2 de fevereiro de 2009

Essas crianças...

Talvez alguém aqui ainda se lembre que eu tenho um priminho meio nervosinho. Pois é, apesar da falta de citações aqui, ele continua aprontando das suas.

Durante os feriados de final de ano, estava todo mundo lá na casa dele, meio sem ter o que fazer. Eis então que ele aprontou algo que eu não sei o que é (e nem vai fazer falta na história!) e tomou uma bronca enorme da mãe.

Ficou então puto da vida e foi sentar com a cara fechadíssima na área atrás da casa, onde já estavam a minha mãe e um tio dele. Os dois então tiveram a boa (?) ideia de mexer com o menino, que estava quieto.

Tio - Ô Marcelo, como é que é o seu nome completo mesmo?

Marcelo - .... (cara mais fechada)

Tio - Como é? É Marcelo Henrique....?

Marcelo - ... (cara mais fechada ainda)

Tio - Nhei? Fala pra gente...

Marcelo (na lata) - Marcelo Henrique fio duma égua!

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Bom, nem é preciso acrescentar que ele tomou outra surra da mãe, que estava perto e ouviu. E nem que o resto da família não conseguiu, naquele momento, colaborar com a boa educação do Marcelo e rolou de rir com a resposta dele.

19 de janeiro de 2009

Yes, we can!

10 de janeiro de 2009

Seu passado sempre vai te condenar

Hoje, no ônibus, um cara conversa com sua amiga/namorada, que por algum acaso estava sentada ao meu lado.

- Está vendo aquele cara ali atrás, de verde?

- Estou sim. Aquele de óculos, né?

- É, esse mesmo. Então... ele estudou comigo quando a gente era pequeno. Só que no meio do ano ele teve que mudar de sala porque fez xixi nas calças e os moleques todos ficaram aloprando.

Moral da história: não importa o quanto você cresça, o quanto você amadureça, o quanto aprenda a controlar seu organismo. Quando você menos esperar, seu passado voltará. Portanto, tomem cuidado.

Fim do momento auto-ajuda.

31 de dezembro de 2008

Cidade Maravilhosa

Duas semanas atrás, no subúrbio do Rio de Janeiro a trabalho.

Entrevistado: Blá, blá, blá, blá... então (apontando para a janela do apartamento), porque esse morro aí atrás é 90% tranqüilo.

Só então reparo que através da referida janela é possível visualizar uma favela comunidade quando se olha para cima

Eu (pensando): Puxa, mas que que tem? Não seja preconceituosa, Carolina

Dez minutos depois, dois estampidos.

Entrevistado (como se nada tivesse acontecido): Blá, blá, blá, blá...

Eu (pensando): Não seja preconceituosa, Carolina. A violência do Rio de Janeiro também não é taaaanta assim. Isso deve ter sido rojão. Ou escapamento de carro. Deixa de ser neurótica!

Mais dez minutos:

Entrevistado: Blá, Blá, blá, blá... então, porque de vez em quando a gente ouve uns tiros aqui, como esses que vieram do morro agora há pouco...

Eu (pensando e fazendo esforço máximo para não demonstrar minha cara de desespero): COMO ASSIM, SEU MALUCO? OS CARAS ATIRAM AÍ NO MORRO E VOCÊ FICA COM ESSA CARA DE “PUXA, QUE NORMAL”?. E SE UMA BALA PERDIDA ME PEGA AQUI? A INDENIZAÇÃO DA FIRMA NÃO É TÃO GRANDE. ONDE É O AEROPORTO MESMO?

Louco, esse Rio de Janeiro.

26 de dezembro de 2008

Interior

Um Feliz Natal a todos, antes de tudo. Ignorem o fato de hoje já ser dia 26.

O bom de Minas Gerais é que só uma pessoa da minha família tem, ao mesmo tempo, internet banda larga em casa e intimidade suficiente comigo para que eu possa usá-la sem criar clima de constrangimento. Mas como ela prefere me ensinar a lavar o Carnossa da maneira correta (estava sujo que só...), só abri meu e-mail uma vez desde sábado.

