7 de outubro de 2007

Luciano Huck está errado?

O novo hit da blogosfera brasileira é tirar sarro do artigo que o Luciano Huck escreveu para a Folha de São Paulo depois de ser assaltado. A primeira vez que tive contato com o texto foi na terça-feira de manhã durante a aula do Carlos Costa. Sem causar surpresa a ninguém, ele usou sua indefectível ironia para esculhambar o que estava escrito.

Alguns trechos realmente merecem ser zoados, especialmente aqueles em que uma certa falta de modéstia fica evidente, tais como “manchete do “Jornal Nacional”, “homenagem póstuma no caderno de cultura” (!) e “multidão bastante triste”. Falta de modéstia sempre deve ser ironizada.

Mas depois, observando boa parte dos comentários (clique aqui para ver alguns) encontrados por aí acerca do caso, muitos bastante parecidos com o glorioso professor daquela faculdade da Avenida Paulista, é possível se questionar: quem consegue ser mais babaca: as pessoas que ironizam o desabafo de um cidadão só porque ele é rico e faz sucesso ou o cidadão que desabafa, reclama, mas não dá queixa na polícia? Definitivamente, em minha opinião, é o primeiro caso. E olha que eu não vou nem entrar no mérito de analisar o pouco que conheço da vida/atitudes dos citados, porque senão vira covardia.

Luciano Huck é rico e bem-nascido? É. E só por isso ele não tem o direito de querer viver em um lugar melhor? Por algum acaso, ele é o responsável pela desigualdade social do país? Pode até ser, afinal não sei se ele paga impostos em dia ou cumpre outros deveres de cidadão. O fato é que até agora nada foi provado contra ele ou sua família neste sentido (não que eu saiba, mas se alguém souber, o espaço está aberto). Logo, bem ou mal, devemos partir do princípio que todo o dinheiro que ele usufrui foi ganho honestamente. Algo errado?

É triste ver que algumas pessoas praticamente comemoraram a desgraça alheia só porque o Huck é rico. Se o dinheiro dele veio através de um programa que muitos acham ruim, sorte do Luciano. Ninguém é obrigado a estar sintonizado na Globo sábado à tarde. Alguns comentários no link aberto acima chegam ao absurdo de falar: “se andas com um rolex em plena SP, de carro conversível e não sabe o porquê de ter sido assaltado...Ah, vá para a Suécia!”. Ok, então vamos nos conformar em viver no meio de uma guerra civil. Fácil isso.

Outro veio com um discurso demagogo: “E não é responsabilidade do Luciano Huck "alimentar uma família numerosa uns 2 anos" com o valor do rolex que ele perdeu, a não ser a dele próprio”. Ora, que bom para ele, se conseguiu ter dinheiro honestamente para comprar um Rolex. Não é porque não passamos fome que temos que abrir mão de pequenos luxos que trabalhamos para conquistar. E isso inclui até mesmo aquele chocolate que comemos de sobremesa. Ou algum destes que discursam deixam de tomar refrigerante para comprar um cacho de bananas para uma família pobre?

Mais uma vez repito: até onde eu sei (e se for mentira o espaço está novamente aberto), o Huck tem uma ONG que ajuda meninos carentes. Melhor do que muita gente que só fica por aí xingando a “burguesia”, seja lá o que for isso, e não faz nada além de “protestar”. Muitos destes, aliás, chegam a ter vida financeiramente melhor do que aqueles a quem criticam. Claro que tem muito rico e gente da classe média que é filho da puta. Mas também tem muito pobre que não vale nada. O contrário também é verdade. Dividir o caráter de acordo com o seu patrimônio é de uma ignorância estarrecedora. Tem gente, porém, que parece não entender isso.

5 de outubro de 2007

A desculpa perfeita

Depois de uma semana absolutamente cansativa e estressante, daquelas que você considera largar tudo para passar o resto da vida criando galinhas em um lugar perdido de Minas Gerais, a resposta que você estava precisando na sua vida vem através de um destes pedintes de ônibus (tróleibus, no meu caso).

Desta vez, ele sequer esperou o ônibus sair, começou o discurso quando os passageiros ainda estavam terminando de entrar.

- Dá licença, pessoal. É que eu sou pai de família e estou doente. Me ajudem, porque o médico me proibiu de trabalhar para não virar câncer. Ele me prometeu que eu vou ficar bom.

Trata-se do novo mantra que rege a minha vida. Sempre que eu tiver algo chato para fazer, vou alegar que o médico me proibiu de trabalhar para não virar câncer. Se for o caso, substituirei o verbo "trabalhar" por "estudar", "aguentar fulano", "me esforçar", etc.

28 de setembro de 2007

Revolução tupiniquim

Conversando com amigos esta semana, chegamos à conclusão do que provocaria uma verdadeira revolução no Brasil. Imaginem só o que aconteceria se hoje, sexta-feira, o Gilberto Braga resolvesse dar um final à la Kafka* para "Paraíso Tropical". Ou seja: se ele simplesmente acaba com a novela sem dar explicações de quem, como e por que a Taís morreu, sob a justificativa de querer representar "as angústias do homem moderno".

Certeza que ele seria expulso do país, depois de intensos panelaços e confrontos pelas ruas de todas as cidades desta nação. A propósito, também vou dar o meu palpite no tema de maior relevância nacional este mês: a assassina é a Bebel. Minha mãe discorda e tem uma teoria para lá de bizarra, que envolve o Claúdio, o Ivan e a namorada dele, que seriam meio-irmãos e tinham o desejo de se vingar de todas as humilhações sofridas por causa dos pais pobretões. Ou algo assim.

Veremos, veremos...

Atualizado: Errei o meu palpite, mas este foi o melhor final de novela dos últimos anos. Queimei a minha língua quando, há alguns meses, disse que esse folhetim seria um lixo.

*A minha noção mínima sobre o Kafka se deve às aulas fodásticas do Welington.

26 de setembro de 2007

Edição extraordinária das pataquadas do Pan

Acabou de piscar no meu e-mail:

SENADO FEDERAL HOMENAGEIA ORGANIZADORES DOS JOGOS PAN-AMERICANOS E PARAPAN-AMERICANOS RIO 2007

Sob a alegação de que estava resolvendo compromissos em uma pizzaria, Renan não apareceu. Lula, claro, se justificou dizendo que não sabia do compromisso. Uma pena porque se os dois estivessem lá, seria um ótimo momento para o Bin Laden derrubar aquelas duas torres de Brasília.

(E não é que as pataquadas do Pan voltaram antes de Guadalaraja-2011?)

25 de setembro de 2007

Forçando soluções

Quando eu fico com sono, fico sem noção e começo a falar/escrever um monte de baboseira. Então, para evitar fazer isso no meu trabalho, usarei este espaço.

Estou com uma dor estranha nas costas. Parece que o meu algo está apertando o meu pulmão. Alguém disse para eu procurar um médico, mas estou com preguiça.

Afinal, se fosse algo sério, não há mais tempo hábil para fazer nada. Digo isso baseada na teoria que os médicos dizem que quando você sente é porque o negócio já está desenvolvido. Admitindo-se a hipótese de eu morrer a esta altura do campeonato, só digo que vou chegar do outro lado bem puta da vida.

Por que? Porque agora que eu já aguentei um monte de professor tosco (por amor às minhas notas, somente darei nome aos bois em outra oportunidade, no final do ano), já me esforcei pra caramba no estágio, estou terminando o TCC não vou poder curtir os frutos de tudo isso? Nem que "os frutos" sejam ficar em casa sem fazer nada?

Ah não. Deus que não resolva me levar. Porque se levar, só de sacanagem eu vou puxar o pé de todos os leitores deste blog à noite. Sim, isto é uma forma de forçar todos a dar alguma dica sobre como resolver dor muscular nas costas causada por dormir na posição incorreta, a real causa do meu incômodo.

19 de setembro de 2007

Sorriso Colgate


Esta semana, os veículos das Organizações Globo fizeram o maior auê quanto à exigência, por parte da Guarda Civil Municipal do Rio de Janeiro, de que os candidatos a entrar na corporação tivessem, no mínimo, 20 dentes. Falou-se em preconceito, em discriminação, em arbitrariedade, etc... mas, na contramão do senso comum, eu apóio totalmente a exigência do concurso.

Antes que me chamem de elite branca ou de nazista, vamos aos fatos. É certo que boa parte da população nacional, incluindo aí aqueles que se propõem a tentar um emprego que paga cerca de 500 reais/mês, não tem condições de ir ao dentista. Daí, entretanto, a usar este argumento para justificar o fato de você deixar de apodrecer seus dentes (e olha que isso leva um tempo considerável) a ponto de perdê-los, é puro relaxamento.

Não tem nem dinheiro para comprar creme dental? Nao tem problema. A pasta não é um complemento útil, mas nem tão necessário assim. Isso é questão de se cuidar: e se um guarda é incapaz de cuidar minimamente dele próprio, o que me faria acreditar que ele irá zelar pela minha segurança? Você teria a mesma confiança em um guarda com dentes limpos e outros com os seus poucos dentes estragando?

Além disso, a GM-Rio se justificou de forma perfeita: "A exigência mínima de 20 dentes para cada candidato busca preservar a saúde e a imagem de um profissional que atua em contato direto com a comunidade, inclusive nas escolas municipais onde exemplos à saúde devem ser incentivados".

Para finalizar, qualquer profissional de saúde sabe que o velho ditado "A saúde começa pela boca" é verdadeira. Problemas no dente e na boca podem prejudicar seriamente o resto do físico. É clássico o caso que o redimento dos jogadores da seleção brasileira às vésperas da Copa de 19858 melhorou depois que todos passaram por tratamento ondotológico (fonte: livro "Estrela Solitária, de Ruy Castro). O Ronaldo Fenômeno é outro caso que quase teve sua carreira seriamente prejudicada pelo mesmo motivo (mais detalhes, clique aqui). Deu no que deu...

