" - Parte II

Quem é que nunca torceu por uma autêntica videocassetada naquelas comemorações circenses do futebol? Pois é, já aconteceu...



O lance é da final do Campeonato Gaúcho de 1977, entre Grêmio e Internacional. Os dois times haviam empatado em pontos durante a fase final, o que provocou a necessidade de um jogo-extra. A decisão foi vencida pelo Tricolor dos Pampas por 1 a 0, ou seja, justamente o gol do vídeo.

Alucinado pelo próprio feito, o centroavante André Catimba quis dar um salto mortal. Só que sentiu uma fisgada na coxa em pelo vôo (as más línguas dizem que, na verdade, ele se atrapalhou), tentou uma abortagem da operação, um pouso de emergência... mas acabou mesmo se estatelando no chão. Teve que ser substituído.

A foto do lance é tão legal quanto o vídeo. Uma pena que na época as transmissões de TV não tivessem 5234 câmeras espalhadas pelo campo para captar melhor este momento épico...




OBS: Para saber mais sobre lesões bizarras, vale a pena dar uma olhada nesta coluna aqui do Eduardo Viera da Costa, na Folha Online.

8 de fevereiro de 2008

Caminhos do Coração

Quanto mais duas pessoas estudam, mais intelectuais vão ficando seus papos e melhor é o nível de suas opções culturais, correto? Talvez nem sempre. Eu tenho um primo lá em Minas que é formado em letras, tem pós-graduação e chegou ao patamar de ser um professor respeitadíssimo. Definitivamente, não lhe falta emprego, seja em escolas públicas, particulares ou em cursinhos. Na sala de aula, é visto como um mestre bastante exigente, além de dono de uma excelente metodologia para explicar a matéria. Porém...

Adivinhe qual foi o programa televisivo que mais o divertiu no período de férias? Não, não, esqueça programas da TV Cultura. Telespectador que seria visto como exemplar pelo bispo Macedo, ele passa parte considerável do tempo na Record. E você pode ter certeza que toda noite, ele estará no canal 7 (que lá não é 7, mas 11, eu acho) assistindo a melhor novela da atualidade: “Caminhos do Coração”, aquele folhetim permeado por mutantes.

O pior é que ele tanto me falou sobre as aventuras do policial federal Marcelo e da mutante Maria (o casal protagonista da novela) pela clínica da Dra. Júlia (que criou os primeiros mutantes através de modificações genéticas), que eu resolvi assistir. E me viciei, o que é pior. Mas o fato é que, à sua maneira, a versão tupiniquim de X-Men e Heroes, é muito boa de tão tosca. E ainda tem a participação de nomes como Preta Gil, Toni Garrido e Fafá de Belém!

Não deu outra: logo a gente estava gravando os trechos que tinham a aparição do vampiro e do lobisomem para assustar nossos priminhos. Mas os efeitos são tão ruins que logo eles estavam mesmo era se divertindo e pedindo para rever os capítulos. Por coincidência, creio que nesta mesma época um monte de gente também passou a ver a novela, de maneira que a Record perdeu completamente as estribeiras e hoje praticamente todos os personagens são mutantes. Sabe como é, um vampiro vai mordendo um humano, o outro adquire o vírus da mitrancopia (do lobisomem)...

Mas se as mutações se limitassem somente a vampiros e lobisomens, estava bom. Acontece que a novela virou um samba do criolo doido e atualmente podem ser vistos a mulher hipnótica, o homem super-rápido (que tem um calcanhar-de-Aquiles. Ganha um doce quem adivinhar com ele chama), um bebê que cresce rápido demais, um homem invisível, outro que se transforma em qualquer pessoa (este dois são do mal), a menina com asas, a que cura todas as doenças,a mulher pantera, o cachorro que vira homem e (pasme) até a Iara. O detalhe é não vai parar por aí: eu li no jornal que em breve serão introduzidos um sapo-gigante, um minotauro e um dinossauro (!).

Nem a dra. Júlia escapou: depois de ser mordida pelo primeiro vampiro, ela agora também está sedenta por sangue. Para quem não entendeu nada, aqui vai um breve resumo: a Maria, que é super-forte (foi a primeira mutante criada), trabalhava em um circo quando, depois de uma festa, passa a ser acusada de matar o dono da Progênese, a clínica que fez os mutantes. Aí, ao lado do policial Marcelo (que quer descobrir quem envenenou sua esposa), ela passa a viver escondida para descobrir quem é o verdadeiro assassino. Enquanto isso, a produção dos mutantes – que será feitos em uma ilha no Guarujá – perde o controle.

Se você nunca assistiu, saiba que pode começar a fazê-lo a qualquer momento, visto que os diálogos são tão bobocas que todo dia eles basicamente explicam o que aconteceu nas duas últimas semanas. Serve ainda para ver uma pancada de atores que não conseguiu subir na Globo e agora tem que se submeter a este constrangimento. Destaque para aquele Cláudio Heinrich, que faz um gay absurdamente estereotipado, cuja música tema é “Robocop Gay”, dos finados Mamonas Assassinas.

Eu recomendo.

OBS: Quarta-feira, segundo o Ibope, “Caminhos do Coração” fez pela primeira vez um capítulo de novela da Record ficar o tempo todo na frente da Globo, que passava os mutantes do Corinthians.

6 de fevereiro de 2008

Sobre o título da Beija-Flor

Só tenho uma coisa a dizer:
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL22422-5606,00.html

Deixaram acontecer de novo. Garfaram a Viradouro e a Portela, que, pela primeira vez em toda a minha vida, fez um desfile decente (o Fábio que me perdoe, mas nos anos anteriores não ganhava nem em SP).

Só bem-feito para a Estação Primeira de Mangueira: em um ano no qual deixaram os cem anos do Cartola de lado (deveria ser o enredo, não oum carro jogado no fim do desfile), não se desculparam com a Beth Carvalho e, pior, permitiram que o tráfico arranhasse a imagem deste patrimônio cultural brasileiro, a escola tinha mesmo era que se ferrar.

Até os deuses se manifestaram e o único desfile no qual choveu foi justamente o da verde-rosa. Só não caiu para a segundona do Carnaval porque no Rio há o estranho hábito de se prejudicar agremiações menores (vide o próprio campeonato fluminense de futebol).

Voltamos agora à nossa programação normal.

Apuração, o melhor do Carnaval

E eis que é chegado o final de mais um Carnaval. Tempo de bailes, desfiles, alegria, trio-elétricos, folia... para tudo terminar na Quarta-Feira de Cinzas. Não que eu não goste da festa mais popular (?) do país, mas o fato é que pertenço àquele pequeno grupo que se diverte muito mais agora, justamente no fim da festa. E isso porque é tempo da maravilhosa e divertida apuração dos desfiles das Escolas de Samba.

Sejamos honestos: se alguém na Globo se enganar e colocar a fita dos desfiles do ano passado como se fosse ao vivo, 90% da população só iria se ligar depois de algumas horas. E isso talvez porque o BBB liberado para ir até a Sapucaí fosse diferente. Definitivamente, ver a diversão dos outros pela TV não é das tarefas mais espetaculares do mundo.

O fato, porém, é que todo aquele interminável desfile com uma lógica que só o carnavalesco entende, recheado de mulheres seminuas (com um cara tocando pandeiro e passando a mão no bumbum delas), gente fantasiada, discursos sobre a “alegria do povo brasileiro” e alegorias pseudoinovadoras só serve para justificar o grande momento proporcionado pelo público que é a apuração das notas recebidas pelas escolas.

Vamos pensar: se não há uma pessoa no universo que agüente assistir todos os desfiles com atenção (talvez o Chico Pinheiro consiga, mas a Leci Brandão quase cochilou ao vivo, além de pigarrear no microfone...), qual você acha que é o critério estabelecido para se distribuir notas? É óbvio que os jurados dormem! E isso ficou muito evidente em 2007, quando uma jurada se esqueceu de dar uma nota para a Acadêmicos do Tucuruvi. Espetacular. Além do mais, qual a integridade de um julgamento onde as escolas podiam dar presentes aos jurados? No qual médicos davam nota para quesitos como alegorias?

Mas isto não é uma reclamação, pelo contrário. Se julgamento de escola de samba fosse uma coisa séria, não nos divertiríamos tanto – a propósito, fica aqui o meu protesto quanto à mudança do regulamento em São Paulo, onde agora são descartadas a menor e a maior nota, evitando assim que um jurado mal intencionado possa foder uma agremiação e provocar xingamentos e brigas absolutamente hilárias. Legal mesmo são os sistemas de pontuação bizonhos do Rio, onde um jurado dá 9,9 e outro dá 9,1. Qual o critério? Sei lá, talvez nem eles entendam direito qual a diferença de “evolução” para “conjunto”. Afinal como julgar “melodia”? E o que é exatamente “harmonia”?

Sem contar que apuração de escola de samba é muito mais emocionante que qualquer jogo de futebol. A campeã sempre é decidida na última nota, geralmente no critério de desempate ou por diferenças mínimas. E tudo graças a um narrador inigualável, Jorge Perlingeiro, o homem do vozeirão, que todos os anos nos brinda com um:

- Atenção para a abertura dos envelopes das notas.. Quesito (pausa de 3 segundos): Alegorias e adereços. (pausa de 3 segundos). Jurado: Jefersandro da Silva. (pausa de 3 segundos). Estaaaaação Primeira de Mangueira. Nota: (pausa de 5 segundos). DÉÉÉÉÉZZZ.