Incrível como a gente consegue se livrar fácil, fácil dessas coisas de computador. Aproveito então para exercer meus dotes de babá, que só aparecem uma vez ao ano, justamente nesta época. Ao todo, são oito crianças de até dois a seis anos - todas devidamente uniformizadas com a camisa verde-limão do Palmeiras e que tiram um sarro da tua cara porque você puxa o erre, um absurrrrdo por aqui.

Mas abriu uma lan house aqui perto e o vício não resistiu. Só que já, já vou embora porque é preciso comprar pão de queijo, que são incrivelmente baratos por aqui. Dá até raiva de pagar mais de um real a unidade em São Paulo.

São Paulo? É, eu vi na parabólica que está chovendo a cântaros lá, assim como no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Aqui chove e esquenta, chove e esquenta. A passagem de volta está marcada para domingo (por que a São Silvestre não é em maio?), mas a chegada mesmo no Tietê é só na segunda. Longe demais, principalmente quando quatro caras ficam a VIAGEM INTEIRA conversando e mexendo com o povo. Inacreditável a minha sorte para essas coisas.

O ruim de lan house é que eu sempre acho que o tempo está acabando e isso potencializa a procrastinação de não escrever nada aqui. Então, eu leio um monte de blog em uma mal feita leitura dinâmica, dou uma passada lá no serviço que ninguém é de ferro (workholic!), vejo os e-mails, lembro que o Rodrigo deve estar p*to da vida porque eu não cumpri a promessa de organizar as traduções...

Graças a Deus, o pequi ficou longe de mim dessa vez. Nem o cheiro eu senti. O celular também não pega por aqui, graças aos bons serviços prestados pela Vivo. Mas tem até o lado bom porque o isolamento te faz pensar tudo e refazer as promessas não-cumpridas dos anos anteriores. E que é claro não serão cumpridas de novo (ou não).

Ah, e também dá para pesquisar bastante nos camelôs a quarta temporada de Lost, que eu não consigo baixar no meu computador paulista nem por milagre. Igualmente bom para se livrar dos calos do show da Madonna ((modo gay on) Diiiiivvvvvaaaaaaaaaa (modo gay off)).

Interior é assim.

13 de dezembro de 2008

O espírito natalino

Estava lá eu essa semana, sentada quietinha em um dos bancos da frente (e solitários) do ônibus, lendo o meu livro sossegada. Daí, no ponto em frente ao "Quarteirão da Saúde", em Diadema, entra um cara com toda pinta de mano e fala/grita para o motorista:

- Tem duas muié brigando no busão aí da frente!

Pensei comigo: "Ah, esse mano aí só tá querendo tirar uma com a cara do motorista...". E voltei a ler o livro.

Só que segundos depois, comecei a ouvir de longe gritos de mulheres. O referido ônibus da frente também começou a demorar mais que o normal para sair do ponto. Porém, como eram daqueles veículos sem janela traseira e na calçada nada de anormal acontecia, pensei comigo: "Ah, fiquei com a história no inconsciente e estou imaginando coisas...". E voltei a ler o livro.

Nem uma frase lida depois, eis que surgem na calçada duas mulheres, uma mais agarrada que carrapato no cabelo da outra, com olhar de "Chuck, o Brinquedo Assassino" e soltando toda sorte de impropérios.

Não preciso nem dizer: é óóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóbvio que a esta altura todo o meu ônibus já estava na janela em busca do melhor lugar para acompanhar a briga. Posso dizer que era uma privilegiada porque da minha posição eu tinha uma boa visibilidade para o duelo. Mas certamente eu iria para a janela se não estivesse lá.

Foi então que surgiu um cara, daqueles gordo e alto (o popular armário), e conseguiu separar as duas, que continuavam ensandecidas e gritando palavras que eu não vou reproduzir aqui porque isso é um blog de família. Uma delas então pegou um objeto preto - imagino que fosse a bolsa da outra - e jogou no meio da rua entre os carros. Isso voltou a emputecer a adversária, que só foi segurada pela turma do deixa-disso.