Demagogia pouca é bobagem.

15 de setembro de 2007

Menino mau

Eu tenho um priminho que com quatro anos já apresenta, digamos, certos traços psicopatas. Além de ser estressadinho (apesar de não ter porte físico para ser agressivo), ele já soltou pérolas como:

"Eu vou matar você e João Pedro e jogar lá na roça"
(Para a própria mãe e irmão mais novo)

"Veneno"
(Para mim, depois que perguntei o que ele estava tomando naquela garrafa)

Mas o auge aconteceu mesmo dia desses. Querendo agradar, a vó dele perguntou:

- Marcelo, você quer que eu coloque a janta para você?
- Não!
- Mas, Marcelo... você não quer comer?
- Não. Come você. E come de garfo que é para furar a sua língua!

Amo esse menino.

12 de setembro de 2007

Vergonha (ou, é tudo armação da mídia golpista)

Definitivamente, como diria a minha avó, estamos em um mato sem cachorro. O que é pior: as seis abstenções que, se fosse convertidas em votos contra o Renan era suficientes para cassá-lo? Ou os 40 senadores, de diversos partidos (situação e oposição) que aproveitaram-se do sigilo para defenderem os seus próprios interesses?

Renan Calheiros é absolvido pelo Senado

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Tão nojenta são essas empresas que posam de boazinhas, mas na prática...

Da Folha de S.Paulo, 12/09/2007

Nestlé pede, e Kassab reduz carne em sopa

Por solicitação da Nestlé, que queria participar de licitação, Prefeitura de São Paulo piorou a qualidade nutricional do alimento

Nutricionistas haviam previsto 7 kg de carne a cada 100 kg de sopa; com a mudança, administração passou a exigir só 0,5 kg

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
ALENCAR IZIDORO
DA REPORTAGEM LOCAL

A pedido da Nestlé, a Prefeitura de São Paulo decidiu reduzir a qualidade nutricional da sopa que pretende distribuir em um programa que irá reunir pais e alunos aos sábados nas escolas e creches municipais.
A gestão Gilberto Kassab (DEM) diminuiu a quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa depois de um apelo feito pela multinacional durante uma consulta pública para a compra do produto.
A previsão das nutricionistas do município era que uma das sopas tivesse 7 kg de carne, 2 kg de cenoura e 3 kg de "outras" hortaliças (por 100 kg de sopa desidratada a ser distribuída).
Com a mudança feita diante da manifestação da Nestlé, a mesma sopa deverá ter só 0,5 kg de carne, 0,8 kg de cenoura e 1 kg de "outras" hortaliças.
A redução na quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa é condenada pela presidente da Associação Brasileira de Nutrição, Andrea Galante, que também contesta a escolha desse alimento para ser distribuído nas escolas municipais.
"Baixar a quantidade de verduras e hortaliças vai contra aquilo que preconiza a OMS [Organização Mundial da Saúde]. Uma maçã tem os mesmos nutrientes que uma porção dessa sopa, que ainda será servida em uma época de calor."
O edital prevê a compra de 750 toneladas de sopa desidratada por mês. O Sábado na Escola está previsto para começar no final de semana.
O TCM (Tribunal de Contas do Município), no entanto, determinou ontem a suspensão do pregão que ocorreria hoje para definir a fornecedora.
Um dos motivos contestados pelo tribunal foi a exigência de que a entrega da sopa, com embalagem personalizada, começasse no dia 15, três dias depois do anúncio do resultado.
O TCM avaliou que a condição só poderia ser atendida por alguém que já tivesse pronta toda a infra-estrutura para distribuição, algo que abriria margem para direcionamento.

R$ 46 milhões
O TCM também considerou que a prefeitura precisa explicar a razão para a contratação de um único fornecedor do programa. Empresas menores alegam que apenas as grandes do segmento teriam condições de entregar a quantidade exigida.
A Nestlé atualmente mantém contrato com a prefeitura para a distribuição de leite nas escolas, tendo pronta sua estrutura logística de entrega.
Tanto a multinacional como a gestão Kassab não quiseram se pronunciar ontem.
O valor total do contrato para a compra da sopa não foi informado pela prefeitura. Só na semana passada, Kassab destinou R$ 46 milhões ao programa.
A prefeitura também atendeu a outro apelo da Nestlé: a inclusão de pimenta na sopa com carne, que é produzida pela multinacional.
A liberação foi considerada "estranha" pela Pink Alimentos, uma das concorrentes da licitação. Em quase quatro décadas fornecendo merenda escolar no país, a empresa afirma desconhecer outros casos de inclusão do produto.
Nutricionistas consultadas pela Folha também disseram que a pimenta não agrega nenhum valor nutritivo à sopa.
Na sua solicitação para alteração do edital de compra da sopa, a Nestlé alegou que a redução dos componentes permitiria a participação na licitação dos maiores fabricantes do setor, que costumam trabalhar com menor proporção dos referidos nutrientes. Sugeriu, dessa forma, uma formulação mais próxima dos produtos vendidos por ela no varejo.
A Secretaria de Gestão, em resposta à solicitação da empresa, acata a sugestão "a fim de possibilitar a participação do maior número de participantes na licitação", conforme ata obtida pela reportagem.
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Olha, se eu fosse o André, não voltava da Europa não...

9 de setembro de 2007

Inscrições abertas

Tem até "Team Builders"...



(Observem a bandeira que aparece em uma das imagens no segundo 54. Emocionante.)

Antes que alguém ache que eu perdi meu tempo fazendo essa montagem, o negócio é sério e tem até site: http://www.canossahk.edu.hk/

7 de setembro de 2007

Não, não... eu que tô errada

Acordei cedo hoje porque tinha que trabalhar. Antes de sair de casa, liguei a TV no "Bom Dia, Brasil", que mostrou flashs ao vivo de três lugares distintos: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Nos três, a mesma coisa: a saída para o feriadão estava um verdadeiro inferno, com megacongestionamentos.

De noite, vejo o SPTV, que mostra uma família que saiu da capital às 9h30. Cinco horas mais tarde, eles estavam começando a descer a serra. Nem me surpreendi, já que por volta das 8 da manhã, quando eu passei perto da Imigrantes, até a saída de Diadema estava congestionada.

Perdoem-me os leitores que se meteram nesta enrascada, mas é muito retardamento mental perder o feriado desta maneira. O que o povo tem na cabeça? Titica de galinha? Pegam fila na hora de ir trabalhar, de voltar do trabalho, na hora de pedir comida no almoço, no final de semana no shopping... e na folga, todos enfrentam um puta trânsito para sair da cidade.

Chegando ao destino, enfrentam um tempão da fila até para comprar um pão, aguentando gente mal educada (é, geralmente nessas ocasiões a educação também tira folga...). Tudo isso para fazer um percurso que, em um final de semana comum, você demora pouco mais de uma hora. Tsc, tsc, tsc.

Depois, quando eu digo que às vezes trabalho de final de semana e feriado e tiro minha folga em dia útil, muitas dessas pessoas ainda me olham com cara de espanto: "Nossa, como você aguenta?". Então, tá.

2 de setembro de 2007

Decepções

Qual seria o resultado de um jogo decisivo entre a seleção feminina de vôlei e a seleção masculina de basquete?

Eu aposto na primeira partida da história onde ambos os times perderiam!

**Eu posso estar louca, mas juro que acho os dois times bons. Mas psicológos até que seriam úteis...

25 de agosto de 2007

Post levemente psicopata

Se tem uma coisa que realmente me deixa irritada é a falta de companherismo. Trata-se de um tipo de atitude diferente de ser filho da puta com alguém. A falta de companherismo acontece quando aquela pessoa que teve a oportunidade de te ajudar não o fez porque não quis se mexer minimamente. Era uma coisa que dava bem pouco trabalho, mas ela estava pouco se fodendo com a possibilidade de te dar uma mão.

Geralmente a falta de companherismo acontece justamente quando alguém tem uma bela chance de subir bastante no seu conceito - e são as pequenas coisas que tem esse poder. Por exemplo: não querer esperar cinco minutos para você tirar xerox de uma folha que lhe era necessária ou fazer cara de tacho quando você descobre que lhe faltam cinco reais para comprar aquele item tão desejado.

Pode até ser bom dar um empurrão para baixo nessa gente que não fez a menor questão em te ajudar, mas para mim a melhor vingança mesmo é conseguir dar o troco sem a pessoa perceber, fazendo com que ela ainda conte contigo. Traduzindo: ter uma pitada de "O Poderoso Chefão": você fica ferrado com a pessoa, mas vira o jogo de tal forma que, quando ela precisar, vai correr atrás de você - e aí a escolha será sua se ajuda ou não. É deste modo que eu procuro agir.

Sei que a maioria dos meus amigos não devem mais estar querendo manter amizade comigo depois de ler o que eu escrevi acima. Mas a verdade é que dificilmente eu consigo ser filha da puta de verdade com algulma pessoa. Quando algo provocado por alguém me deixa com raiva, eu xingo até a décima geração, além de bolar as vinganças mais sujas, dolorosas e cruéis para o infeliz.

Mas dificilmente deixo isso transparecer para a pessoa. E depois de me distrair com qualquer outra coisa, dormir, etc., sempre penso que de repente o(a) cretino(a) nem é tão cretino(a). Tento entender o que fez tal pessoa agir daquela forma e não raro chego à conclusão de que talvez eu teria feito o mesmo: ou seja, no fundo, fui eu quem não consegui levar a situação da maneira adequada.

Mas, claro, como eu tenho que saciar meu ímpeto vingativo, vou devolver a falta de companherismo no momento adequado. Hipoteticamente falando, é como você lembrar que tem em casa aquele livro que ela tanto precisa, mas nem falar nada porque não faz a menor questão de gastar alguns minutos procurando, coisa que você faria por um amigo. Só se ela pedir - e aí você terá a chance de escolher se fala a verdade ("Tenho o livro e te empresto") ou não -, você PODE até se esforçar.