As imagens das quadras, com um bando de doentes pulando (com delay) e amassados igual sardinhas enlatadas também são um espetáculo à parte. Assim como os comentários imbecis dos narradores da Globo. Na apuração paulista deste ano, por exemplo, o Maurício Kubrusly insistia em dizer toda hora que “naquele momento a Gaviões estava na frente”. Detalhe: a Gaviões era a primeira a ter notas divulgadas. Dã.

Mas antes disso, as torcidas já se provocaram até não agüentar mais, além de terem homenageado as mães de todos os jurados. “Filho da p.... filho da p...”, sendo gritado em coro por causa de 0,25 pontos (voz irritada do presidente da escola modo on) “de um jurado mal-intencionado que destruiu todo o trabalho de um ano inteiro da comunidade da Vila Patotinha. Ano que vem a gente não volta para a essa safadeza”. (voz irritada do presidente da escola modo off). Promessa que graças a Deus não será cumprinda: no ano seguinte eles estarão lá me divertindo de novo!

31 de janeiro de 2008

Da série: "Coisas futebolísticas bizarras do mundo"



Então, tá.

28 de janeiro de 2008

Pequeno causo cotidiano

Eu devo ser um caso raro na história da metafísica: quanto mais eu envelheço, menos idade as pessoas me dão. Já nem ligo mais quando alguém me diz: “Nossa, mas você tem cara de 16 anos!”. Difícil mesmo é alguém acertar de cara quantas primaveras eu já comemorei.

Mas tem coisas que extrapolam todos os limites.

Cenário: Uma loja de sapatos em São Bernardo do Campo
Data: 24 de janeiro de 2008.
Horário: Aproximadamente 15 horas (horário de verão de Brasília)
Idade corrente: 22 anos, um mês, duas semanas, seis dias, 23 horas e 40 minutos (dados não muito precisos).
Personagens: Eu, minha mãe, amiga da minha mãe, vendedora 1 e vendedora 2.

Amiga da minha mãe experimenta um sapato sob olhares da vendedora 2, que segura a caixa do dito sapato.

Alguns metros distante, eu experimento um sapato de salto não muito alto, com o objetivo de usá-lo no baile da minha formatura. Minha mãe e vendedora 1 emitem as suas respectivas opiniões.

Minha mãe: “Acho que este vai ficar bom com o vestido longo que a gente comprou!”
Vendedora 1: “Também acho. (Dirigindo-se a mim) Você vai usá-lo onde?”
Eu: “Na minha formatura, mês que vem”

Durante o diálogo, amiga da minha mãe e vendedora 2 se aproximaram de nós.

Vendedora 2 (intrometendo-se na conversa): “Nossa, mas formatura esta época?”
Minha mãe: “Mas pelo que eu saiba, formatura sempre foi no começo de ano: janeiro, fevereiro, no máximo em março...”
Vendedora 2: “Ué, no meu tempo, formatura do GINÁSIO era no fim do ano!”

O pior é que ela falou sério. E eis que eu me pergunto: de que adiantaram quatro anos de faculdade se eu continuo cara de bebê? Ou será que eu sou superdotada e nem me dei conta disto?

21 de janeiro de 2008

Bocaiúva

Cidade onde minha mãe nasceu e uma considerável parte da minha família reside, a mineira de Bocaiúva (369km ao norte de Belo Horizonte e 955 da praça da Sé) tem cerca de 45 mil habitantes e é a cidade natal do saudoso sociólogo Betinho e seu irmão Henfil. Além disto, é denominada pelos próprios habitantes locais como a "terra do 'já teve'". Carnaval de rua? Bocaiúva já teve. Cinema? Também. Milagre de santo? Yes. Escola de samba? Não só uma, mas três. Invasão de cientistas gringos e manchetes em todo o mundo por causa de um eclipse total do sol? Já teve.

Ainda há muita coisa boa por lá e eu poderia gastar muitas linhas falando delas. Mas isso fica para depois. Sim, porque neste primeiro post de 2008 gostaria de apresentar os leitores que ainda frequentam este espaço a coisa mais fodástica de Bocaiúva. Infelizmente, por ser uma propriedade privada, pouquíssimas pessoas tem acesso a este lugar. Na verdade, muitos habitantes da cidade nem imaginam que ele existe. Por sorte, este magnífico banheiro verde-e-rosa pertence aos meus parentes:

(Não é uma beleza? Fotos: Canossa Press)



O melhor: o autor desta obra prima da decoração tupiniquim é meu ascendente direto, meu avô José Alves da Silva, mais conhecido na cidade como Zé de Deca (ou Dedé para o povo mais antigo). A casa, porém, não pertence mais a ele e sim ao seu cunhado, ou meu tio-avô, Ourival Souto (mais conhecido como Loro Souto), a quem a vendeu em meados dos anos 70. Mesmo ampliando a residência, Loro fez questão de manter o banheiro original, apesar de ele ter bem menos uso nos dias atuais. Não, não é reflexo de uma família com intestino preso, mas sim porque atualmente há um outro banheiro na casa melhor localizado e, portanto, mais frequentado.

Mesmo assim, o banheiro verde-rosa ainda está em perfeito funcionamente. Trata-se de um privilégio fazer necessidades fisiológicos em ambiente tão exótico. Sem jamais ter manifestado qualquer preferência carnavalesca pela Estação Primeira de Mangueira, meu avô Zé de Deca explicou, com exclusividade ao Nossa, Canossa!, porque fez um (modo exagero on) lavabo tão criativo e ousado, rompendo paradigmas da decoração conservadora de banheiros (modo exagero off).

"Aquilo lá é o seguinte: a casa foi construída há mais de 40 anos. Eu fiz muitas casas para aqueles lados e cada uma tinha que ser diferente da outra. Então, fiz o banheiro daquelas cores, porque uma coisa importante é você pensar na claridade. Aquele outro banheiro da casa de Loro, por exemplo, é muito escuro. A gente tem que ter criatividade também", explica Seo Zé, ao mesmo tempo em que nega, aos risos, ter pensado em fazer decoração semelhante na casa que terminou de construir poucos meses atrás.

Orgulho.

29 de dezembro de 2007

Recesso

Dentro de algumas horas estarei adentrando as abeçoadas terras das Minas Gerais. Por lá, ficarei uns 20 dias, afinal até (ex-)estagiária tem direito a férias decentes um dia.

Será meu primeiro Reveillon sem São Silvestre desde a virada 2005/2006. Estou com saudade de assistir a prova pela TV enquanto a família está preparando o jantar na cozinha.

Provavelmente, os lugares pelos quais passarei não me fornecerão muita disponibilidade de acesso a Internet. Mas eu também não queria mexer muito. Quero descansar é no interior, na roça de preferência, bem longe dessas mudernidade de computador.

Celular também não vai funcionar, até porque a grande Vivo não oferece seus preciosos serviços por lá. Isso significa que o meu aparelho morre depois da placa "Divisa São Paulo - Minas Gerais". Dizem que um dia a rede deles vai atravessar este marco. Esperemos para ver.

Por isso, este blog e esta blogueira estarão em recesso até meados do dia 23 de janeiro. Escrevi menos do que gostaria nesta temporada, mas quem sabe o atraso não é tirado em 2008. Será também o ano de arrumar a vida novamente. Vamos ver no que dá.

Antes de partir, gostaria de desejar um bom ano a todos que prestigiaram os textos deste blog (mesmo os que não comentam há muito tempo), que começou meio sem querer e foi capaz até de me arrumar novos amigos e estreitar laços com outros.

Até 2008!

24 de dezembro de 2007

Natal

Ao invés de desejar muita paz, saúde, amor e todo aquele blá, blá, blá que teremos esquecido no dia 26, aproveito a data natalina para postar um achado dos anos 70. Coisa de gênio.

19 de dezembro de 2007

Hohoho

A empresa de ônibus que me leva todos os dias para São Paulo resolveu introduzir o "Ônibus do Papai Noel" neste final de ano. Em resumo, trata-se de um veículo cheio de pisca-pisca e com o motorista vestido como o Bom Velhinho. Ele funciona normalmente, inclusive andando tão (ou até mais) lotado que os outros carros.

Isso me leva a pensar que tal situação só pode ter duas origens:

1- Tem gente que faz de tudo para ganhar um adicional neste final de ano e incrementar a ceia.

2- Os anos de neoliberalismo de FHC e Lula afetaram até mesmo o Papai Noel, agora obrigado a fazer hora extra para presentear as crianças.

12 de dezembro de 2007

Quer sacanear, Deus? Então joga logo um raio!

“Não há almoços grátis”, diz um velho ditado norte-americano.

E é claro que os céus iriam me cobrar com juros e correção monetária a semana de felicidade que eu descrevi abaixo.

Pois bem. Na função de “setorista” de vôlei, eu estava escalada há alguns bons dias para fazer a pauta mais legal desta semana: entrevistar o Bernardinho, que nesta quinta estará em Santos. Acontece que o evento começa às 19 horas.

Até aí tudo bem. Pessoas dotadas de grande sensatez planejariam o que a minha chefia planejou: como São Bernardo (vulgo onde eu moro) é o meio do caminho entre Santos e São Paulo (vulgo onde eu trabalho) e a pauta, sem muita previsão de término, é de noite, nada mais natural que o motorista da GE fazer um pequeno desvio de dez minutos e um terço de litro de gasolina para me deixar em casa, local em que eu publicaria a nota, já que (pombas!) eu trabalho em um site.