Então, entre cabelos desgrenhados e unhadas na cara, os ônibus partiram e começou o debate. "Por que briga de mulher é só cabelo? Tem que dar é chute no estômago!", uma disse. Outro, que havia entrado no ônibus durante a confusão, completou: "O cara que estava separando tinha jogado as duas para fora do ônibus com tudo. Ha-ha-ha". Mas quem resumiu tudo, com muita sabedoria, foi o motorista:

"É o espírito natalino".

7 de dezembro de 2008

Mais uma profissão descartada

Quando eu era pequena, lá pelos meus 7 ou 8 anos (acho), houve um tempo, na verdade alguns dias, no qual eu fiquei absolutamente alucianada por futebol. E quando eu escrevo alucianda aqui, é alucinada mesmo: eu via alguma referência ao esporte bretão em qualquer coisa que estivesse ao meu redor.

Foi nesta fase, mais ou menos, que eu comecei a sonhar com resultados de algumas partidas. Claro que, não sendo eu filha da Mãe Dinah, nem sempre os placares reais correspondiam ao do meu inconsciente. Mas uma coisa era batata: se eu sonhasse que o Palmeiras perdia, o Palmeiras perdia mesmo.

Foi assim com o Campeonato Paulista de 1995, quando perdemos para o Corinthians. E olha que nessa época o meu fanatismo já tinha diminuído bastante, se comparado ao que tinha sido.

Pois bem, de uns anos para cá, eu simplesmente parei de sonhar com resultados. Essa semana, porém, as "premonições" voltaram e eu tive a oportunidade de saber se elas estavam melhores que antigamente, ou seja, eu prevendo placares de jogos que não eram do Palmeiras.

Tudo bem que a coisa já começou mal: no meu sonho, o São Paulo jogava pela última rodada do Brasileirão 2008 no Morumbi e contra o Atlético-MG. Licenças poéticas, à parte, o resultado era o mais bizarro: com cerca de 30 minutos de jogo, o Galo já vencia por 3 a 0. Mas o jogo não estava definido, os paulistas correram atrás e em outro momento do sonho a desvantagem era só de um gol: 4 a 3.

Por uma dessas coisas loucas de sonho, não lembro de mais nada depois disso, só o pós-partida; Atlético 6 a 3 e Grêmio campeão. Bom, como todo mundo que não mora em Marte já sabe, os resultados passaram bem longe disso, dando a certeza de que minha vocação não é mesmo para vidente.

Complemento: Antes que os são-paulinos se manifestem: sim, pensando racionalmente foi merecido, eu admito. Em um outro post, eu explico o que eu achei disso tudo. E espero assim encerrar o assunto futebol em 2008.

Em tempo: a fase alucinada por futebol acabou quando eu levei uma senhora bronca dos meus pais - provável que eles nem se lembrem disso - depois de dizer: "Olha, Brasil e Equador estão jogando" ao passarmos, de carro, diante de uma dessas quadras de futebol society em São Paulo. Lembro que fui absolutamente proibida de falar de futebol, tamanho era o saco cheio deles.

6 de dezembro de 2008

Nova fase

"Esse Papai Noel parece um velho ermitão tarado"

Este foi o primeiro comentário que minha mãe fez quando eu, toda empolgada, a chamei para ver o novo design do Nossa, Canossa. Como o Natal já está logo ali e, consequentemente, serei obrigada a mudar a imagem, resolvi ignorar a referida observação.

Aliás, trocar a imagem acima com uma frequência aleatória é uma das idéias para a nova fase deste blog que, tadinho, andava meio abandonado (a ponto de tomar um puxão de orelha público do Bianchin). Culpa da ressaca olímpica, da loucura da Fórmula 1, de uma série de mudanças aqui e acolá e, principalmente da minha procrastinação.

Tentarei - mas não garanto nada - evitar que este espaço continue adepto do slow-blogging. Aos poucos também quero dar uma melhor atualizada nos links da direita. É, eu leio várias páginas que não estão aí, mas estou com preguiça de procurar agora.