Sou contra ser filho da puta com alguém, porque é sempre melhor fazer com que ela se arrependa de não ter dado aquela mínima força. "Puxa, ela é tão legal que da próxima vez, vou fazer de tudo para agradá-la": este é o pensamento que deve-se ter em mente.

Também considero que são poucas as pessoas que eu odeio de verdade e, portanto, não estou nem aí se no futuro ela vai pensar em me ajudar. E, apesar de desejar eu própria jogá-las no mármore do inferno para vê-las arderem, evito o confronto. Não porque eu sou uma pessoa de alma superior e ignoro meus inimigos, mas sim porque sou cagona e, assim como seu Jaiminho do Chaves, "prefiro evitar a fadiga".

19 de agosto de 2007

Blue Star Blue (in memorian)

Eu sou o horror de qualquer companhia de telefonia celular: além de ter um plano pré-pago, uso o mínimo possível e fico puta da vida quando tenho que colocar créditos novamente - especialmente porque acho uma palhaçada o fato de seu dinheiro ter validade no celular (por algum acaso o seu banco te obriga a gastar seu saldo até o determinado mês?).


O maior marco desse meu despreendimento pela telefonia celular, porém, era o aparelho. Sim, porque em plena era da tecnologia avançada e cada vez menos durável eu consegui ficar quase sete anos com o mesmo celular. Acho que mais um pouco e a Anatel iria me dar um prêmio.

O "Blue Star Blue" (não sei porque a Flávia Mococa o chamava assim) já estava pré-histórico e nem o Roberto Seresteiro tinha ainda algo tão antigo. Mas eu só o troquei porque ele começou a desligar e ligar sozinho (medo), ouvia-se muito baixa a voz a pessoa do outro lado da linha e a bateria descarregava rápido. Estava quase impossível de usar. Duram nada essas coisas de hoje em dia.

Cedi e até abri um pouco o bolso (à la Canossa, que fique bem claro): ao invés de comprar o mais barato, comprei o segundo ou o terceiro desta lista de pobres. Se bem que não vejo o menor sentido em gastar 1500 dinheiros em um aparelho que faz pior tudo o que eu meu computador faz. E só não sai da bosta da Vivo porque senão teria que trocar o número e eles roubariam meus parcos créditos da mesma maneira que fizeram com os meus nove reais há uns dois meses, quando perdi o prazo da recarga em três dias e eles vieram com a cara de pau de dizer que isso era padrão. Filhos duma égua.

Rápido comentário off-topic: Alguém aí ficou sabendo que no sábado à noite um famoso senador da República foi baleado na Consolação?

Rápido comentário off-topic II: O Jaqueline Sports Arena, templo paulistano dos melhores duelos da história mundial de "Imagem e Ação", está distriibuindo gratuitamente esfihas de carne do Habib's.


(Última homenagem para o finado Motorola C210, também conhecido como "Blue Star Blue")


15 de agosto de 2007

Você percebe que mora longe quando....

- As pessoas te olham com cara de espanto no momento em que você diz aonde fica sua casa;

- Tem todo um arsenal (tocador de MP3, revista, jornal, livro...) para se distrair no trajeto de locomoção;

- Qualquer possibilidade de sair com a maioria dos seus amigos para algum lugar perto da sua casa é veementemente rechaçada;

- Decide numa boa esperar mais de dez minutos para pegar o ônibus e assim ir sentada;

- Se resolve ir de pé mesmo, chega com pernas doendo;

- Um dos caminhos para chegar até sua casa passa por uma estrada;

- Caso não possua carro, precisa sempre dormir na casa de um amigo quando vai para uma balada ou qualquer envento que rompa a barreira das 22 horas;

- Na maioria das vezes sai de casa pelo menos uma hora antes dos compromissos. E acha isso normal;

- Dorme sem o menor problema dentro do transporte coletivo porque sabe que a possibilidade de deixar seu ponto passar durante a soneca é mínima;

- Vai fazer um curso (no caso, na USP) e demora 2h20 para chegar em casa no primeiro dia. Tenta outra alternativa e demora 2h30 no segundo dia. Na terceira oportunidade, com trânsito menos pesado, demora 2h25 (e nota que a sua outra opção está chegando no mesmo horário).

10 de agosto de 2007

Pânico

Que o plantão da TV Globo e sua musiquinha apavorante deixam muita gente assustada não é segredo para ninguém. Em mim, por exemplo, aquela melodia provoca tremedeiras instântaneas e me faz sair correndo de qualquer lugar para diante de uma TV com o objetivo de acompanhar ao vivo última grande desgraça do mundo ou ver quem foi a última personalidade a bater as botas.

Na verdade, faz tempo que eu não vejo um plantão. Tenho a impressão de que, no sentido de preservar a integridade cardíaca de seus telespectadores, a Globo diminuiu um pouco o uso deste recurso. Mas o plantão já está tão colado no imaginário popular como sinônimo de morte que provoca reações inacreditáveis nas pessoas.

Por exemplo: na casa da minha avó, o telefone fica posicionado de forma que você não consegue ver a TV, mas ouve muito bem o áudio do aparelho. Certa vez, dona Margarida falava com minha mãe ao telefone, com a televisão ligada. Conversavam sobre assuntos do dia-a-dia, nada demais. De repente, toca aquela sinfonia do apocalipse.

Minha avó (desesperada):

- AI, MEU DEUS! PLANTÃO!

Sem nem pensar, desliga o telefone na cara da minha mãe, quase derruba tudo o que encontrou pelo caminho e sai correndo para frente da televisão.

Cinco minutos depois, mais calma, minha avó liga de volta:

- Ah (quase que decepcionada), morreu um homem aí que eu nem sei quem é...

A vítima da vez havia sido o escritor mineiro Fernando Sabino. Imaginem se ela soubesse que era...

7 de agosto de 2007

No mundo da "elite branca de São Paulo"

Convocada para cobrir os dois últimos eventos do Athina Onassis Internacional Horse Show, evento de hipismo que sacudiu os endinherados da cidade, adentrei neste final de semana no maravilhoso mundo da, como diria Cláudio Lembo (lembra dele?), "elite branca de São Paulo".

Nada poderia ser mais burguês: 10 milhões de reais para equipar a nada capitalista Sociedade Hípica de São Paulo, cavalos que valem a minha vida e a de todos os leitores deste blog (juntas), mulheres cheias de botox, muita (mas muita) chapinha, stands vendendo carrões de luxo, haras, selas que valem um ano do meu trabalho, etc, etc... tinha até uma mini loja da Daslu, que de tão cheia até me lembrou a C&A - com a diferença de algumas centenas de reais para cima nos preços.

Independentemente de tudo isto, meu objetivo principal (além de escrever matérias sobre a competição, claro) era poder ver a própria Athina pessoalmente e convidá-la para tomar uma sopa de feijão lá em casa, de forma que eu pudesse me gabar até o final dos tempos de ter visto em uma só pessoa todo o dinheiro que eu jamais poderei imaginar. Ah sim, também queria ter a oportunidade de desfrutar de um tratamento à imprensa ao melhor estilo "boa comida e excelente bebida".

Pois bem, no sábado apenas ouvi comentário de que não sei quem havia conseguido uma foto desta mocinha antisocial. No domingo, porém, assim que coloquei o meu pézinho postulante a chique na Hípica, visualizei uma mulher loira rodeada por câmeras. Infelizmente não era a herdeira do clã Onassis: tive que me contentar em ver a Ana Hickman e desfrutar de refrigerante, água e café "de grátis" - porque comida para o homo imprensius nem pensar.

Mas o pior estava por vir: além de eu não conseguir as entrevistas exclusivas que eu estava planejando, Deus resolveu tirar um sarro com a minha cara. Primeiro, um cara muito, mas muito, extremamente feio resolveu me xavecar. Sério, não é sacanagem minha: o cara era digno de entrar naquele site, o uglypeople.com . De qualquer forma, consegui controlar a situação perante a pessoa mais feia que eu já vi em toda a minha vida. Era o fundo do poço.

Passada a entrevista coletiva, resolvi sair da sala de imprensa. Lá estavam esperando por autógrafos do Doda, um grupo de meninos por volta de seus 11, 12 anos de idade com a chatice digna de pré-adolescentes mimados da elite branca de São Paulo. Um deles me abordou e seguiu-se o diálogo abaixo:

Ele: Ow, você não que conhecer meu amigo? (apontando para um molequinho de uns 11 anos com cara de pirralho)

*** Modo moral no fundo do poço, embaixo de dez metros de cocô on***

Eu: Que isso? Olha o tamanho dele...

Outros amiguinhos: Aeeeeee (tirando um sarro do molequinho)

Ele: Aff, e olha o SEU tamanho!

*** Modo moral no fundo do poço, embaixo de vinte metros de cocô on***

Eu: É, mas pelo menos eu já saí das fraldas!

Outros amiguinhos: Aeeeeee (tirando um sarro do molequinho)

Antes de me trancar pelo resto da eternidade em um quarto isolado e escuro, ainda consegui pensar um “Tomanuku” para esses filhinhos-da-elite-branca-que-depois-crescem-e-espancam-domésticas-no -ponto-de-ônibus.

1 de agosto de 2007

E a população de fo.. de novo!

Pela 214ª vez este ano, o Sindicato dos Metroviários anunciou greve. É claro que os trabalhadores têm que lutar pelo seu direito, ainda mais em um país contaminado pelo conformismo, mas na minha opinião este caso já estourou os limites da palhaçada. Uma hora é greve por causa de aumento de salários, outra por participação nos lucros atrasada, depois porque a Emenda 3 vai ser aprovada, aí chega a vez de parar porque Marte não está em conjunção com Saturno ou então porque o William Bonner usou gravata vermelha....