O problema é que o setor de transportes daquele lugar é regido por um mantra: “Burocracia! Burocracia!”. Ou seja: eles simplesmente se recusaram a me deixar em casa, visto que estagiário não pode ter essa mordomia (!) e nem era tão tarde para se deixar ninguém em casa (!). Quanto mais um estagiário, bah, estes seres inferiores. Em resumo: por mais que a minha chefia protestasse, o transporte se convenceu que era mais simples que eu passasse ao lado da minha casa (meu destino final), mas só desembarcasse a 22km dali ainda mais nesta cidade que à noite mais se assemelha com os níveis de segurança da Suíça.

Enfim, resolveram não arriscar meu pescoço e colocaram o Felipe para fazer a pauta. Pelo menos ele é competente.

Mas isso é só o começo. Esta semana é a entrega dos brindes de Natal da Fundação. E só esta semana. Repare: justamente na semana em que meus pais estão fora do Estado de São Paulo e eu não tenho carona para cá. Ou seja: teria que me virar para trazer as duas cestas e o peru no ônibus. Já prevendo isto, puta da vida por ter perdido a pauta legal, e com o objetivo de minimizar a fadiga, resolvi deixar uma das cestas na redação para levar depois e trazer a outra hoje. Não era pesada, mas era volumosa.

Sempre com a mentalidade de evitar a fadiga, peguei uma puta fila no ônibus, de maneira a ir sentada. Quinze minutos depois, eu finalmente consigo me acomodar em um banco segurando a maldita cesta.

Não deu outra: bastou dois pontos para o ônibus quebrar e todo mundo (e olha que tinha muita gente) ter que descer.

Ainda com pensamento de evitar a fadiga, esperei os apressadinhos embarcarem nos dois ônibus seguintes, que foram absolutamente lotado. Só no terceiro consegui me acomodar com a minha maldita caixa. Obviamente não consegui sentar de novo, mas uma moça simpática e que estava sentada se ofereceu para carregar o meu brinde de Natal.

Tudo seguia bem, quando dez minutos depois, o ônibus morreu do nada. O motorista conseguiu ressuscitá-lo, mas mal andou dois quilômetros e ele (o ônibus) morreu em definitivo.

Inacreditável: em cerca de 25 minutos, dois ônibus em que eu estava quebraram! E justo quando eu carregava uma cesta de Natal, o que me consolaria no dia em que eu perdi a pauta mais legal da semana por burocracia.

(Detalhe sórdido: São Paulo/São Bernardo vive uma linda noite de chuva)

Fiz o restante do trajeto pensando que alguém ainda ia me roubar a cesta ou me prédio estaria com um avião encravado. Cheguei em casa com cara de louca e molhada (já que resolvi ligar o foda-se e não abrir o guarda-chuva). A cesta idem.

Por via das dúvidas, já liguei para minha mãe em Salvador e mandei ela levar uma foto minha na benzedeira. Só pode ser encosto.

Coisas do cotidiano

E então você pensa que depois de terminar quase tudo o que você tinha que terminar no ano, finalmente vai parar de se estressar e tomar involuntariamente atitudes bizarras.

Mas o mundo não é assim.

Dois minutos antes de você sair de casa com previsão de volta somente para a noite, Margarida, sua diarista, avisa que vai dar uma rápida saída para levar a filha da vizinha – também cliente dela – até o ônibus escolar. Até aí, nada demais.

Obviamente, ela não cumpre esta tarefa em dois minutos, o que significa que você não a vê antes de se retirar. Roupa lavando, móveis fora do lugar e rádio ligado. A porta é trancada. Antes, você passa no apartamento de uma terceira vizinha para lhe devolver um livro.

Devolve e vai embora. Passa pela portaria e Margarida não está lá com a criança (Manu). Provavelmente ainda teve que terminar de arrumar a menina. Enquanto isso, os outros habitantes da casa encontram-se simplesmente fora do estado de São Paulo.

Minutos mais tarde, já no ônibus, o clique: “Caramba, será que ela tinha a chave para destrancar a porta?”. Em seguida, a tranqüilidade: “Ah, mas a porta de casa está com um problema e não fecha sem chave!”. No minuto seguinte: “Não, eu não tenho certeza de que a porta estava realmente trancada antes de eu passar a chave. Será que não estava só entreaberta e eu não percebi?”.

Na falta de uma certeza, você espera chegar no trabalho, localizado a mais de uma hora de distância, para ligar até sua casa. Afinal, bastam um ou dois toques, ela atende e a dúvida se dissipa. É certo que tê-la trancado para fora de casa seria uma tremenda sacanagem, mas pelo menos as vizinhas para as quais ela trabalha podem ajudá-la a chegar em casa.

Talvez ela nem precise voltar com roupa de faxina, vai que tenha alguma muda em outro apartamento. O certo é que o celular dela continuará em cima da mesa descarregando. Mas nem que se Margarida estivesse com ele adiantaria ligar, afinal sempre esqueço de marcar este maldito número no meu aparelho. O número só está disponível na agenda da sala.

Você chega ao trabalho e sua primeira atitude é ligar. Toca, toca, toca e cai na caixa postal. Tudo bem, ela pode ter saído para comprar alguma verdura. Dez minutos mais tarde: toca, toca, toca e cai na caixa postal. Bom, ela pode ainda não ter voltado. Mais cinco minutos: toca, toca, toca e cai na caixa postal. Mas será o Benedito? O sacolão é do lado de casa.

A esta altura do campeonato, a reza começa a ser para não chover como no dia anterior, o que significaria casa encharcada, visto que as janelas ficaram abertas. Será que ela ficou com raiva? Bom, você tem a consciência tranqüila que foi sem querer. Nossa, será que o feijão não estava cozinhando? E você já imagina uma tampa de panela de pressão encravada no teto de sua cozinha, que, claro, está cheirando queimado. Também começa a pensar nas desculpas que vai dar depois.

O tempo passa e você não consegue falar com ela. Fazer o quê? O jeito é rir de sua desgraça. Quem sabe na volta você não encontre na porta de seu apartamento absolutamente encharcado, um capitão do Corpo de Bombeiros, a síndica com cara de poucos amigos, uma multa na mão e uma multidão curiosa?

Mas graças a Deus isso não aconteceu. Nunca senti tanto alívio ao chegar em casa e ver que tudo estava na mais perfeita ordem. Tenho a impressão que um dia ainda vou destruir minha casa sem querer. Ontem, foi quase.

10 de dezembro de 2007

Caaaabbbôôôôôôôôô

Em um e-mail despretensioso mandado durante uma tarde inossa qualquer, o Emanuel conseguiu resumir os últimos sete ou oito dias:

"Aniversário, Corinthians rebaixado e um 10,0 no TCC. Eu não me lembro de ter tido uma semana tão boa na minha vida"

(Agora, todos este universitários terão direito à cela especial se aprontarem por aí/ Foto: Canossa Press)

Foram mais ou menos uns 225 e-mails trocados (sem contar as respostas), noites mal dormidas, duas viagens, duas idas à pizzaria da Mooca, vários velhinhos como fontes, diversas piadas ruins, duas trocas de pasta de dente por creme contra acne, uma descida errada em estação do Metrô, uma tentativa involuntária de descer na escada rolante que subia e milhares de horas sob o efeito de stress. Mas, nasceu.

E, por incrível que pareça, dá até saudade.

Obrigado a Hugo, Césinha e Roberto, apesar de em certas horas eu ter certeza de que tudo aquilo ia desandar. Obrigado a todos que nos suportaram. Obrigado a todos que compareceram pessoalmente à banca. Obrigado a todos que mesmo sem estar lá pessoalmente deram uma força (e vocês são muitos, mesmo que não saibam disto: não irei listar nomes porque acabaria sendo injusta com alguém - para o bem ou para o mal).

2 de dezembro de 2007

O terceiro maior orgasmo futebolístico da minha vida

(Crédito: Thiago Bernardes/UOL)

Não sei bem ao certo, mas creio que a primeira grande lição de vida que eu tive, ainda nos tempos de criança, foi a de que o mundo dá voltas. Muitas voltas, aliás. Nem que demore anos. E eu digo (olha que estou boa de previsões este ano): não vou morrer sem ver Santos e São Paulo na Segundona.

Seja bem-vinda, Lusa. Dane-se a Libertadores.

29 de novembro de 2007

Corrente feita.

(modo cérebro usando a bateria reserva on)

Mesmo me sentindo um ser próximo de um zumbi, dada a intensidade de trabalho/preocupações dos últimos dias, estou aqui para cumprir uma tarefa que me foi passada, não por uma, mas por duas pessoas: Fábio Mattos Matos e Emanuel Colombari.

Basicamente, tudo consiste em pegar um livro próximo, abrir na página 161 e escrever a quinta frase no seu blog. Bom, se eu fosse seguir as instruções ao pé da letra, a frase com certeza absoluta sairia do meu TCC. Mas como resolvemos economizar dinheiro e saúde mental, imprimimos nosso livro apenas no velho formato sufite-e-encadernação, de maneira que não chegamos a 161 páginas.

Então, peguei outro livro, o best seller do Metrô, "O Caçador de Pipas". Aí vai:

Ou quem sabe esse Deus em quem nunca acreditou?

Ok, confesso que eu roubei e peguei a sexta frase, até porque achei essa mais filosófica e a quinta mesma seria: O dr. Amani?

Iria agora escolher as cinco pessoas para quem eu passarei esta corrente, mas...