Resolvi ainda acabar com aquele brega estiloso verde-laranja (Deus, onde estava o meu bom gosto esse tempo todo?). Foram alguns bons minutos de luta contra o Photoshop e, principalmente, contra o maldito plugin do Flash do meu Firefox, que insiste em dar pau, no mínimo, uma vez a cada dez minutos, fechando o navegador.

Enfim, comentem as mudanças se acharem que devem comentar. Ou não.

9 de novembro de 2008

Interlagos, dia 2, 3 e 4

A demora em continuar a saga de Interlagos se deu por apenas um motivo: resolvi só voltar a escrever depois que a batata da perna de uma japonês se curasse, o que comprovaria que a minha fúria já estava aplacada.

"Como assim?", alguém deve estar se perguntando.

Bom, primeiro vamos por uma dica essencial na cobertura: para evitar descer do saltinho, nunca, mas nunca tente entrevistar um emergente astro inglês quase amarelão e agora campeão de Fórmula 1 depois de um milhão de anos de jejum no país dele. Sim, porque a chance de você se ver envolta e esmagada por milhares de cinegrafistas, fotógrafos e o que quer que seja é de 150%.

Mas eu não tenho o costume de obdecer as minhas próprias dicas. Para piorar, como o inglês campeão ficou fora do pódio na corrida, a master-organizada Federação Internacional de Automobilismo não o convocou para subir até a sala de coletivas, a despeito de ele ser o mais jovem e o primeiro afro-saxão (esse termo existe?) a ganhar o título.

Em resumo, a zona de jornalistas internacionais estava formada.

Eu, pensando que era esperta, me posicionei de modo a ficar quase cara a cara com o Hamilton onde eu imaginei que ele daria entrevista. Mas eis que o nosso amiguinho (shit!) resolveu mudar de local - foi basicamente para frente de onde era antes (shit, shit!) - e, como diriam os meus avós, eu perdi o bonde no meio da manada.

Tentando me equilibrar, primeiro tomei na cara, quase no olho, o suporte de uma lente de longa distância de um fotógrafo gringo. A estupidez do ser foi tamanha que na hora a Mariana Becker, da Globo, se prontificou a se indignar e perguntar se estava tudo bem e tal, com mais algumas pessoas que eu não lembro que eram. Estava sim, nem foi tão forte e quase nem doeu (de verdade).

Fato é que eu resolvi não me vingar naquela hora. Afinal, não ficaria bem eu dar uma de louca descontrolada na frente de um monte de coleguinhas brasileiros. Passou-se então mais um tempo e a muvuca se moveu naqueles mesmos metros quadrados e as pessoas se misturaram entre si. Foi aí que apareceu um fotográfo japonês tentando se enfiar lá no meio, me empurrando com toda a grosseria do universo.

Pausa para falar que eu entendo o trabalho dos lambe-lambes, que eles precisam da imagem para não serem demitidos e tal, mas um mínimo de educação é essencial, não? Fim da pausa.

Sem ninguém conhecido por perto eu, já extremamente puta da vida, pensei: "Ah, dessa vez não passa". Coloquei em prática meus conhecimento de jornalismo-taekwondo.

Ciente de que eu não consigo dar uns chutes tão altos quanto o da Natália Falavigna, me contentei em mirar bem a batata da perna do japa, colocar toda a minha força no pé direito e desferir um belo de um chute. Na hora, o cara estava tão envolto na adrenalina que continuou a bater fotos (do Hamilton, não minha). Sei também que a minha força não é das maiores, especialmente agora que estou há meses sem nem passar na frente da academia, mas tenho absoluta certeza que ele encarou vinte e tantas horas de vôo de volta com a perna bem inchada. Deve estar melhorando agora, uma semana depois de desferido o golpe.

É óbvio que alguém deve estar se perguntando o porquê de tal atitude. Antes de tudo, não eu não sou psicopata louca que sai batendo nos outros - apesar de ter vontade, nunca posta em prática, de dar umas voadoras em certos usuários do Metrô. Talvez eu sejá só um pouco esquentadinha.