Não conheço o Metrô por dentro, sequer tenho um metroviário no meu círculo de conhecidos. Mas até que ponto é válido prejudicar 2 milhões de passageiros diretamente e uma cidade inteira indiretamente? Não votei no Serra e a minha intenção aqui não é defender o governo do PSDB (muito menos do PT - aliás, como vi outro dia no Orkut, está cada vez mais difícil votar e não se arrepender). Mas será que não existe medidas no Judiciário para fazer o governo estadual cumprir o que deve (se é que não o cumpre)?

Engraçado que os metroviários dizem estar defendendo os direitos dos trabalhadores, mas não pensam, por exemplo, na faxineira que sai de Itaquera e precisa trabalhar nos Jardins, no estudante que vai fazer uma entrevista de emprego, no atendente de telemarketing que bate ponto no centro da cidade, no tiozinho que tem consulta marcada no Hospital das Clínicas há dois meses. Engraçado que o grande número de greves coincida com a gestão de José Serra. Então no tempo no Alckmin tudo era uma beleza? Ou então tudo ficou ruim em um passe de mágica? Quem sabe ainda os metroviários ficaram politizados de um dia para o outro...

Engraçado que cada hora o motivo da greve é diferente: por que não fazer uma paralisação colocando tudo isso em pauta? Será mesmo que o Metrô é uma empresa tão maquiavélica assim?

Pode ser puramente uma impressão, mas sempre que vejo um destes líderes do sindicado na TV, eles me parecem puramente interessados em usar de refém a população e os próprios funcionários da companhia, iludidos por qualquer discursinho de uma falsa esquerda (aliás, isso é uma constante no país, vide reeleição do Lula) que só quer defender os seus privilégios, da mesma forma que faz parte daqueles que eles próprios criticam.

Se greve é o único jeito de o governo ouvir as reivindicações dos trabalhadores por que é raro ver outras categorias de funcionários públicos entrarem em greve com tanta frequência? Conformismo ou fala de disposição em fazer politicagem barata?

E a população se fo.. de novo! Bem diz a minha mãe: o seu direito termina onde começa o meu.

* Sempre admirei o Metrô, para mim, uma das melhores coisas de São Paulo (apesar de uma série de defeitos, como o alto perço da passagem)

29 de julho de 2007

As últimas pataquadas do Rio 2007

(Mario Vasquez Raña, presidente da Odepa. Também conhecido como mistura de Cláudio Arantes, Carlos Costa e Seo Barriga/Crédito: EFE)

("Viva essa energia" on)

Para tristeza deste blog, encerrou-se neste domingo os Jogos Pan-americanos. Agora teremos que torcer pela insanidade do Comitê Olimpíco Internacional, de forma o Rio de Janeiro receber as Olimpíadas de 2016 e eu poder observar tão de perto tantas pataquadas ao mesmo tempo.

Mas, antes de começar a cantar "Boa Noite Vizinhaça" ("Prometeeermos despedirmos sem dizer adeeeuuuus jamais/ Pois haveremos de reunirmos, muitas veeeeeezzzzeeeeeeeeeeeeeeees mais"), já de olho no Pan do México, vamos às últimas pataquadas do Pan 2007:

Medalha de ouro: Roubo até o final
O Pan acabou e eu ainda não me conformo com o fato de o Brasil ser o único país do mundo que aceita ser roubado em casa. Além dos dois absurdos do judô, tivemos que aturar a desclassificação estranha dos representantes nacionais na classe hobie cat 16 da vela. Só fica uma pergunta: se o barco deles estava errado, por que passou na inspeção da organização?Outra coisa: por que a desclassificação veio logo depois que foi confirmado a medalha de ouro deles e não durante o campeonato? É o Brasil-il-il!

Medalha de prata: Fernanda Abreu e "Me dá um dinheiro aí"
De duas uma: ou eu surtei durante a festa de encerramento do Pan ou eu ouvi os organizadores tirarem um sarro da nossa cara durante o evento, colocando a Fernanda Abreu (socorro!) para cantar: "Ei, você aí, me dá um dinheiro aí!". Pensando bem, resume bem o que foi a organização do Rio 2007.

Aliás, ainda sobre a festa de encerramento, sensacional o pessoal no Maracanã de novo falar "Oiiiiiiiii" para o presidente da Odepa. E de novo a vaia para o Lula (in memorian, no caso). Ponto alto do Pan, sem dúvida.

Medalha de bronze: A final que não houve
Essa já era de se esperar: falta de organização + brejo + tempo cagado no Rio de Janeiro = uma final que não aconteceu!

E ainda dizem que este foi o melhor Pan da história. Ou não.

Menções honrosas entre as pataquadas para o caiaque brasileiro que literalmente virou (sinal?), para o Vanderlei Cordeiro de Lima, que fica semanas treinando na Colômbia, elogia o Lula, mas não foi brasileiro, desistiu e sequer completou a maratona no Rio, para o chileno Adrian Garcia, que conseguiu tomar virada do Saretta (!) na final do tênis, para o André Domingos, que com a vitória brasileira no revezamento 4x100m deu um berro ("aaaaaahhhhhhhhh") não exatamente másculo ao vivo na SporTv e, claro, para a (quase) deserção em massa (ou não) de Cuba.

Agradeço também ao André pela folha de sufite com os dizeres "EU JÁ SABIA!", que ainda será bastante utilizada com o desporto tupiniquim...

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O Canossa no Pan volta em 2011, torcendo pela presença de Roberto Bolaños e professorinha Helena (o mesmo não se aplica à Thalia e aos Rebeldes) na festa de abertura do Pan de Guadalajara, que promete ser o mais brega da história. Arriba!

E, claro, apoiando a idéia de Rafael Lusitano, vamos trabalhar por Governador Valadares-2019 (que será precurssor de São Bernardo-2027)!

("Viva essa energia" off)

28 de julho de 2007

A minha pataquada (Pan, dia XV)

Foi com um pouco de choro e ranger de dentes, mas a seleção de vôlei conseguiu passar pela Venezuela. Digamos que o Bernardinho quase caiu na pegadinha do Navajas, o que ia pegar muito mal para ele depois do corte do Ricardinho. Enfim termina com chave de ouro (pegou o trocadilho? Hã, hã?) uma sexta-feira bastante vitoriosa para o Brasil. Eu quase me senti uma americana hoje dado o grande número de vitórias.

Fiquei bastante feliz por duas delas: a da ginástica rítmica (uma beleza de apresentação) e a da canoagem. A segunda eu explico: há pouco tempo fiz uma reportagem (com direito a "passeio" de barco pela Billings com retorno no meio da neblina) com a seleção brasileira e vi como os meninos batalham forte, junto com os técnicos Pedro Sena e Ákos Angyal, além de serem gente boa. Merecidíssimas as medalhas.

Mas é claro que não faltaram as pataquadas, uma delas protagonizada por mim. Por isso, em uma votação democrática feita comigo mesmo, resolvi me dar a medalha de ouro neste antepenúltimo dia de Pan. Uh-hu!

Medalha de ouro: O feitiço virou contra o feiticeiro
Era a final do boxe, entre o brasileiro e o norte-americano campeão mundial. De cara, o nosso glorioso deportista tupiniquim começa a encher o ianque de pancada. Faz 4 a 1. Ao meu lado na redação, Henrique comenta algo do tipo: "Olha, o Brasil vai ganhar ouro no boxe!". Respondo, na ânsia pela pataquada do dia: "Aposto com você como o americano vai virar no último round".

A luta segue, com o brasileiro sempre à frente. De repente, como se eu fosse a própria Mãe Dinah, minha previsão começa a se concretizar: o norte-americano reage e vai tirando a vantagem do representante verde-amarelo. Faltando mais ou menos um minuto para acabar a luta, ele vira o placar: 6 a 5! Não tenho a menor dúvida: arranco uma folha do meu bloquinho, escrevo em letras grandes "EU JÁ SABIA!" e começo, de maneira fanfarrona, a andar pela redação.

Mas eu não contava com a astúcia do brasileiro: uns 15 segundos antes de se encerrar a luta, ele vai pra cima do rival igual um louco e acerta dois golpes. Ou seja: vira o placar para 7 a 6. E sou obrigada a engolir o ouro legítimo de nosso glorioso esportista que "é brasileiro e não desiste nunca". Como diria Kléber Bambam: faz parte...

Medalha de prata: Viva o Co-Rio!
Claro que depois de mudar o horário da semifinal do vôlei masculino umas três vezes (tem que esperar "Paraíso Tropical" acabar) isso iria acontecer: gente que comprou ingressos pela Internet logo no primeiro dia de vendas (atrasada, diga-se de passagem) para o jogo do Brasil descobriu que na verdade tinha a entrada para ver Cuba contra Estados Unidos.

Traduzindo: o Co-Rio lesou o consumidor que comprou antes seu ingresso e pagou para estar no Maracanãzinho. E quem ainda tentou protestar tomou spray de pimenta da cara da, digamos, enérgica Força Nacional. A solução foi enfiar um monte de gente para ver o jogo de qualquer jeito dentro no ginásio. Além disso, existe a suspeita que alguns ingressos foram clonados.

Fica a questão: será que é tão difícil deixar claro desde o primeiro momento que, se o Brasil passar para a semifinal, independente da posição no grupo, o jogo seria às 22 horas? Não vou discutir os interesses da TV, até porque com ela o patrocínio aparece mais e é disso que vive o esporte. Mas um pouco de competência não faz mal a ninguém. Principalmente àqueles que querem abrigar uma Olimpíada.

Medalha de bronze: o glorioso tênis nacional
está até chato e repetitivo descer a lenha nos tenistas do Brasil, mas são eles que se superam. Este trecho da GE diz tudo:

"Os tenistas brasileiros estão fora das semifinais do torneio masculino de duplas dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Poucas horas depois de garantir presença na decisão do torneio de simples, Flávio Saretta voltou à quadra ao lado de Marcos Daniel para enfrentar os dominicanos Victor Estrella e Jhonson Garcia, que acabaram levando a melhor: 2 sets a 1, parciais de 1/6, 6/3 e 11/9.