(Bateria reserva do cérebro off)

26 de novembro de 2007

A hora do abate

Banca do Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdade Cásper Líbero

O que? Livro-Reportagem “Enquanto Houver Luar – Histórias de Seresta e Seresteiros”

Quem? Carolina Maria Canossa, (4º JOA), César Augusto Tizo Xavier (4ºJOA), Hugo Vitor Vecchiato (4º JOC) e Roberto Saglietti Mahn (4º JOA)

Orientador: Welington Andrade

Quando? 06 de dezembro, às 10 horas da manhã

Quem define nossos destinos?

Cláudio Arantes

Coordenador de Cultura Geral e professor de Ciência Política da Faculdade Cásper Líbero.

Celso Unzelte

Formado em Jornalismo pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado em 1989. É pesquisador esportivo e escritor. Editor de Esportes do Diário do Comércio, colunista do site Yahoo! e colaborador das revistas Placar e Quatro Rodas, da Editora Abril, e da TV por assinatura ESPN Brasil. Na Cásper Líbero, leciona Jornalismo Básico I.

Márcio Barker

Radialista, atualmente trabalhando na Rádio Cultura AM, onde apresenta o programa Gramofone, que toca gravações originais de música brasileira dos anos 30 e 40.

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Só mais um comentário: Quem quiser ir lá para entoar gritos de guerra durante a nossa apresentação (Vamos, vamos, Seresteiros / Vamos, vamos, a ganar.../ que esta barra quilombera/ no te deja, no te deja de alentar...) será muito bem-vindo. É só, se você não costuma frequentar o 900 da Paulista, me passar o número do RG pelo e-mail carolmca@gmail.com para que a entrada liberada na portaria.

19 de novembro de 2007

Pequenas felicidades da vida (parte II)


Ou: porque eu não me arrependo de ter feito jornalismo.

Nada melhor do que depois de um dia de intenso trabalho, você olhar pela janela às sete da manhã, ver a imagem acima e lembrar que a segunda-feira é sua folga...

16 de novembro de 2007

O melhor blog do mundo

** Atividade blogueira a todo vapor, após um longo e tenebroso inverno. E olha que o TCC nem acabou, apesar de estar encaminhado **

Em votação anunciada nesta sexta-feira foi eleito o melhor blog do mundo. E é da Bielo-Rússia, um lugar que eu não sei localizar mentalmente no mapa. Está escrito em uma língua completamente surreal: logo, ninguém entende nada. Mas, para quem é apaixonado por fotos como eu, isso não virou um impedimento.

Ноябрь, Foto-Griffoneurei! (acho que Ноябрь é "parabéns". Bom, se não for, ninguém vai contestar mesmo...)

Um russo me avisou que Ноябрь significa "novembro" e é russo mesmo. Definitivamente, preciso melhorar os meus conhecimentos.

Merecido, muito merecido. Aliás, será que aquilo é russo?

Um dia ainda volto a fotografar e coloco as imagens neste blog.

** Agora vou me embora para comemorar o título do Kimi de novo! **

A vingança vem a cavalo (ou de avião)

Ou: por que eu fui fazer jornalismo?

Menos uma semana depois de eu zoar o Held(a) (nos comentários) sobre o fato de ele estar trabalhando às 6 horas da manhã de um domingo, descubro que meu próximo "dia sagrado" - meio do maior feriado que já vi na minha vida - será contemplado com um maravilhoso amanhecer no aeroporto de Cumbica. Estarei lá para recepcionar a seleção feminina de vôlei, vice de novo.

Detalhe: este domingo era a minha folga (observe o verbo no passado). Bom, pelo menos a última festa casperiana já passou. Isso significa que não precisarei fazer entrevistas sob o efeito de uma tequila** e uma noite nada dormida. Sim, porque como Murphy dita que quanto mais você mora longe do aeroporto mais cedo chegará o vôo, estarei na redação às 6h30 da manhã. Com a perspectiva que a chegada vai atrasar, porque sempre atrasa, e elas passarão duas horas no free shop.

Ah, e o fotógrafo que irá comigo será o Djalma Vassão. Ele é gente boa, mas tem um detalhe: sempre que a gente forma uma dupla jornalística acontece algo. Ou o jogo teoricamente fácil demora 3 horas e meia ou o carro quebra em um lugar ermo (e com cara de perigoso) quando já está de noite e você está carregando um monte de equipamento caro. Da última vez que fizemos pauta em aeroporto juntos, tivemos a idéia idiota de brincar: "Puxa, pensou se o avião destes caras da seleção de vôlei cai? A gente ia se ferrar de trabalhar...". Clique aqui para saber o que aconteceu minutos depois da brincadeira cretina. Foi quase.

Seja o que Deus quiser desta vez.

** Nota da redação: Eu não bebo. A palavra tequila só foi adicionada aí para conferir uma sacada humorística ao texto. Ou não.

Atualizado: Como era de se esperar em uma pauta com o Djalma, é lógico que algo não deu certo: o vôo, que estava previsto para chegar às 7h25, chegou às 9h45. E é claro que elas demoraram dois anos no free shop, alfandega e afins... resultado: foram aparecer no saguão por volta das 11h10. Pelo menos eu não fiquei tanto de pé, já que graças a este maravilhoso sistema da Infraero (deve ser a única coisa que funciona no sistema aéreo do país), pude ver da redação que o avião ainda ia demorar e adiar a saída. Mas não pude dormir mais :-( e cheguei em casa só às 18 horas...

Held(a), entre as suas musas, só apareceram a Paula (que sempre some em dois segundos) e a Carol Gattaz. O resto ficou na Europa. Tá vendo como você nem perdeu tanto?

15 de novembro de 2007

Eu não sei abrir uma lata de sardinha

De volta a este espaço, depois de tantos dias, farei uma confissão: sou a maior enganadora de candidatas a sogra que eu já conheci. Acompanhe o raciocínio: menina-loirinha-com-cara-de-novinha, boa família, terminando a faculdade. Junte a isto um jeito discreto e voilá! Está formado o perfil de uma nora ideal.

É, mas o mundo não é perfeito. Muito menos eu. Para começar, não sou nada prendada. Semana passada, por exemplo, me engajei na árdua tarefa de abrir uma lata de sardinha. Dez minutos depois, um martelo de bater carne na mão e muito stress na cabeça, a bendita lata continuava fechada. O máximo que eu havia conseguido foi amassar uma parte da tampa. Em resumo: se eu tivesse perdida na ilha de Lost e a Dharma só me fornecesse abridores de latas e sardinha enlatada, eu morreria de fome.

Minha família até já tentou me iniciar no maravilhoso mundo de Ofélia. Mas as minhas trapalhadas foram tantas que sempre é muito mais fácil me mandar fazer qualquer outra coisa e tirar a tarefa da minha mão. Isto acabou gerando um ciclo vicioso: não ajudo porque não sei fazer e não sei fazer porque não ajudo. A não ser miojo, claro. O macarrão instantâneo é a minha especialidade.

Para piorar, tenho ficado ranzinza com o decorrer do tempo. O excesso de coisas a fazer tem me deixado com um mau humor de lascar. Reclamo muito. Tenho paciência com poucos e, mesmo assim, por pouco tempo. Também sou bastante estressadinha e falo palavrões excessivamente (ou pra caralho). Muitas vezes, consigo ser tão alegre quanto uma pedra de gelo. A arrogância involuntária então toma conta do que antes era um lugar ocupado por alguém até bacana.

Mas, querem saber de uma coisa? Exageros à parte, e espero poder corrigi-los, eu acho gente perfeita muito chata.

30 de outubro de 2007

Doce ilusão

Para mim, a melhor imagem de toda a papagaiada que foi o anúncio do Brasil como sede da Copa de 2014 foi esta aqui:


Para falar o que eu penso sobre como será a Copa, vou fazer uma série de colagens da opinião destes jornalistas aqui.

"Não tenho nenhuma dúvida de que o Brasil faz direitinho a Copa. Até porque é fácil. A Copa é um pacote fechado que se compra da Fifa. Os países têm de comprar tudo pronto de empresas indicadas pela entidade, direta ou indiretamente. É uma forma de manter o controle de qualidade. O Brasil tem todo direito e merece sediar a Copa pelos seus feitos esportivos, no aspecto técnico.

Já que o estupro é inevitável, relaxa e goza. Até lá vamos viver sete anos de muitas especulações políticas, disputa para ver quem ganha mais, gastos do dinheiro público. A pré-Copa será um nojo. Os organizadores têm que fazer com simplicidade, dentro das suas condições, e não fingir que vamos fazer uma Copa de primeiro mundo e gastar mais do que podemos.

Quanto à segurança, acho contornável. Não vejo isso como grande empecilho na realização da Copa. O problema é em que condições a Copa será realizada no Brasil. A Folha de S.Paulo mostrou, na semana passada, que as pessoas que vão liderar a organização (o grupo comandado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira) não serão obrigadas a prestar contas sobre o que fizeram, como fizeram, quanto gastaram e etc.

Torço para que não ocorra novamente o que se viu no Pan no Rio de Janeiro. Praças esportivas superfaturadas, promessas de melhoria de infra-estrutura não cumpridas, dinheiro público escoando pelo ralo e contas que não fecharam e jamais vão se fechar. A Copa deveria fazer parte de um pacote, um pretexto para obter um avanço maior em regiões mais carentes do Brasil, para criar empregos, melhorar a infra-estrutura.