Mas é que eu já estava realmente irritada. Primeiro porque a Lei de Murphy resolve agir sempre e a nova tecnologia de acesso à Internet disponibilizada pela empresa simplesmente era mais lenta que conexão discada. Tudo bem, se eu não trabalhasse para um SITE. Depois porque por mais bem-feito que seja o lanchinho da sala de imprensa do autódromo, no quarto dia seu intestino passa simplesmente a recusá-lo (é, é quase isso o que vocês estão pensado).

Trabalhar mais de dez horas no próprio dia e nos seis anteriores não é problema quando você gosta do que faz (ainda mais quando você tem a oportunidade de vivenciar in loco um momento da história do esporte). Mas ter o puta azar de chover justamente no dia que você tem que ficar parada na frente dos boxes da Renault porque o Nelsinho rodou na primeira curva é realmente foda. Ainda mais porque ele nem falou e todo o seu trabalho de sentir in loco a meteorologia de Interlagos foi para o saco.

Ah, tem o resultado. Sim, foi muito interessante ver todo aquele autódromo explodindo de alegria e depois broxando com o êxito e queda do Massa, inclsuive os boxes da maioria das equipes. Nessa hora eu já nem sabia mais de nada e o que me salvou mesmo foi o radinho a pilha de 9,90 que eu levei para lá.

Só que... querem saber? Voltei morta, mas foi muito, muito divertido vivenciar o tal do gramour da profissão - aliás, eu até apareço do vídeo oficial do GP do Brasil (um doce para quem me achar).

Enfim, só agradeço a bênção de ter pensado antes em pedir para o pessoal da redação escrever anota da corrida (senão eu tinha enloquecido mesmo). E ainda bem que eu não tinha feito chapinha.

31 de outubro de 2008

Interlagos, dia 2

Como o cansaço está grande, por enquanto só vou contar a cereja do bolo: na hora de deixar o paddock, topei com Galvão Bueno, o próprio, que era mais assediado que o Felipe Massa.

Nada mais adequado para um Halloween despercebido.

Interlagos, dia 1

Pouco antes das dez horas da noite e eu cruzando Diadema de volta para casa depois de mais uma maratona de trabalho esta semana. Na cabeça, as lembranças de um Kimi mais solícito que em 2007, porém ainda Kimi, um Hamilton bem mais baixinho do que eu imaginava, a estranheza de ter ficado a menos de meio metro do Alonso mais-tampinha-ainda, o Massa que eu não aguento mais ver, além de Nelsinho e Rubinho, outras figurinhas tarimbadas. Sem contar um sem-número de pessoas antes só vistas na TV e que - óh - existem mesmo.

No meio daquele monte de gente também voltando de seus respectivos trabalhos, eu só tentava ter idéia de quantas risadas irônicas eu seria vítima caso começasse a contar que, eu ali no meio de todos eles, tinha "passado o dia" junto com tais nomes. No mínimo, iam fugir do ônibus no ponto seguinte achando que eu estava prestes a colocar fogo em tudo.

Vida de repórter é estranha mesmo.

Bom, hoje foi a minha estréia de verdade no circo da Fórmula 1. Até o ano passado, o meu máximo era ir até o último dia que Interlagos estava aberto para a galera, a quarta-feira antes do GP. Mas esse ano eu consegui a credencial, aliás, a mais bonita que eu já vi. Estava aberto parte daquele mundo que parece só estar na TV.

Para quem tem curiosidade de saber como é cobrir um GP, vou tentar passar algumas impressões aqui. A primeira é que você inevitavelmente vai se perder a caminho da sala de imprensa e/ou coletivas em sua estréia e nenhum funcionário será capaz de te passar essa simples informação. Então vai andar, andar, andar com uns 200kg de equipamento nas costas até descobrir que era bem perto e você deu um monte de volta à toa.