A virada dos representantes da República Dominicana foi espetacular. Além de terem de superar a pressão da torcida e o peso de ter perdido o primeiro set com apenas um game, os visitantes perdiam o super tie-break (que chega a 10) por 9 a 5 e conseguiram ganhar seis pontos seguidos para fechar o jogo"

Bom, pelo menos neste sábado o Saretta pode limpar um pouco a barra dos tenistas destas terras. Ou não.

Atualizado: Menção honrosissíma deste Pan (trecho retirado do blog do Felipe Held)

"Vacilo: De uns anos para cá, a ESPN Brasil vem dando um show de jornalismo esportivo, apesar de não ter nem de perto a verba e a influência que a Globosat, do Sportv. Às vezes há algumas derrapadas, e uma delas aconteceu há alguns instante. O Pedro Lima conseguiu a primeira medalha pan-americana de ouro do boxe brasileiro dos últimos 44 anos. Logo depois, o pugilista apareceu na redação da emissora instalada na Vila do Pan. Depois das perguntas de praxe, o Dudu Monsanto uma surpresa para o grande campeão: "A sua namorada Jacigleide (!) está na linha, Peu, o que você tem a falar para ela?". Começou. Peu e a gloriosa Dinha (ah, se não fossem os apelidos!) trocaram juras de amor. O auge foi quando o medalhista disse "Meu amor, nada vai mudar entre a gente depois dessa medalha. Você sabe onde eu tenho aquela tatuagem pra você, naquele lugar que eu não posso mostrar na tevê". Ai, Jesus!"

Atualizado II: Menção honrosissíma como "a melhor frase do Pan"
Durante a tarde desta sexta, a Sportv estava passando uma prova qualquer de atletismo e o brasileiro tinha cada vez menos chances de medalha. Aí, o narrador Milton Leite faz a pergunta para o André Domingos, aquele ex-corredor que não se destaca exatamente pela sua masculinidade:

- André, será que o fulano de tal ainda tem chances de medalha?

E o comentárista com uma voz que não se destacou exatamente pela masculinidade:

- Ai, no final, todos os gatos são pardos!

27 de julho de 2007

Marta é ídolo! (Pan, dia XIV)

Se teve um jogo no Pan onde eu gostaria de estar nas arquibancas torcendo para o Brasil foi nesta quinta, no futebol feminino. Tratava-de da oportunidade ideal para eu conhecer o Maracanã: um jogo histórico (pelo menos para as menians era, apesar de o Pan não ser lá grande coisa), com estádio lotado, transmissão ao vivo em três TVs, uma bela goleada sobre as maiores rivais e um show da estrela do time. Nem o Galvão Bueno e o Noronha estavam tão ruins...e ainda teve a fantástica presença do Beijoqueiro!

Quem, há um mês atrás, imaginava um Maracanã lotado e com torcida empolgada para futebol entre mulheres (que, sejamos honestos, estão muito longe de serem bonitas)?. Posso estar entrando no campo do saudosismo, mas vendo pela TV imaginei que o clima no estádio ontem devia ser o mesmo dos tempos em que a seleção brasileira não tinha jogadores babacas que depois de passar dois anos em Portugal voltam falando com o sotaque de lá.

Infelizmente, o problema do futebol feminino no Brasil é ser dirigido pela mesma confederação dos homens. Sem nem entrar no mérito da competência e honestidade da CBF, mas só o simples fato de o futebol masculino ter uma dimensão imcomparável com qualquer outra modalidade no mundo é motivo para as mulheres serem administradas por outra entidade. Bom, eu aposto que as jogadoras da seleção brasileira serão lembradas até Pequim-2008, que já estão bem perto... depois, cairão mais uma vez no limbo do esquecimento. Que ao menos aproveitem para arrumar um bom contrato com um clube do exterior.

Apesar disso, não desisto da minha campanha para o Palmeiras contratar a Marta! Ela é melhor que muito marmanjo por aí...

Vamos às pataquadas desta quinta-feira, o primeiro dia provavelmente da história da humanidade em que o Brasil superou Cuba em um quadro de medalhas. Pedala, Fidel!

Medalha de ouro: Baloubet, a revanche!
Quem acompanha esporte não se esquecerá jamais da maldita refugada do cavalo do Rodrigo Pessoa, o Baloubet du Rouet, nas Olimpíadas de Sidney. Era a última chance de o Brasil conquistar uma mísera medalha de ouro na competição, o brasileiro era favorito, mas ... o pangaré simplesmente resolveu que não iria pular um obstáculo, protagonizando uma das maiores pataquadas do deporto verde-amarelo.

Pois bem, passado o trauma, vivemos uma situação parecida no Pan do Rio: a equipe brasileira é favorita a ganhar uma medalha na prova de hipismo. O time está indo bem, mas ontem, o cavalo de César Almeida, deniminado Singular Joter II, também refugou em um dos últimos obstáculos. Bom, pelo menos o resultado pôde ser descartado e o prejuízo não foi tão grande assim...

Também merece menção honrosa o nome do cavalo do Bernardo Alves: Chupa Chup 2 (!) e o fato da coitada da amazona das Bermudas ou Bahamas, sei lá, ter que correr atrás de seu cavalo revoltado que, além de a ter derrubado, continuou a trotar no percurso...

Medalha de prata: Marcos Daniel e o tênis brasileiro masculino
Em um torneio como o do Pan, composto quase que só por amadores ou atleta mal ranqueado, o tênis nacional ainda consegue fazer feio. Dos três atletas do Brasil, apenas um, Flávio Saretta chegou às semifinais. E claro que não podia faltar a amarelada da modalidade: o gaúcho Marcos Daniel (que quem diria, um dia foi possuído por espíritos e chegou a jogar de igual para igual com o Federer) precisava vencer apenas um game (tinha 1 a 0 no jogo e 5 a 3 na segunda etapa) para eliminar o
argentino Eduardo Schwank (quem?) e conseguiu perder o jogo. Lamentável.

Medalha de bronze: barrigada nos saltos ornamentais
Ontem eu pude ver o que aconteceria se eu disputasse uma prova de saltos ornamentais. Cotado para ficar com uma medalha, o canadense Reuben Ross fez um salto bizarro e deu a famosa "barrigada" na piscina do Maria Lenk. Sensacional. Resultado? Tomou zero de todos os juízes e foi o único eliminado na fase classificatória.

E só porque estou boazinha hoje também vou citar a bonita atitude da torcida que acompanhava as provas da ginástica rítmica nesta quinta. Líder da classificação geral, a canadense
Alexandra Orlando ia muito bem na disputa individual geral, sendo bastante superior às adversárias. O problema é que na prova das fitas seu aparelho quebrou e ela tomou zero de todos os juízes. O público então aplaudiu a garota e pediu uma nova chance, mas como o regulamento não permite isso, ela foi eliminada mesmo.


26 de julho de 2007

O famoso "jeitinho" canadense (Pan, dia XII e XIII)

Essa quase passou despercebida (pelo menos eu só vi na ESPN Brasil) e por isso ganha ouro dentre as pataquadas. Uma das poucas coisas que estava faltando acontecer neste Pan era fraude por parte de atletas. Mas veja bem: estava. E veio justamente de onde o nosso preconceito menos esperava: dos educados e "honestíssimos" canadenses.

Na prova de esgrima do pentato moderno, não é que descobriram que a equipe do Canadá estava usando uma espada fora das especificações? O esquema dos caras era muito simples: um dia antes da prova, quando é feita a inspeção, estava tudo ok com o equipamento. Só que nas 24 horas seguintes entrava em ação o famoso "jeitinho canadense" e a espada era adulterada de tal forma a pontuar sem ter efetivamente tocado no adversário.

Percebendo a facilidade dos rivais (assim até eu...), os brasileiros protestaram. E ainda tiveram que ouvir dos caras que estava tudo bem, que era o equipamento usado para a marcação de pontos que estava errado. Então a organização fez um teste muito simples: trocou a espada por uma considerada normal. E não é que os caras perderam? Feio, muito feio. O Canadá ainda foi punido, mas não o suficiente para tirar o bronze de Joshua Riker-Fox na prova.

Medalha de prata: o glorioso basquete brasileiro

Na maior rivalidade outrosesportianas, tenho minha clara preferência: entre basquete e vôlei sou mais a segunda opção, o que já rendeu grandes embates na redação da GE, onde eu, Marta e Rafael chegamos à conclusão de que todo esporte é coisa de viado. Mas isso fica para outro dia, porque o momento é de malhar o basquete.

Vou me limitar só às seleções porque se começar a falar dos clubes vira covardia. Primeiro, as mulheres, que conseguiram proporcionar outra grande amarelada para o Brasil no Pan. Como pode um time, na despedida de seu ídolo em casa, liderar o jogo praticamente inteiro em uma final de torneio internacional e tomar uma piaba de adolescentes norte-americanas (praticamente o time F dos Estados Unidos) no último quarto?

Tenho a leve impressão de que a seleção feminina agiu de acordo com a lógica do meu primo Hugo: "Ué, se o Brasil ganhou três quartos e os Estados Unidos venceu um, o Brasil ganhou o jogo...". Infelizmente faltou avisar o juiz. E eu nem quero ver o que vai ser daqui para frente sem a Janeth, uma pessoa do esporte que eu admirava. Bom, pelo menos o Barbosa, que ocupava o cargo desde 1916 (mas estava de licença para o Miguel Ângelo da Luz nos dois maiores momentos do time (título mundial de 94 e prata olímpica de 96)), também foi embora...

Claro, e eu não vou nem comentar o fato de o time masculino ter vencido as poderosas Ilhas Virgens (outra grande fonte de piadas infames do Pan) por apenas cinco pontos de diferença. Tudo bem que os caras da NBA não jogaram, mas tomar sufoco de um país com 108 mil habitantes não dá...