Não sou contra a Copa no Brasil. Sou contra a Copa feita sem transparência"

Leia também a opinião do André Marmota

25 de outubro de 2007

Nossa língua portuguesa

Esta história aconteceu com um amigo de um amigo meu, o Renato, que é o meu amigo e não o amigo do meu amigo.

Dia desses, em um ônibus piracicabano, duas mulheres conversavam banalidades. Uma vira para a outra e, com ar de professora, solta esta pérola:

- Então, fulana, é o seguinte: PROBREMA é aquilo que a gente tem em casa, com os nosso homem, os nossos filhos.... PROBLEMA é aquilo que a gente faz na matemática!

Demorei 21 anos, mas finalmente compreendi o porquê falar probrema é uma mania nacional. Sim, eu é que era probremática e nunca havia percebido esta sutil diferença.

21 de outubro de 2007

Eu já sabia!


(Foto: EFE)

E viva a Finlândia! Viva a vodka! Viva o Homer Simpson! Viva o esporte!
É, eu também sei prever o futuro: http://nossacanossa.blogspot.com/2007_10_01_archive.html#5259794397505809509

19 de outubro de 2007

Aposta

Durante a aula de ginástica laboral desta sexta, eu e Raul prometemos que em caso de vitória de Rubens Barrichello no GP do Brasil 2007, nós pularemos do 12º andar da Fundação Cásper Líbero sob o som do "Tema na Vitória".

Logo, se tal milagre acontecer, evitem passar pela Avenida Paulista na segunda-feira. E lembrem-se: este blog não será mais atualizado, pois até onde eu sei o Google ainda não tem poderes mediúnicos.

18 de outubro de 2007

Otoridade

Sim! Chegou uma das semanas mais aguardadas e estressantes do ano de "outros esportes": o GP do Brasil de Fórmula 1. Nos últimos dias, além do conhecido trio TCC-traduções-faculdade tenho feito pautas na rua todos os dias.

Segunda, estive em Interlagos, para dar uma espiadinha na reforma. Parece que ficou bom. Terça, foi a vez de Rubinho, o engraçado. Quarta, golfe com o tiozão David Coulthard e Mark Webber. E hoje, quinta, Felipe Massa em sua 256º coletiva este mês e Kimi Raikkonen (uhu!) na tradicional entrevista da Shell/Ferrari.

Meninas, posso garantir: menino Kimi merece mesmo estar na lista dos mais bonitos. Tudo bem que, como disse um coleguinha, ele é "uma pedra de gelo falante" e usa sempre o mesmo tom de sonolento de voz. Eu perdôo. E prefiro dizer que é apenas a personalidade dele.

Mas é claro que eventos grandiosos não são os mesmo sem os nossos amigos "seguranças-malas-que-pensam-que-são-otoridade". Ok, eu entendo que eles precisam garantir a tranquilidade, não podem deixar tumultuar, etc, etc. E também sei que a minha cara de adolescente de 14 anos também gera suspeitas. Mas bom senso é de graça.

Estava eu entrando no teatro Alfa, que fica lá na putaquepariu, às 8h30 da manhã. Nem era para a cpçetiva, já que antes você tinha que passar por uma série de mocinhas que iriam fazer o credenciamento. O segurança, querendo mostrar quem mandava, me barra antes de qualquer coisa.

"Você é jornalista?"(e fechando a entrada com o corpo)
"Sou" (mostrando a carterinha da GE)
(ele, sem nem olhar para a carteirinha e com a entrada barrada)
"É, porque se não for jornalista não pode entrar"
"Mas eu sou!" (mostrando a carterinha da GE de novo)
(ele, arrogante) "Se não for, não pode passar"
(irritada e quase esfregando a carterinha na cara dele) "Eu sou, olha aqui a carterinha. Não está vendo?" (mas a vontade era responder: "Não, acordei cedo, vim até este fim de mundo com bombas amarradas ao corpo para explodir toda essa bosta porque eu odeio Ferrari, esse simbolo do capitalismo selvagem".)

E passei. Até a menina do Estadão perguntou sobre o excesso de "otoritarismo" do homem e fiz numa boa meu credenciamento, com mocinhas supersimpaticas que perguntaram o meu nome e olharam uma lista.

Ao contrário do que o segurança pode ter pensado não comecei a dar gritinhos espalhafatosos na entrevista e gritar "Lindo, tesão, bonito e gostosão" pro Kimi e nem tentei pular no pescoço do Massa cantando "RBD" e o dizendo que o amava. E o babaca se achando O poderoso só porque estava trabalhando para a Ferrari.

Pior que segurança idiota e mal educado, é segurança idiota, mal educado e burro. Pelo menos, em seguida, a visão de Kimi ao vivo fez o meu humor ficar bom rapidinho.

14 de outubro de 2007

Horário Verão

Odeio a sensação de ver que são uma da manhã no relógio, quando há um minuto atrás era 23:59.

Mas do horário verão eu gosto. E das vinhetas da Globo que anunciam a mudança também.

Uma das melhores sensações da minha infância foi a primeira vez que eu aguentei ficar acordada a ponto de ver o horário de verão chegar. Sentimento total de independência!

Aliás, preciso pensar em como aproveitar a hora a mais que o governo me devolverá no ano que vem.


Postado às 0h02 (ou 1h02, sei lá).

10 de outubro de 2007

Quer se matar?

Então, faça direito. Caso contrário, pelo menos garanta um tratamento "agradável", como relata a BBC Brasil:

Médicos australianos usam vodca para salvar paciente envenenado

Kimi Raikkonen, da Ferrari e eleito pelo Nossa, Canossa! o quarto homem mais bonito do esporte, promete testar o tratamento assim que a Fórmula 1 entrar em férias.

Escrevam o que estou dizendo: o Homer Simpson da Finlândia será campeão em Interlagos. E, sim, sem essa de imparcialidade: se isso acontecer, eu vou comemorar.

Por que eu torço para Kimi? Este vídeo e este aqui explicam. O cara é ou não é um figuraça?

9 de outubro de 2007

Mais uma bizarrice do ônibus

Que eu fui morar em uns lados com grande densidade de gente bizarra, já tinha percebido faz tempo. Que essas pessoas costumam pegar a mesma linha de ônbus que eu também não é difícil perceber. Impressionante é como algumas coisas ainda conseguem me surpreender neste tróleibus.

Estava eu voltando para casa agora à noite. Quando o ônibus parou no Terminal Diadema, entrou um cara de uns 25 anos e sentou-se naquele degrau da porta. Uma pessoa que olhando de relance parecia ser absolutamente normal, apesar de um leve cheiro de álcool. Um pouco mal vestido, mas não aparentava estar bêbado nem nada.

Antes que o motorista pudesse arancar, veio correndo uma tiazinha, que lembrava a Benedita da Silva (nossa, essa eu desenterrei) com os cabelos soltos. A analogia é para deixar bem claro que a mulher não fazia nem de longe o tipo "bonitinha e gostosinha" e estava muito longe de despertar desejos sexuais. Voltando à cena, ela conseguiu adentrar o ônibus, mas o carinha que estava sentado na porta nem se mexeu, obrigando umas 5 pessoas a ficarem espremidas em um canto.

Como ele estava sentado, a cintura da mulher ficava mais ou menos na altura dos olhos desse cara. Segundos depois, ele cutuca a clone da Benê e solta essa, como se fosse a coisa mais natural do mundo:

- Ó, sua braguilha está aberta! (apontando para a braguilha da saia jeans de crente dela)

Absolutamente envergonha, ela ainda tenta disfarçar. Diz um "obrigado" bem baixinho e começa a olhar para os lados, de forma que ninguém visse ela fechando a braguilha. Porém, o homem não se contentou com a demora e voltou a dizer:

- Ó, sua braguilha está aberta! (apontando para a braguilha da saia jeans de crente dela)

Mais envergonhada ainda, ela tenta difarçar novamente. Desta vez, o "obrigado" foi substituído por um olhar de ódio. A esta altura, eu já fazia todo o esforço do mundo para não dar uma megagargalhada no meio do transporte coletivo. Quando isso acontece, tento tossir para disfarçar o sorriso, com o cuidado de não atrair a macumba.

Antes que a mulher pudesse finalmente subir o zíper, o cara aponta ainda mais perto da saia jens de crente dela e diz:

- Quer que eu feche para você?

Mantendo a classe, ela ainda negou mais uma vez, mas deixando claro que se pudesse daria a ele uma morte lenta e dolorosa ali mesmo. E, com umas sacolas na mão, finalmente teve tempo para disfarçar e subir o maldito zíper. Insistente, o cara ainda quis puxar assunto, perguntando se ela morava em Diadema, se tinha filho, ao mesmo tempo em que contava que ia até a divisa de Diadema, etc. Sem aguentar mais a stuação, a mulher deu sinal e sem olhar na cara dele, desceu no primeiro ponto que viu. Tem horas que é melhor mesmo perder os R$2,30 de uma nova passagem.

7 de outubro de 2007

Luciano Huck está errado?

O novo hit da blogosfera brasileira é tirar sarro do artigo que o Luciano Huck escreveu para a Folha de São Paulo depois de ser assaltado. A primeira vez que tive contato com o texto foi na terça-feira de manhã durante a aula do Carlos Costa. Sem causar surpresa a ninguém, ele usou sua indefectível ironia para esculhambar o que estava escrito.

Alguns trechos realmente merecem ser zoados, especialmente aqueles em que uma certa falta de modéstia fica evidente, tais como “manchete do “Jornal Nacional”, “homenagem póstuma no caderno de cultura” (!) e “multidão bastante triste”. Falta de modéstia sempre deve ser ironizada.