O segundo aspecto importante é estar com a auto-confiança em dia. Porque dinheiro não significa necessariamente educação e o povo da Fórmula 1 é meio escrotinho mesmo, que diga a assessora da Renault e o carinha da McLaren encarregado de distribuir bloquinhos para os jornalistas, que praticamente os tacava na mesa. Cheguei a temer pela tela do laptop.

O terceiro é descobrir que a sala de imprensa é um lugar gigantesco, com 1437 mesonas em que cabem uns 15 negos cada e que já estão devidamente marcadas - quando você, chega escolhe algum lugar (no meu caso, aleatoriamente) e permanece lá até o final dos tempos. Ah, lá no fundão tem lanchinho, água e refrigerante, mas você vai demorar alguns bons minutos até ter certeza que é "di grátis". Bom, ao menos alguma coisa tem que ser assim, já que o wi-fi custa os olhos da cara (e olha que os meus são azuis).

Descobrirá também que nas coletivas os pilotos com sotaques mais estranhos parecem desconhecer o microfone só para ajudar no seu trabalho de adivinhação. Aliás, é bem mais fácil entender quem não tem o inglês como língua materna, como o accent Leste Europeu do Kubica e o accent espanhol do Alonso, que puxa todos os erres como o Galvão Bueno quando vai exaltar o Ronaldinho. Ok, nem tanto.

Sim, você também estará cercada de gringos por todos os lados e perceberá atitudes estranhas deles, como começar a falar alto sozinho "Son of a Bitch" olhando a tela do computador, dar dois socos na mesa que você também está, levantar e sair falando "What a fuck" e depois voltar todo simpático com a menina da organização dizendo-se australiano. Desculpem o preconceito, mas a partir de hoje eu vou partir da premissa que todo australiano tem um quê de Dado Dolabela.

30 de outubro de 2008

De volta (ou não)

Correria maluca e muitas inserções no mundo dos ricos na última semana. Primeiro, Athina Onassis Horse Blá Blá Blá Show e um encontro com toda a altíssima classe paulistana (menos traumático que no ano passado, mas ainda assim traumático porque quase fui expulsa ao querer fazer meu trabalho - conto depois em maiores detalhes).
Depois, "jogar" golfe com a Daiane e o Cielo em clube bacanudo inserido numa área pobre da zona Sul. Na sequência, milhões de coisas a fazer com a aproximação da F-1 no Brasil. Os carros então chegam e é hora de ir a Interlagos. No meio do caminho, porém, é preciso ver o Massa doando livros em escola pública ao mesmo tempo em que se enrola para dizer qual foi o último livro que leu.
Daí que é a vez de ver o "principezinho" (gay?) Nico Rosberg em um hotel "outro pedigree" da Avenida Paulista. No dia seguinte voltar ao golfe bacanudo para falar com o Nelsinho, acompanhar a mala do Webber (desculpe, Mané) e rir das piadas do David Coulthard. Agora, correria para dar um alô ao menino Kimi em um terceiro hotel fodástico e ver o que Hamilton tem a dizer no autódromo.
Tô quase virando burguesa.

5 de outubro de 2008

Eleições 2008


Atualizado (06/10): Como podem 376.733 pessoas (estou descontando o voto dele mesmo) serem imbecis ao ponto de ainda voltarem no Maluf?

Mas a eleição não foi de todo perdida. Pelo menos o povo do Rio de Janeiro mostrou ter um resto de sanidade mental ao não colocar o tal do bispo Crivella no segundo turno. E a vereadora em quem votei, Mara Gabrilli, foi reeleita.

Por outro lado, estou em pânico: é bastante provável que Frank Aguiar, o próprio Cãozinho dos Teclados, seja o próximo vice-prefeito da cidade onde eu moro. Um ser que brigou porque queria acumular o cargo e continuar deputado federal ao mesmo tempo. Tudo coisa simples. Céus...

O mais legal das eleições mesmo foi que eu descobri uma coisa totalmente nova: o primeiro eleitor de uma seção é obrigado a esperar o segundo chegar. Ou seja: "fica preso", sem assunto, olhando a cara dos mesários. É, eu consegui a façanha de inaugurar a minha seção eleitoral ontem. Cheguei antes mesmo dos tradicionais velhinhos...