Medalha de bronze: mais uma dos hermanos...

Tudo bem que a seleção brasileira masculina de hóquei sobre a grama marcou apenas um gol no Pan e tomou 57. Mas o que isso importa quando a favorita Argentina também amarela e perde a final em um dos poucos esportes que tinha tudo para ganhar o ouro? E o pior: nos pênaltis. Pior ainda: com um erro do melhor jogador do time, que já tinha feito um montes de gols desta maneira. Já está ficando até enjoativo dizer isso, mas... CHUPA, Argentina!

Pataquadas honrosas para os boxeadores brasileiro, que conseguiu perder cinco semifinais ontem e teve que ouvir do Popó, que faltou inteligência (eufemismo detected) - pausa para manifestar minha solidariedade ao Emanuel, que na incubência de fazer a cobertura da modalidade neste fatídico dia usu todas as formas possíveis de se comunicar uma derrota. Também merece citação o torneio de softbol do Pan, que por conta das belas instalações está batendo o recorde de partidas possíveis a se realizar em um dia, para os saltos ornamentais brasileiro, que treinam separados uma prova sincronizada (!), o "descontrole" da Juliana Veloso e, óbvio, os cerca de 98 minutos no qual o Brasil ficou à frente de Cuba no quadro de medalhas. Te cuida, Fidel!

24 de julho de 2007

Esporte de macho! (Pan, dia X e XI)

Marcos, seja bem-vindo. Jaque, também fiquei muito triste pelo Canto (mas o lado bom é que agora ele aparece toda hora na TV porque as pessoas vão querer saber como ele está se recuperando). Yu, prometo que semana que vem essa overdose de esporte acaba. Fábio, mesmo sem o Ricardinho, eu duvido que o vôlei perca o ouro.

Uma das coisas mais legais do esporte é a rivalidade. Exatamente por isso, eu não sou 100% a favor do fair play - claro que eu não estou defendendo racismo em campo e nem que idiotas se matem nas estações do metrô de São Paulo porque um usa camisa verde e o outro preta. Mas que é divertido ver jogos altamente competitivos, repletos de provocações, decisões polêmicas da arbitragem, torcida xingando e nervos à flor da pele que não raramente culiminam em briga, ah isso é...

Enfim, esporte de macho. Nada de aceitar a derrota e dizer que o adversário foi melhor. Neste ponto, eu admiro muito os argentinos e cubanos - e no Pan, os cariocas. Há quem diga que o povo do Rio é mal educado por vaiar os adversários do Brasil. Eu não acho. Exceto em casos de mostram superação pessoal (caso de contusões), vaias dão mais um toque ao espetáculo. O que você prefere: declarações políticas como "temos que respeitar o adversário e seguir as ordens do professor" ou "se não fosse o idiota deste técnico a gente acabava com eles"? Pelo fim do esporte politicamente correto!

Por isso, a medalha de ouro e de prata das últimas pataquadas tem o apoio deste blog. O ponto mais alto do pódio fica com o barraco do judô, que contou com a presença de um pugilista aposentado, a descontrolada Regla Torres e o pacífico Aurélio Miguel. Tudo por causa de um novo roubo de arbitragem contra o Brasil na modalidade. Já bem diz aquele ditado: "Juiz ladrão, porrada é solução".

Em segundo lugar fica o barraco do handebol que contou com esta inacreditável declaração de um "hermano": "Ele (o jogador do Brasil) provocou o tempo inteiro e ainda mostrou a língua quando vez o último gol". HAHAHAHAHAHA. Faltou chamar a mamãe... :-D.

O bronze dentre as pataquadas das últimas horas vai para a zona no campo de softbol, onde o vento revirou tudo e obrigou o adiamento da primeira rodada. Então, peraí: a organização gasta cerca de 5 milhões nesta sede e ninguém é capaz de prever o Rio de Janeiro não está livre de vendavais esta época? Ah, tá. Sem contar o piso zuado do futsal e duas coisas que vi com atraso: a arregada master da americana do vôlei de praia (que fala mal e depois nega) e a poluição que quase matou a Poliana Okimoto.

22 de julho de 2007

Ai, o futebol.... (Pan, dia VIII e IX)

E não é que apenas dois dias da final do vôlei feminino, a seleção de futebol sub-17 me faz uma pataquada digna de levar o ouro nos Jogos Pan-americanos? Tudo bem que eles são moleques e tal, mas já ganham bons salários (acima de 90% dos atletas deste Pan, tenha certeza absoluta) e mostram a mesma arrogância que seus colegas mais velhos. Bem feito.

Perder de quatro do Equador (e ainda foi pouco) não dá. Agora, temos uma semifinal, no mínimo, bizonha neste Pan: Bolívia x Equador e Jamaica x México. Com o detalhe de que o México ficou com a última vaga...

A prata dentre as pataquadas vai para o boxeador brasileiro Davi Souza, que em sua estréia no Pan, estava vencendo o peruano Carlos Zambrano por 5 a 2 na metade do combate. Aí, recuou e passou a fugir do adversário, sem sucesso, até que tomou o golpe do empate no ÚLTIMO segundo. Os juízes, então, agiram com justiça e deram a vitória para quem teve mais iniciativa: o peruano, claro. Nervoso com a própria pipocada, Souza ainda soltou a possibilidade de levar a vaga no tapetão, mas o Brasil desistiu logo em seguida. Tsc, tsc, tsc...

O bronze, por sua vez, fica com a polêmica em torno do corte do Ricardinho e a desculpinha dada pela CBV ("Ele estava cansado"). Pessoalmente eu sou fã do levantador, mas conheço a fama que ele tem de ser um tanto quanto estressado. Anyway, acho que isso não é motivo para afastar o cara do time até porque fiz o desembarque da seleção na terça-feira e o Ricardinho foi - como sempre - extremamente atencioso e parecia superempolgado com Pan. Por outro lado, o Bernardinho também é um cara supercompetente. Que há muita coisa estranha nesta história, há... e só espero que isso não afete o desempenho do time.

Também merecem ser citados o "choro" do México no hipismo, a quase despercebida polêmica na natação, o sarro do Fidel Castro em cima do Zé Roberto e o tênis feminino brasileiro (mas nem no Pan esse povo vai pra frente?). E, para não dizerem que eu só corneto, meus singelos parabéns para a Edinanci Silva (Uhu, Edinaci!), Juliana e Larissa, Thiago Pereira (voltei a torcer para ele depois que esqueceram a dona Rose), a "excelente" transmissão do basquete feminino com o trio parada dura (Galvão, Hortência e Oscar), seleção feminina de handebol, especialmente, claro, a Chana, uma das pessoas que mais deve ter ouvido trocadilhos infames no universo por causo do nome.

19 de julho de 2007

De novo (ou "A maior das pataquadas" - Pan, dia VII)

(Flávio Florido/UOL)

Ainda bem que eu estava de folga hoje. Foi tenso, muito tenso. Precisaria me esforçar muito para conseguir escrever o relato do jogo. Aos poucos, o filme da semifinal das Olimpíadas de Atenas e da decisão do Mundial foram voltando à minha mente. Nunca tive plena confiança neste time, mas estava sim bastante otimista para a final do vôlei feminino no Pan.

Ao término do jogo, o sentimento foi de raiva, muita raiva. É inacreditável como, pela terceira vez, as brasileiras chegam como favoritas a um torneio, têm a vitória nas mãos e desperdiçam. Passadas algumas horas, com a cabeça já fria, sinto um misto de tristeza com perplexidade. Perder depois de ter SEIS match points? E justo para Cuba?

Pessoalmente, eu já tive a oportunidade de entrevistar quase todas as jogadores, exceto a Walewska, Sheilla e Érika. Gosto da grande maioria e mantenho a minha posição a respeito de que o time brasileiro é superior ao de Cuba, assim como era superior ao da Rússia. Só que, como estamos vendo pela terceira vez, não é só o aspecto técnico que ganha jogo. O emocional também conta muito. Esse é o calcanhar-de-aquiles do time. E vai ser cada vez mais, pois esta terceira derrota inacreditável tem tudo para voltar como um fantasma maior ainda na cabeça das atletas.

Eu também queria apontar culpados (as), mas não achei. A tendência é malhar o técnico José Roberto Guimarães. Porém, não concordo com isso: se alguém não teve culpa nesta derrota foi ele. Armou um time direitinho, dada as condições e o pouco tempo de treino que teve. Deixou quem estava rendendo mais em quadra... claro, agora pensando, lembro que talvez ele pudesse ter tirado uma das centrais para colocar a Thaisa. Só que recordo que a Fabiana conseguiu bons bloqueios e já fez excelentes partidas pela equipe, assim como a Walewska.

Talvez fosse o caso de tirar a Sassá para a entrada da Regiane, mas a Sassá era uma das poucas que conseguia encaixar um bom saque ao lado da Fabiana. Suposições, suposições... que, no fundo, para mim iriam todas desembocar na derrota. Vontade sobrou muita, apesar de o time não apresentar nenhuma liderança nata (Paula e Fabiana seriam dois bons nomes, mas parecem ter receio de assumir essa função). O que faltou foi psicológico. Isso faz com que a equipe não tenha uma jogadora considerada a "bola de segurança". Paula e Sheilla foram bem, mas também perderam lances decisivos. Fofão, coitada, também deu o seu melhor.

Não vou cair na fácil suposição de propor o Bernardinho para ser técnico da seleção feminina. Além de considerar o Zé tão competente quanto ele, acho que o assistente Paulo Coco exerce bem a função de gritar com a equipe. E para quem não se lembra, o próprio Bernardo já fracassou com uma geração tão boa quanto essa. Mesmo com nomes como Fernanda Venturini e Ana Moser, ele por duas vezes parou em uma semifinal olímpica em granes pataquadas do Brasil.