Mas depois, observando boa parte dos comentários (clique aqui para ver alguns) encontrados por aí acerca do caso, muitos bastante parecidos com o glorioso professor daquela faculdade da Avenida Paulista, é possível se questionar: quem consegue ser mais babaca: as pessoas que ironizam o desabafo de um cidadão só porque ele é rico e faz sucesso ou o cidadão que desabafa, reclama, mas não dá queixa na polícia? Definitivamente, em minha opinião, é o primeiro caso. E olha que eu não vou nem entrar no mérito de analisar o pouco que conheço da vida/atitudes dos citados, porque senão vira covardia.

Luciano Huck é rico e bem-nascido? É. E só por isso ele não tem o direito de querer viver em um lugar melhor? Por algum acaso, ele é o responsável pela desigualdade social do país? Pode até ser, afinal não sei se ele paga impostos em dia ou cumpre outros deveres de cidadão. O fato é que até agora nada foi provado contra ele ou sua família neste sentido (não que eu saiba, mas se alguém souber, o espaço está aberto). Logo, bem ou mal, devemos partir do princípio que todo o dinheiro que ele usufrui foi ganho honestamente. Algo errado?

É triste ver que algumas pessoas praticamente comemoraram a desgraça alheia só porque o Huck é rico. Se o dinheiro dele veio através de um programa que muitos acham ruim, sorte do Luciano. Ninguém é obrigado a estar sintonizado na Globo sábado à tarde. Alguns comentários no link aberto acima chegam ao absurdo de falar: “se andas com um rolex em plena SP, de carro conversível e não sabe o porquê de ter sido assaltado...Ah, vá para a Suécia!”. Ok, então vamos nos conformar em viver no meio de uma guerra civil. Fácil isso.

Outro veio com um discurso demagogo: “E não é responsabilidade do Luciano Huck "alimentar uma família numerosa uns 2 anos" com o valor do rolex que ele perdeu, a não ser a dele próprio”. Ora, que bom para ele, se conseguiu ter dinheiro honestamente para comprar um Rolex. Não é porque não passamos fome que temos que abrir mão de pequenos luxos que trabalhamos para conquistar. E isso inclui até mesmo aquele chocolate que comemos de sobremesa. Ou algum destes que discursam deixam de tomar refrigerante para comprar um cacho de bananas para uma família pobre?

Mais uma vez repito: até onde eu sei (e se for mentira o espaço está novamente aberto), o Huck tem uma ONG que ajuda meninos carentes. Melhor do que muita gente que só fica por aí xingando a “burguesia”, seja lá o que for isso, e não faz nada além de “protestar”. Muitos destes, aliás, chegam a ter vida financeiramente melhor do que aqueles a quem criticam. Claro que tem muito rico e gente da classe média que é filho da puta. Mas também tem muito pobre que não vale nada. O contrário também é verdade. Dividir o caráter de acordo com o seu patrimônio é de uma ignorância estarrecedora. Tem gente, porém, que parece não entender isso.

5 de outubro de 2007

A desculpa perfeita

Depois de uma semana absolutamente cansativa e estressante, daquelas que você considera largar tudo para passar o resto da vida criando galinhas em um lugar perdido de Minas Gerais, a resposta que você estava precisando na sua vida vem através de um destes pedintes de ônibus (tróleibus, no meu caso).

Desta vez, ele sequer esperou o ônibus sair, começou o discurso quando os passageiros ainda estavam terminando de entrar.

- Dá licença, pessoal. É que eu sou pai de família e estou doente. Me ajudem, porque o médico me proibiu de trabalhar para não virar câncer. Ele me prometeu que eu vou ficar bom.

Trata-se do novo mantra que rege a minha vida. Sempre que eu tiver algo chato para fazer, vou alegar que o médico me proibiu de trabalhar para não virar câncer. Se for o caso, substituirei o verbo "trabalhar" por "estudar", "aguentar fulano", "me esforçar", etc.

28 de setembro de 2007

Revolução tupiniquim

Conversando com amigos esta semana, chegamos à conclusão do que provocaria uma verdadeira revolução no Brasil. Imaginem só o que aconteceria se hoje, sexta-feira, o Gilberto Braga resolvesse dar um final à la Kafka* para "Paraíso Tropical". Ou seja: se ele simplesmente acaba com a novela sem dar explicações de quem, como e por que a Taís morreu, sob a justificativa de querer representar "as angústias do homem moderno".

Certeza que ele seria expulso do país, depois de intensos panelaços e confrontos pelas ruas de todas as cidades desta nação. A propósito, também vou dar o meu palpite no tema de maior relevância nacional este mês: a assassina é a Bebel. Minha mãe discorda e tem uma teoria para lá de bizarra, que envolve o Claúdio, o Ivan e a namorada dele, que seriam meio-irmãos e tinham o desejo de se vingar de todas as humilhações sofridas por causa dos pais pobretões. Ou algo assim.

Veremos, veremos...

Atualizado: Errei o meu palpite, mas este foi o melhor final de novela dos últimos anos. Queimei a minha língua quando, há alguns meses, disse que esse folhetim seria um lixo.

*A minha noção mínima sobre o Kafka se deve às aulas fodásticas do Welington.

26 de setembro de 2007

Edição extraordinária das pataquadas do Pan

Acabou de piscar no meu e-mail:

SENADO FEDERAL HOMENAGEIA ORGANIZADORES DOS JOGOS PAN-AMERICANOS E PARAPAN-AMERICANOS RIO 2007

Sob a alegação de que estava resolvendo compromissos em uma pizzaria, Renan não apareceu. Lula, claro, se justificou dizendo que não sabia do compromisso. Uma pena porque se os dois estivessem lá, seria um ótimo momento para o Bin Laden derrubar aquelas duas torres de Brasília.

(E não é que as pataquadas do Pan voltaram antes de Guadalaraja-2011?)

25 de setembro de 2007

Forçando soluções

Quando eu fico com sono, fico sem noção e começo a falar/escrever um monte de baboseira. Então, para evitar fazer isso no meu trabalho, usarei este espaço.

Estou com uma dor estranha nas costas. Parece que o meu algo está apertando o meu pulmão. Alguém disse para eu procurar um médico, mas estou com preguiça.

Afinal, se fosse algo sério, não há mais tempo hábil para fazer nada. Digo isso baseada na teoria que os médicos dizem que quando você sente é porque o negócio já está desenvolvido. Admitindo-se a hipótese de eu morrer a esta altura do campeonato, só digo que vou chegar do outro lado bem puta da vida.

Por que? Porque agora que eu já aguentei um monte de professor tosco (por amor às minhas notas, somente darei nome aos bois em outra oportunidade, no final do ano), já me esforcei pra caramba no estágio, estou terminando o TCC não vou poder curtir os frutos de tudo isso? Nem que "os frutos" sejam ficar em casa sem fazer nada?

Ah não. Deus que não resolva me levar. Porque se levar, só de sacanagem eu vou puxar o pé de todos os leitores deste blog à noite. Sim, isto é uma forma de forçar todos a dar alguma dica sobre como resolver dor muscular nas costas causada por dormir na posição incorreta, a real causa do meu incômodo.

19 de setembro de 2007

Sorriso Colgate


Esta semana, os veículos das Organizações Globo fizeram o maior auê quanto à exigência, por parte da Guarda Civil Municipal do Rio de Janeiro, de que os candidatos a entrar na corporação tivessem, no mínimo, 20 dentes. Falou-se em preconceito, em discriminação, em arbitrariedade, etc... mas, na contramão do senso comum, eu apóio totalmente a exigência do concurso.

Antes que me chamem de elite branca ou de nazista, vamos aos fatos. É certo que boa parte da população nacional, incluindo aí aqueles que se propõem a tentar um emprego que paga cerca de 500 reais/mês, não tem condições de ir ao dentista. Daí, entretanto, a usar este argumento para justificar o fato de você deixar de apodrecer seus dentes (e olha que isso leva um tempo considerável) a ponto de perdê-los, é puro relaxamento.

Não tem nem dinheiro para comprar creme dental? Nao tem problema. A pasta não é um complemento útil, mas nem tão necessário assim. Isso é questão de se cuidar: e se um guarda é incapaz de cuidar minimamente dele próprio, o que me faria acreditar que ele irá zelar pela minha segurança? Você teria a mesma confiança em um guarda com dentes limpos e outros com os seus poucos dentes estragando?

Além disso, a GM-Rio se justificou de forma perfeita: "A exigência mínima de 20 dentes para cada candidato busca preservar a saúde e a imagem de um profissional que atua em contato direto com a comunidade, inclusive nas escolas municipais onde exemplos à saúde devem ser incentivados".

Para finalizar, qualquer profissional de saúde sabe que o velho ditado "A saúde começa pela boca" é verdadeira. Problemas no dente e na boca podem prejudicar seriamente o resto do físico. É clássico o caso que o redimento dos jogadores da seleção brasileira às vésperas da Copa de 19858 melhorou depois que todos passaram por tratamento ondotológico (fonte: livro "Estrela Solitária, de Ruy Castro). O Ronaldo Fenômeno é outro caso que quase teve sua carreira seriamente prejudicada pelo mesmo motivo (mais detalhes, clique aqui). Deu no que deu...

Demagogia pouca é bobagem.