Tudo porque tinha que trabalhar cedo e fiquei com medo de perder a hora se tentasse votar depois da labuta. Ainda por cima, inventei de ir dirigindo. Como estou voltando a guiar por São Paulo esses dias e tenho consciência de que estou mais para Rubinho Barrichello que para Ayrton Senna, sai com muita antecedência de casa. Mas me subestimei e cheguei no colégio exatamente às 8h02. Um fenômeno.

Segundo meu chefe, que fez grande carreira como mesário no passado, isso se dá porque, caso ninguém apareça para votar na sua seção, há como saber em quem você votou, de forma que o voto não será mais secreto. Mas, peraí... se ninguém, além de mim, aparecesse até o final do dia eles não ficariam sabendo do mesmo jeito? E pior: com eu tendo que perder diversas horas inutilmente da minha vida, sem direito a lanchinho? Bianchin, me explica isso.

3 de outubro de 2008

Câmara municipal bizarra

Domingo é o alegre momento da democracia, onde todos nós vamos escolher os representantes do povo nos próximos quatro anos. Óh, tudo seria muito bonito, não fosse pela qualidade duvidosa da maior parte dos candidatos. Mas, como tudo pode piorar, o Nossa, Canossa! fez um levantamento para descobrir alguns dos candidatos mais bisonhos de São Paulo. E descobriu que podemos ter a seguinte Câmara Municipal nos próximos quatro anos (os nomes estão divididos por grupos políticos):

ATUALIZADO com o número de votos recebidos por cada um (aliás, quem foi o maldito funcionário do Uol Eleições que resolveu colocar atualização automática a cada minuto naquele site? Só para atrapalhar a sua navegação...) :

Ala "Celebridades" (vulgo não tenho mais sucesso da minha carreira antiga e quero viver na mamata)

Ademir da Guia - 17009 (não conseguiu a reeleição. Ufa)
Agnaldo Timóteo - reeleito com o voto de 26180 babacas.
Dinei ("Fui, Ahua!") - 22732 pessoas sem noção votaram nele.
Léo Aquilla - 6515
Netinho de Paula - 84406. Parabéns, São Paulo.
Sergio Mallandro - 22066. Por pouco os vereadores não foram convidados a fazer "glu glu" na Câmara.

Ala Pseudocelebridades (vulgo não sou quem você está pensando, mas vai que um monte de trouxa pense que sou...)

Belo - 251
Dunga - 579. Loser até na política.
Faustão - 208
Joselito - 5767
Enéas Filho - 1631. Pelo menos esse não enganou o povo.
Ivan, o Terrível - 2655
Joaninha (cujo slongan é "Joaninha dá Sorte") - 280. Acho que Joaninha não dá tanta sorte...
Jesus - 215. Esse nem Cristo salvou.
Lacraia - 495
Lombardi - 320
Mendigo - 888
Ovelha - 788
Pellé - 1007
Roni Von - 448
Seu Madruga - 7705


Ala Merchan

Babalu - 961
Cd Paschoal - 654
Kaiser Paiva Celestino da Silva - 21. Coitado. Só a família...
Maggi - 09. Nossa, a família dele deve ser pequena.
Tang - 4015

Ala Fulano de algum lugar

Abraao do Queijo - 1401
Betão do Lava Rápido - 3825
Beto do Mercado Legal - 3283
Cowboy do asfalto - 245
Gil da Ultra-Som - 1386
Grilo da Lotação - 952. Precisa pegar uma linha mais movimentada...
João do Gesso - 749
João Zelador - 839
Marcão Rei Momo - 345. O Carnaval paulista está garantido!
Marcia da Deco - 194
Sorriso do Farol - 1995

Ala Acuma?