Agora, é esperar que até as Olimpíadas de Pequim esse time finalmente trabalhe a parte psicológica e vença. Mas confesso que, pelas estas três pipocadas, nem sinto mais vontade de torcer pela medalha de ouro. Apesar de saber que, daqui a um ano, vou estar de novo em frente da TV querendo que elas finalmente subam ao lugar que merecem: o ponto mais alto do pódio. Por ora, porém, me arrisco a dizer que a seleção feminina vai levar o ouro na eleição da maior pataquada do Pan.

Rapidamente...

A prata nas pataquadas do dia vai para a o vice do judoca João Gabriel Schlittler. Vi a luta e o brasileiro mereceu muito ganhar o ouro contra o cubano. Mas como a organização teve a competência de escalar um compatriota do rival para ser juiz, deu no que deu...

O bronze fica para o bem organizado torneio de beisebol, disputado em um agradável brejo, e que teve sua disputa de terceiro lugar cancelada por causa do atraso na programação. Ainda bem que tudo vai ser destruído depois, assim como foi feito com o dinheiro de quem paga impostos.

Mesmo com medalhas, as pataquadas continuam (Pan, dia V e VI)

Ainda abatidos pela tragédia, voltemos ao Pan. A propósito, como deixei aí abaixo, vou falar de dois dias em um post só porque a Vivax, omprada recentemente pela Net, resolveu recadastrar seus clientes forçando todos a entrarem em um site que não funcionava direito ao invés de usar outro meio (e você só conseguia acessar o "resto da Internet" depois de deixar seus dados).

E finalmente deslanchamos no quadro de medalhas. Apesar das tradicionais amareladas aqui e ali - não me conformo até agora como a Falavigna perdeu aquele ouro -, (ironia on) estamos colhendo os frutos de um país que investe o esporte e tem tudo para, a longo prazo, incomodar os Estados Unidos no quadro de medalhas (ironia off).

Palmas para quem merece: clubes como Pinheiros, Minas, Sogipa, etc. que se esforçam para manter o alto nível dos "esportes amadores" em tempos que não há nenhuma competição "importante" (leia-se Olimpíadas e Pan) . Também merecem elogios os bons profissionais que fazem um trabalho decente em suas respectivas modalidades, caso da ginástica, natação, vôlei... e, claro, a alguns atletas que se superam em meio a confederações completamente desorganizadas.

Que ninguém, entretanto, se iluda: no Pan de Santo Domingo-2003, ganhamos 122 medalhas (28 de ouro, 40 de prata e 54 de bronze). Um ano depois, nas Olimpíadas de Atenas, este número caiu para dez (quatro de ouro, três de prata e três de bronze).

Agora, vamos às melhores pataquadas dos últimos dois dias:

Medalha de ouro: Apesar de o Thiago Pereira ser um excelente atleta, estou quase começando a torcer contra ele. Isso porque eu aguento mais a Globo entrevistando a dona Rose, a mãe do Thiago. E isso gera uma série de comentários, no mínimo, imbecis. Quando ele ganhou o primeiro ouro, nos 400m medley, a emissora trouxe a mulher para a cabine de imprensa onde estava o Cléber Machado. Visivelmente constrangido, ele acabou fazendo perguntas como: "A senhora estava torcendo para quem na prova?". Depois, já na zona mista, o repórter da Vênus Platinada me fala para um Thiago já apressado porque tinha outra prova em seguida: "A sua mãe disse que você é lindo!". Juro.

Medalha de prata: Para a belíssima e bem feita sede do beisebol. Afinal, o que é uma laminha aqui, uma falta de iluminação ali, um placar que nao funciona acolá... e umas boladas em seis torcedores porque o estádio não tem alambrado de proteção? Aliás, excelente trecho da matéria do UOL: "A estrutura do local (provisória e desmontável) é toda ruim. Já seis pessoas se machucaram com boladas pela falta de um alambrado de proteção. O curioso é que a música-tema do filme "Tubarão" toca no sistema de som do estádio, dando um clima de terror para os espectadores."

Medalha de bronze:
Graças a Deus acabaram as provas da ginástica porque assim não terei que suportar mais os comentários da Andréa João, que até entende do assunto, mas tem uma voz bizonha e é completamente histérica: (modo voz de criança on) "Ppaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrraaaaaaaaaaaaabbbbbbbbbbbééééénnnnnnns, Diego. Isso: você acertou o exercício!"(modo voz de criança off). A mãe dele não faria melhor.

Menções honrosas ainda para a seleção argentina de futebol no Pan, para o ciclismo de pista brasileiro, para o técnico da Natália Falavigna que colocou a culpa da perda (justa) do ouro na arbitragem, para o "aumento" oportunista dos salários do pessoal do taekwondo, o defeito na máquina da fossa olímpica, o cubano desertor que gastou 600 reais para ir de táxi do Rio até São Paulo (pelo menos matou a minha curiosidade de saber quanto custa uma corrida entre as duas cidades) e o hóquei sobre a grama nacional (eu não resisti e fiz até uma nota engraçadinha)

Relaxa e goza, ministra?

Eu sei que muita gente já falou sobre isso, mas não posso deixar de usar este espaço para também deixar o meu recado - mesmo que ninguém se importe com isso.

Apesar da incompetência do governo Lula no setor áereo ter sido mais do que evidenciada pela imprensa, da primeira vez a culpa foi dos controladores de vôo e dos norte-americanos (claro, é sempre bom ter um norte-americano para a gente jogar a culpa de todos os nossos problemas). Agora, eu aposto com quem quiser que a culpa deste novo desastre será do coitado do piloto, que morreu e não terá sequer o direito de se defender. Talvez a mídia também seja culpada, já que só publica notícia ruim. Ou seria a prosperidade do país, Guido Mantega?

O que se vê - de novo -, é cada um tentando "tirar o seu da reta". Por outro lado, também não vou ser hipócrita de só criticar o governo Lula sobre as resposabilidades deste acidente mais que anunciado - mesmo ele tendo muito a responder sobre isso. É fácil falar isso agora, mas por que o governo Fernando Henrique não iniciou a construção de outro aeroporto em São Paulo depois da tragédia com o Fokker 100 da TAM, em 1996? Por que governantes do passado deixaram um cidade inteira crescer ao redor do aeroporto? Por que, assim como acontece quase todo ano no autódromo de Interlagos, gastamos milhões em uma pista mal feita e deixamos tudo por isso mesmo?

As empresas aéreas também têm culpa, já que até a desgraça acontecer, ninguém estava disposto a abrir mão do movimento de Congonhas, o que remete à preguiça das pessoas de uma maneira geral: não foi em apenas uma oportunidade que eu ouvi alguém dizer que "Congonhas é bom porque é central e mais fácil de chegar". Só agora, enquanto choramos nos convencemos que o maior êxito dele é também o seu maior perigo. E ainda temos que lembrar que a tragédia poderia ser bem pior.

Será que mais uma vamos vamos no deixar levar por quem diz que não devemos agir em momentos de comoção? Foi isso o que aconteceu no caso do João Hélio e eu não me surpreenderia em nada se outro menino fosse arrastado pelas ruas amanhã, já que tudo continua igual. Aliás, alguém ainda lembra do João Hélio? Foi apenas mais um em vão, assim como provavelmente serão as vítimas do vôo da TAM. Retratos de um país onde os grandes problemas são tratados com um "relaxa e goza".

PS: Não defendo o fechamento imediato de Congonhas, mas a sua desativação gradual com a construção de outro aeroporto. Interromper as operações lá de uma vez seria um loucura: todo o movimento ficaria para Cumbica e Viracopos, o que nas atuais condições do sistema aéreo verde-amarelo seria criar (mais) condições propícias para outra desgraça.

PS2: Se quiser opiniões muito mais embasadas, leia o blog do Fábio, da Leonor
e do André.

18 de julho de 2007

Aviso

Não atualizei o blog com as pataquadas desta terça porque a Inetrnet em casa resolveu não funcionar. Se a Vivax quiser, a programação volta ao normal na noite desta quarta.

17 de julho de 2007

Psicólogos para o Brasil, please! (Pan, dia IV)

Não tem jeito: entra competição importante, sai competição importante e o Brasil sempre tem pelo menos uma grande amarelada. Como Jade Barbosa, que nesta segunda-feira, estava com a medalha de ouro nas mãos depois de fazer três dos quatro aparelhos na final individual geral da ginástica. Mas caiu na prova final e ficou com o quarto lugar, deixando o pódio para as três norte-americanas...

Sinceramente, eu não acreditava que ela iria levar a premiação mais alta do pódio, até porque as barras assimétricas não são o seu melhor aparelho. Entretanto, pelo menos um bronzezinho era bem possível. O problema é que era visível o estado de nervos da atleta antes da prova decisiva, o que, claro, teve influência no resultado.

Será possível que não existem psicólogos neste país para dar assistências aos atletas? Claro que isso tem muito a ver com o estado no qual o esporte é tratado pelos governos, que querem que resultados excelentes brotem dando 600 reais (atrasados) por mês aos competidores. Mas a seleção de ginástica é um pouco mais organizada e as amareladas também acontecem lá... qual o problema de brasileiro? Por isso, o ouro na pataquada do dia, não adianta chorar, vai para a Jade. Por outro lado, ao que a programação de resultados indica, vamos dar um bom salto no quadro de medalhas nesta terça...desde que não haja um festival de amareladas, claro.

Com a prata entre as pataquadas fica o presidente Lula, que poderia trocar a sua tristeza (ô tadinho, guti, guti...) por trabalho, de forma que bons atletas nacionais tivessem condições de treinar decentemente, o que não houve, por exemplo, no tiro, apesar de todas as expectativas em torno do Rio de Janeiro. :-P. E sobrou até espaço para o bronze, que, atendendo a pedidos de alguns leitores, vai para... Carlos Arthur Nuzman, aquele dirigente que prefere investir em elefantes brancos a dar dinheiro aos atletas.