15 de setembro de 2007

Menino mau

Eu tenho um priminho que com quatro anos já apresenta, digamos, certos traços psicopatas. Além de ser estressadinho (apesar de não ter porte físico para ser agressivo), ele já soltou pérolas como:

"Eu vou matar você e João Pedro e jogar lá na roça"
(Para a própria mãe e irmão mais novo)

"Veneno"
(Para mim, depois que perguntei o que ele estava tomando naquela garrafa)

Mas o auge aconteceu mesmo dia desses. Querendo agradar, a vó dele perguntou:

- Marcelo, você quer que eu coloque a janta para você?
- Não!
- Mas, Marcelo... você não quer comer?
- Não. Come você. E come de garfo que é para furar a sua língua!

Amo esse menino.

12 de setembro de 2007

Vergonha (ou, é tudo armação da mídia golpista)

Definitivamente, como diria a minha avó, estamos em um mato sem cachorro. O que é pior: as seis abstenções que, se fosse convertidas em votos contra o Renan era suficientes para cassá-lo? Ou os 40 senadores, de diversos partidos (situação e oposição) que aproveitaram-se do sigilo para defenderem os seus próprios interesses?

Renan Calheiros é absolvido pelo Senado

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Tão nojenta são essas empresas que posam de boazinhas, mas na prática...

Da Folha de S.Paulo, 12/09/2007

Nestlé pede, e Kassab reduz carne em sopa

Por solicitação da Nestlé, que queria participar de licitação, Prefeitura de São Paulo piorou a qualidade nutricional do alimento

Nutricionistas haviam previsto 7 kg de carne a cada 100 kg de sopa; com a mudança, administração passou a exigir só 0,5 kg

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
ALENCAR IZIDORO
DA REPORTAGEM LOCAL

A pedido da Nestlé, a Prefeitura de São Paulo decidiu reduzir a qualidade nutricional da sopa que pretende distribuir em um programa que irá reunir pais e alunos aos sábados nas escolas e creches municipais.
A gestão Gilberto Kassab (DEM) diminuiu a quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa depois de um apelo feito pela multinacional durante uma consulta pública para a compra do produto.
A previsão das nutricionistas do município era que uma das sopas tivesse 7 kg de carne, 2 kg de cenoura e 3 kg de "outras" hortaliças (por 100 kg de sopa desidratada a ser distribuída).
Com a mudança feita diante da manifestação da Nestlé, a mesma sopa deverá ter só 0,5 kg de carne, 0,8 kg de cenoura e 1 kg de "outras" hortaliças.
A redução na quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa é condenada pela presidente da Associação Brasileira de Nutrição, Andrea Galante, que também contesta a escolha desse alimento para ser distribuído nas escolas municipais.
"Baixar a quantidade de verduras e hortaliças vai contra aquilo que preconiza a OMS [Organização Mundial da Saúde]. Uma maçã tem os mesmos nutrientes que uma porção dessa sopa, que ainda será servida em uma época de calor."
O edital prevê a compra de 750 toneladas de sopa desidratada por mês. O Sábado na Escola está previsto para começar no final de semana.
O TCM (Tribunal de Contas do Município), no entanto, determinou ontem a suspensão do pregão que ocorreria hoje para definir a fornecedora.
Um dos motivos contestados pelo tribunal foi a exigência de que a entrega da sopa, com embalagem personalizada, começasse no dia 15, três dias depois do anúncio do resultado.
O TCM avaliou que a condição só poderia ser atendida por alguém que já tivesse pronta toda a infra-estrutura para distribuição, algo que abriria margem para direcionamento.

R$ 46 milhões
O TCM também considerou que a prefeitura precisa explicar a razão para a contratação de um único fornecedor do programa. Empresas menores alegam que apenas as grandes do segmento teriam condições de entregar a quantidade exigida.
A Nestlé atualmente mantém contrato com a prefeitura para a distribuição de leite nas escolas, tendo pronta sua estrutura logística de entrega.
Tanto a multinacional como a gestão Kassab não quiseram se pronunciar ontem.
O valor total do contrato para a compra da sopa não foi informado pela prefeitura. Só na semana passada, Kassab destinou R$ 46 milhões ao programa.
A prefeitura também atendeu a outro apelo da Nestlé: a inclusão de pimenta na sopa com carne, que é produzida pela multinacional.
A liberação foi considerada "estranha" pela Pink Alimentos, uma das concorrentes da licitação. Em quase quatro décadas fornecendo merenda escolar no país, a empresa afirma desconhecer outros casos de inclusão do produto.
Nutricionistas consultadas pela Folha também disseram que a pimenta não agrega nenhum valor nutritivo à sopa.
Na sua solicitação para alteração do edital de compra da sopa, a Nestlé alegou que a redução dos componentes permitiria a participação na licitação dos maiores fabricantes do setor, que costumam trabalhar com menor proporção dos referidos nutrientes. Sugeriu, dessa forma, uma formulação mais próxima dos produtos vendidos por ela no varejo.
A Secretaria de Gestão, em resposta à solicitação da empresa, acata a sugestão "a fim de possibilitar a participação do maior número de participantes na licitação", conforme ata obtida pela reportagem.
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Olha, se eu fosse o André, não voltava da Europa não...

9 de setembro de 2007

Inscrições abertas

Tem até "Team Builders"...



(Observem a bandeira que aparece em uma das imagens no segundo 54. Emocionante.)

Antes que alguém ache que eu perdi meu tempo fazendo essa montagem, o negócio é sério e tem até site: http://www.canossahk.edu.hk/

7 de setembro de 2007

Não, não... eu que tô errada

Acordei cedo hoje porque tinha que trabalhar. Antes de sair de casa, liguei a TV no "Bom Dia, Brasil", que mostrou flashs ao vivo de três lugares distintos: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Nos três, a mesma coisa: a saída para o feriadão estava um verdadeiro inferno, com megacongestionamentos.

De noite, vejo o SPTV, que mostra uma família que saiu da capital às 9h30. Cinco horas mais tarde, eles estavam começando a descer a serra. Nem me surpreendi, já que por volta das 8 da manhã, quando eu passei perto da Imigrantes, até a saída de Diadema estava congestionada.

Perdoem-me os leitores que se meteram nesta enrascada, mas é muito retardamento mental perder o feriado desta maneira. O que o povo tem na cabeça? Titica de galinha? Pegam fila na hora de ir trabalhar, de voltar do trabalho, na hora de pedir comida no almoço, no final de semana no shopping... e na folga, todos enfrentam um puta trânsito para sair da cidade.

Chegando ao destino, enfrentam um tempão da fila até para comprar um pão, aguentando gente mal educada (é, geralmente nessas ocasiões a educação também tira folga...). Tudo isso para fazer um percurso que, em um final de semana comum, você demora pouco mais de uma hora. Tsc, tsc, tsc.

Depois, quando eu digo que às vezes trabalho de final de semana e feriado e tiro minha folga em dia útil, muitas dessas pessoas ainda me olham com cara de espanto: "Nossa, como você aguenta?". Então, tá.

2 de setembro de 2007

Decepções

Qual seria o resultado de um jogo decisivo entre a seleção feminina de vôlei e a seleção masculina de basquete?

Eu aposto na primeira partida da história onde ambos os times perderiam!

**Eu posso estar louca, mas juro que acho os dois times bons. Mas psicológos até que seriam úteis...

25 de agosto de 2007

Post levemente psicopata

Se tem uma coisa que realmente me deixa irritada é a falta de companherismo. Trata-se de um tipo de atitude diferente de ser filho da puta com alguém. A falta de companherismo acontece quando aquela pessoa que teve a oportunidade de te ajudar não o fez porque não quis se mexer minimamente. Era uma coisa que dava bem pouco trabalho, mas ela estava pouco se fodendo com a possibilidade de te dar uma mão.

Geralmente a falta de companherismo acontece justamente quando alguém tem uma bela chance de subir bastante no seu conceito - e são as pequenas coisas que tem esse poder. Por exemplo: não querer esperar cinco minutos para você tirar xerox de uma folha que lhe era necessária ou fazer cara de tacho quando você descobre que lhe faltam cinco reais para comprar aquele item tão desejado.

Pode até ser bom dar um empurrão para baixo nessa gente que não fez a menor questão em te ajudar, mas para mim a melhor vingança mesmo é conseguir dar o troco sem a pessoa perceber, fazendo com que ela ainda conte contigo. Traduzindo: ter uma pitada de "O Poderoso Chefão": você fica ferrado com a pessoa, mas vira o jogo de tal forma que, quando ela precisar, vai correr atrás de você - e aí a escolha será sua se ajuda ou não. É deste modo que eu procuro agir.

Sei que a maioria dos meus amigos não devem mais estar querendo manter amizade comigo depois de ler o que eu escrevi acima. Mas a verdade é que dificilmente eu consigo ser filha da puta de verdade com algulma pessoa. Quando algo provocado por alguém me deixa com raiva, eu xingo até a décima geração, além de bolar as vinganças mais sujas, dolorosas e cruéis para o infeliz.

Mas dificilmente deixo isso transparecer para a pessoa. E depois de me distrair com qualquer outra coisa, dormir, etc., sempre penso que de repente o(a) cretino(a) nem é tão cretino(a). Tento entender o que fez tal pessoa agir daquela forma e não raro chego à conclusão de que talvez eu teria feito o mesmo: ou seja, no fundo, fui eu quem não consegui levar a situação da maneira adequada.