Para finalizar, apenas mais um trocadilho infame deste Pan: se badminton fosse bom, se chamaria goodminton.

15 de julho de 2007

Meu nome é Zé Pequeno, por-ra! (Pan, dia III)

Olha que ironia: a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro veio com um atleta que é a cara do Zé Pequeno, do filme Cidade de Deus...é só colocar um cabelo rastafari! E o melhor é que a vitória do jogo foi em cima de um peruano, o que proporcionou mais uma série de piadas infames: "Brasil segura Peru para ganhar primeiro ouro". Hã, hã? Pegou o trocadilho?

E a medalha de ouro, dada à pataquada do dia, vai para...
O repórter da Rede Globo, que na transmissão da final do BMX feminino ao vivo no “Esporte Espetacular” chamou o tempo inteiro, a prova de “mountain bike”. Ok, 99% dos pobres mortais não precisa e nem quer saber a diferença entre as duas modalidades do ciclismo, mas a partir do momento que você vai participar da cobertura, o mínimo que se deve fazer é saber o nome da prova.

E, claro, não podemos deixar de mencionar a vitória por 3 a 0 da seleção de futebol na final da Copa América sobre a Argentina. Com certeza uma das motivações dos nossos jogadores para a vitória foi a contundente derrota das meninas do hóquei sobre a grama para as “hermanas” por 21 a 0. A modalidade está vingada. Chupa, Argentina, que também tomou um empate do poderoso Haiti no futebol do Pan!

Ah, a foto de cima é do Marcelo Ferrelli (Gazeta Press)



14 de julho de 2007

As primeiras pataquadas (Pan, dia II)

E finalmente começou o Pan (não, eu não considero aquele jogo no meio da roça e com cara de RockGol como o início do Rio 2007). E com ele as primeiras pataquadas da organização e dos atletas. Vamos às três melhores do dia:


Medalha de ouro: Eu, ganhei?! Como assim?
E a melhor pataquada do dia veio logo de manhã, na prova masculina de maratonas aquáticas. Não é que a toda poderosa Globo e o Co-Ro (no site oficial) anunciaram o venezuelano Ricardo Monastério com o vencedor? Só que quem ficou com o ouro, na verdade, foi o norte-americano Fran Crippen. O atleta da terra do Hugo Chavez foi só o quarto colocado. Como um cara que iria subir ao ponto mais alto do pódio não pega nem medalha? Boa pergunta. Será que o Bush teve que intervir?

Medalha de prata: Gabriel "El Pollo" Mercedes
Trata-se da cena mais engraçada que eu vi em competições nos últimos tempos. O dominicano Gabriel Mercedes tinha uma boa vantagem contra o brasileiro Marcio Wenceslau em uma das finais do taekwondo. Porém, o atleta tupiniquim bravamente foi tirando a vantagem do caribenho até que faltando dez segundos pro fim da luta resolveu partir com tudo para cima do adversário. E não é que Mercedes correu como um "pollo"? Tsc, tsc, tsc..feio, muito feio.

Medalha de bronze: o jogo só acaba quando termina, viu?
Com a experiência de quem ajudou a fazer o conteúdo de um site sobre o Pan, posso afirmar que a Confederação Brasileira de Levantamento de Peso é uma das mais desorganizadas do país. Mesmo assim, tudo caminhava para o esporte ganhar uma medalha de prata. Porém, o verbo ficou no passado mesmo: caminhava. Depois de conseguir uma marca inédita em sua carreira, Aline Campeiro começou a pular em comemoração e acabou rompendo o ligamento do joelho. Consequentemente caiu fora da competição e ficou sem medalha.

Menção honrosa ainda para a bagunça no Morro do Outeiro (sim, um "morro" também é sede do Pan), o cancelamento de jogos de beisebol por causa da iluminação deficiente, a prova do remo que não ia rolar, mas acabou fondo, além da bizarra idéia da assessoria de imprensa do Pan em limitar a quantidade de credenciais para a maratona aquática pegando todos em cima da hora, mas abandonada poucas horas depois. E, claro, não poderia faltar a série de trocadilhos infames provocados pela seleção do Peru. Como diria Tande, no início do jogo da seleção feminina de vôlei: "O Peru vem com uma formação diferente para cima das brasileiras". Ui.



13 de julho de 2007

Sou fã de carioca (Pan, dia I)

(Foto do Pilatos/Gazeta Press)

Esqueçam tudo o que eu já zoei de carioca. Depois do que vi hoje na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-americanos, eu sou fã do povo do Rio de Janeiro. Foi uma das poucas vezes que eu vi a população fazer valer o espírito democrático (Não, não estou falando do show em si, que tenho que reconhecer: foi batuta).

Confesso que fiquei de alma lavada ao ver nosso corrupto e demagogo presidente Lula constrangido ao ser vaiado a cada aparição que fazia no telão instalado no Maracanã. Depois, mais engraçado ainda foi vê-lo ser cortado do discurso de abertura - que tradicionalmente é feito pelo chefe do Estado tanto em Pan quanto em Olimpíadas - por medo da organização de vaias maiores ainda (ou será que ele não conseguiria fazer o discurso em espanhol e inglês?). E olha que ele foi chamado pelo presidente da Odepa, Mario Vasquez Raña e chegou a aparecer na telinha da TV.

Ouvi alguns comentário de que isso foi atitude de "terceiro mundo", que "brasileiro não respeita ninguém", que "como presidente, ele merecia um tratamento melhor", etc, etc. Para quem tem essa opinião, só tenho uma coisa a dizer: quando um governante é bom, ele não recebe vaias. Acho um tanto quanto improvável que as vaias tenham sido armação. Finalmente parte da população brasileira deu uma resposta para um cara que estava se achando mesmo com um país atolado em corrupção em que o povo é conclamado a "relaxar e gozar" por sua ministra.
E viva o Rio de Janeiro!

Ah, e antes que me chamem de "capitalista", "vendida ao sistema", "burguesa", etc, etc, tambám deixo claro que vibrei com as vaias à delegação dos Estados Unidos, da Venezuela e da Bolívia. Mais do que merecidas por todo o papel que estes países têm interpretado nas relações internacionais.

Nota I: Sensacional também a reação do público sempre que o Raña dizia a palavra "Hoy". Ao fundo, ouvia-se um imenso coro: "Ooooooooooooooiiiiiiiii", como se um cumprimento estivesse sendo respondido.

Nota II: Fiquei realmente triste com o corte da Jaqueline, que caiu no antidoping de besteira (assim como a Sharapova, ela também tem celulite). Já tive a oportunidade de conversar com ela que foi bastante gente boa. É uma jogadora de superação, que mesmo tendo passado por duas cirurgias graves no joelho e ter sofrido um problema sério na mão, conseguiu manter um nível suficiente para ser titular na seleção feminina de vôlei.

Semanas atrás tive a oportunidade de fazer uma reportagem sobre a sibutramina, substância que ela utilizou sem querer, e acredito que a versão dela é perfeitamente coerente. Sorte à Regine, que pelo menos na última temporada e nos amistosos antes do Pan, se mostrou perfeitamente apta para estar na seleção. Uma pena que a Renatinha, outra jogadora de quem gosto muito, não tenha sido chamada.



E se você quiser saber o que está por trás do Pan (inclusive seu $$$), visite: www.averdadedopan2007.blogspot.com

4 de julho de 2007

Tarde escatológica

Parece mentira, mas não é. Juro que eu não teria tanta criatividade assim. O fato é que, DE NOVO, eu fui premiada com uma viagem escatológica de ônibus:
Terça-feira, hora do almoço. Eu indo para a Gazeta. Sabe-se-Deus-o-porquê o ônibus não estava passando (e olha que no caso dele a desculpa de trânsito nem cola, porque o corredor é exclusivo). Enfim, isso significa que quando ele chegou, veio com gente saindo até pela janela.

Mas, fazer o quê? Tenho um estágio a zelar e tive que entrar nele mesmo. Posicionei-me ao lado de um banco onde estava uma mulher e seus dois filhos, uma menina de uns sete e um menino de uns quatro anos. Feios. Os três. Não foi por acaso: anos usando a linha me fizeram perceber que mulheres feias com filhos pequenos e feios costumam descer rápido. Logo, eu poderia sentar.

O pensamento estava certo: passaram-se uns dez minutos e eles começaram a pegar as 216 sacolas que levavam dando claros sinais que iam descer. Pensei: "Vou chegar atrasada e terei que ficar mais 30 minutos neste inferno (pausa: viram como eu moro longe? E era só para chegar ao Metrô...) mesmo, mas pelo menos vou sentar! E na janela!".

Faltavam uns 100 metros para o ponto. A mãe já estava de pé e o irmãozinho também, se encaminhando à porta. Eu, posicionando a minha mochila de forma que ninguém pudesse tomar o meu lugar na janela. Quando de repente... a menina tem um acesso de náuseas e vomita no banco. Mais precisamente no chão abaixo do banco. Parece que foi de propósito.

Realmente eu tive mais uma prova de como o meu auto-controle está desenvolvido. Porque faltou pouco para eu pegar a cabeça dela e esfregar em todo aquele líquido amarelo.

3 de julho de 2007

Geração Saúde

Ontem teve teste de flexibilidade na fantástica (e feliz) ginástica laboral da GE. É a segunda vez que passo por isso: no ano passado, acho que atingi - em um esforço sobre humano - uns 15cm. Semanas depois, o resultado apontou que esta seria uma marca muito ruim... mesmo que eu tivesse mais de 69 anos (tenho provas documentais).

O fato é que, mesmo me alimentando pior e dormindo menos que naquela época, eu consegui 21cm desta vez. Uh-hu!
Ah, vou ignorar o fato de que os meus músculos da perna estiveram perto de estourar e a minha patela quase saiu para fora.