Mas, claro, como eu tenho que saciar meu ímpeto vingativo, vou devolver a falta de companherismo no momento adequado. Hipoteticamente falando, é como você lembrar que tem em casa aquele livro que ela tanto precisa, mas nem falar nada porque não faz a menor questão de gastar alguns minutos procurando, coisa que você faria por um amigo. Só se ela pedir - e aí você terá a chance de escolher se fala a verdade ("Tenho o livro e te empresto") ou não -, você PODE até se esforçar.

Sou contra ser filho da puta com alguém, porque é sempre melhor fazer com que ela se arrependa de não ter dado aquela mínima força. "Puxa, ela é tão legal que da próxima vez, vou fazer de tudo para agradá-la": este é o pensamento que deve-se ter em mente.

Também considero que são poucas as pessoas que eu odeio de verdade e, portanto, não estou nem aí se no futuro ela vai pensar em me ajudar. E, apesar de desejar eu própria jogá-las no mármore do inferno para vê-las arderem, evito o confronto. Não porque eu sou uma pessoa de alma superior e ignoro meus inimigos, mas sim porque sou cagona e, assim como seu Jaiminho do Chaves, "prefiro evitar a fadiga".

19 de agosto de 2007

Blue Star Blue (in memorian)

Eu sou o horror de qualquer companhia de telefonia celular: além de ter um plano pré-pago, uso o mínimo possível e fico puta da vida quando tenho que colocar créditos novamente - especialmente porque acho uma palhaçada o fato de seu dinheiro ter validade no celular (por algum acaso o seu banco te obriga a gastar seu saldo até o determinado mês?).


O maior marco desse meu despreendimento pela telefonia celular, porém, era o aparelho. Sim, porque em plena era da tecnologia avançada e cada vez menos durável eu consegui ficar quase sete anos com o mesmo celular. Acho que mais um pouco e a Anatel iria me dar um prêmio.

O "Blue Star Blue" (não sei porque a Flávia Mococa o chamava assim) já estava pré-histórico e nem o Roberto Seresteiro tinha ainda algo tão antigo. Mas eu só o troquei porque ele começou a desligar e ligar sozinho (medo), ouvia-se muito baixa a voz a pessoa do outro lado da linha e a bateria descarregava rápido. Estava quase impossível de usar. Duram nada essas coisas de hoje em dia.

Cedi e até abri um pouco o bolso (à la Canossa, que fique bem claro): ao invés de comprar o mais barato, comprei o segundo ou o terceiro desta lista de pobres. Se bem que não vejo o menor sentido em gastar 1500 dinheiros em um aparelho que faz pior tudo o que eu meu computador faz. E só não sai da bosta da Vivo porque senão teria que trocar o número e eles roubariam meus parcos créditos da mesma maneira que fizeram com os meus nove reais há uns dois meses, quando perdi o prazo da recarga em três dias e eles vieram com a cara de pau de dizer que isso era padrão. Filhos duma égua.

Rápido comentário off-topic: Alguém aí ficou sabendo que no sábado à noite um famoso senador da República foi baleado na Consolação?

Rápido comentário off-topic II: O Jaqueline Sports Arena, templo paulistano dos melhores duelos da história mundial de "Imagem e Ação", está distriibuindo gratuitamente esfihas de carne do Habib's.


(Última homenagem para o finado Motorola C210, também conhecido como "Blue Star Blue")


15 de agosto de 2007

Você percebe que mora longe quando....

- As pessoas te olham com cara de espanto no momento em que você diz aonde fica sua casa;

- Tem todo um arsenal (tocador de MP3, revista, jornal, livro...) para se distrair no trajeto de locomoção;

- Qualquer possibilidade de sair com a maioria dos seus amigos para algum lugar perto da sua casa é veementemente rechaçada;

- Decide numa boa esperar mais de dez minutos para pegar o ônibus e assim ir sentada;

- Se resolve ir de pé mesmo, chega com pernas doendo;

- Um dos caminhos para chegar até sua casa passa por uma estrada;

- Caso não possua carro, precisa sempre dormir na casa de um amigo quando vai para uma balada ou qualquer envento que rompa a barreira das 22 horas;

- Na maioria das vezes sai de casa pelo menos uma hora antes dos compromissos. E acha isso normal;

- Dorme sem o menor problema dentro do transporte coletivo porque sabe que a possibilidade de deixar seu ponto passar durante a soneca é mínima;

- Vai fazer um curso (no caso, na USP) e demora 2h20 para chegar em casa no primeiro dia. Tenta outra alternativa e demora 2h30 no segundo dia. Na terceira oportunidade, com trânsito menos pesado, demora 2h25 (e nota que a sua outra opção está chegando no mesmo horário).

10 de agosto de 2007

Pânico

Que o plantão da TV Globo e sua musiquinha apavorante deixam muita gente assustada não é segredo para ninguém. Em mim, por exemplo, aquela melodia provoca tremedeiras instântaneas e me faz sair correndo de qualquer lugar para diante de uma TV com o objetivo de acompanhar ao vivo última grande desgraça do mundo ou ver quem foi a última personalidade a bater as botas.

Na verdade, faz tempo que eu não vejo um plantão. Tenho a impressão de que, no sentido de preservar a integridade cardíaca de seus telespectadores, a Globo diminuiu um pouco o uso deste recurso. Mas o plantão já está tão colado no imaginário popular como sinônimo de morte que provoca reações inacreditáveis nas pessoas.

Por exemplo: na casa da minha avó, o telefone fica posicionado de forma que você não consegue ver a TV, mas ouve muito bem o áudio do aparelho. Certa vez, dona Margarida falava com minha mãe ao telefone, com a televisão ligada. Conversavam sobre assuntos do dia-a-dia, nada demais. De repente, toca aquela sinfonia do apocalipse.

Minha avó (desesperada):

- AI, MEU DEUS! PLANTÃO!

Sem nem pensar, desliga o telefone na cara da minha mãe, quase derruba tudo o que encontrou pelo caminho e sai correndo para frente da televisão.

Cinco minutos depois, mais calma, minha avó liga de volta:

- Ah (quase que decepcionada), morreu um homem aí que eu nem sei quem é...

A vítima da vez havia sido o escritor mineiro Fernando Sabino. Imaginem se ela soubesse que era...

7 de agosto de 2007

No mundo da "elite branca de São Paulo"

Convocada para cobrir os dois últimos eventos do Athina Onassis Internacional Horse Show, evento de hipismo que sacudiu os endinherados da cidade, adentrei neste final de semana no maravilhoso mundo da, como diria Cláudio Lembo (lembra dele?), "elite branca de São Paulo".

Nada poderia ser mais burguês: 10 milhões de reais para equipar a nada capitalista Sociedade Hípica de São Paulo, cavalos que valem a minha vida e a de todos os leitores deste blog (juntas), mulheres cheias de botox, muita (mas muita) chapinha, stands vendendo carrões de luxo, haras, selas que valem um ano do meu trabalho, etc, etc... tinha até uma mini loja da Daslu, que de tão cheia até me lembrou a C&A - com a diferença de algumas centenas de reais para cima nos preços.

Independentemente de tudo isto, meu objetivo principal (além de escrever matérias sobre a competição, claro) era poder ver a própria Athina pessoalmente e convidá-la para tomar uma sopa de feijão lá em casa, de forma que eu pudesse me gabar até o final dos tempos de ter visto em uma só pessoa todo o dinheiro que eu jamais poderei imaginar. Ah sim, também queria ter a oportunidade de desfrutar de um tratamento à imprensa ao melhor estilo "boa comida e excelente bebida".

Pois bem, no sábado apenas ouvi comentário de que não sei quem havia conseguido uma foto desta mocinha antisocial. No domingo, porém, assim que coloquei o meu pézinho postulante a chique na Hípica, visualizei uma mulher loira rodeada por câmeras. Infelizmente não era a herdeira do clã Onassis: tive que me contentar em ver a Ana Hickman e desfrutar de refrigerante, água e café "de grátis" - porque comida para o homo imprensius nem pensar.

Mas o pior estava por vir: além de eu não conseguir as entrevistas exclusivas que eu estava planejando, Deus resolveu tirar um sarro com a minha cara. Primeiro, um cara muito, mas muito, extremamente feio resolveu me xavecar. Sério, não é sacanagem minha: o cara era digno de entrar naquele site, o uglypeople.com . De qualquer forma, consegui controlar a situação perante a pessoa mais feia que eu já vi em toda a minha vida. Era o fundo do poço.

Passada a entrevista coletiva, resolvi sair da sala de imprensa. Lá estavam esperando por autógrafos do Doda, um grupo de meninos por volta de seus 11, 12 anos de idade com a chatice digna de pré-adolescentes mimados da elite branca de São Paulo. Um deles me abordou e seguiu-se o diálogo abaixo:

Ele: Ow, você não que conhecer meu amigo? (apontando para um molequinho de uns 11 anos com cara de pirralho)

*** Modo moral no fundo do poço, embaixo de dez metros de cocô on***

Eu: Que isso? Olha o tamanho dele...

Outros amiguinhos: Aeeeeee (tirando um sarro do molequinho)

Ele: Aff, e olha o SEU tamanho!

*** Modo moral no fundo do poço, embaixo de vinte metros de cocô on***

Eu: É, mas pelo menos eu já saí das fraldas!

Outros amiguinhos: Aeeeeee (tirando um sarro do molequinho)

Antes de me trancar pelo resto da eternidade em um quarto isolado e escuro, ainda consegui pensar um “Tomanuku” para esses filhinhos-da-elite-branca-que-depois-crescem-e-espancam-domésticas-no -ponto-de-ônibus.