Ademir Crack - 899
Bel Zowie - 320
Cabo Piuga - 1989
Dna Hilda s/Escola - 1001
Geisha Guariento - 440
Hamuche - Fauzi Nacle Hamuche - 4325
Pai Guimarães d'Ogum - 9983
Peixe Zona Sul - 792
Quito Formiga - 21129
Rainha Naja - 315
Sandra Pinck (ela tentou mesmo escrever o que eu estou pensando?) - 806
Tomas, o Tomate - 908
Tonhão Som de Cristal - 339
Valmir Olho de Lobo - 3616
Xyko Duarte - 133. Parece que a numerologia não funcionou...

Ala histéricos

Dra. Havanir - 8081. Quando ela circulava com um alegoria enorme de sua própria cabela na Avenida Paulista, ela tinha mais crédito...
Malek - 856. Outro que já foi melhor.

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Viu como tudo sempre pode piorar? Aí, é só colocar o Maluf prefeito....

Atendendo a pedidos:

Oscar Maroni - 5804. Broxou...
Marco Aurélio Cunha (eu nem o acho tãããão tosco assim, na verdade. É melhor preparado que muita gente) - 38421. Eleito.
Christina Rocha (do "Alô Christina") - 3135. Um excelente achado, Thiago.
Aurélio Miguel - 50804
Osmar Lins ("Peroba neles") - 2171. Verdadeira falha minha não inclui-lo na lista.
Russomanno - 27100. Ficou no quase.
Pillin - 208
Vizinho da avó do Thiago - Não identificado
Tulio Maravilha (Goiânia) - 10401. Terceiro mais votado
Raul Seixas (BH) - 324
Periquito (candidato caloteiro a prefeito de BH) - 4769

1 de outubro de 2008

Grandes momentos da campanha eleitoral

Hoje (quarta), o prefeito Gilberto Kassab resolveu visitar uma crechê em algum fim de mundo de São Paulo. Tudo ia bem, ensaiadinho até que... veja entre 1min58s e 20min03s, todo o jeito dele com as crianças.



Sei não, mas acho que essa aí é membro da ala "dente-de-leite" do PT.

23 de setembro de 2008

The greatest deaths in the world

Semana passada, em um ônibus paulistano:

Pessoa 1 - Blá, blá, blá, blá (alguém falando alto algo que eu não sei o que era porque estava mais preocupada pensando na morte da bezerra)...

Pessoa 2 - Ow, não fala isso não. O pai de uma amiga minha matou uma mulher com um carrinho de supermercado!

(modo despertar minha atenção em alerta máximo on). Eu - (pensando) COMO ASSIM? ELE É SEM NOÇÃO AO PONTO DE JOGAR O CARRINHO NA CABEÇA DELA?

Todos os amigos da Pessoa 2 presentes - COMO ASSIM? ELE É SEM NOÇÃO AO PONTO DE JOGAR O CARRINHO NA CABEÇA DELA?

Pessoa 2 - Ah, não sei direito. Parece que quando ele era novo estava apostando corrida com um carrinho de supermercado, atropelou a mulher, ela caiu e morreu.

Já dizia Guimarães Rosa: viver é negócio muito perigoso.

Quer saber mais sobre mortes bizarras? A Wikipédia tem uma lista cronológica sobre o assunto.

21 de setembro de 2008

O trabalho da semana

Se tem uma coisa que eu gosto de fazer, é entrevistar. Mas não fazer duas ou três perguntinhas, onde a resposta será "nós respeitamos os adversários e o importante é sair com três pontos". Eu curto mesmo é entrevistão, à la Playboy, onde a personalidade pouco a pouco vai se soltando e falando coisas legais. Não precisa ser nada que vá derrubar a República, mas algo através do qual você a conheça melhor.

E sabe quando você sai de um lugar satisfeito, com a impressão de que cumpriu um objetivo? Pois é, foi bem assim que eu me senti na última terça-feira, quando fui a um treino do São Caetano falar com a Fofão. Apesar da promessa da assessoria de imprensa de que eu conseguiria conversar com ela, nada me garantiria que ela estaria master disposta para ficar alguns bons minutos conversando com um veículo que, admitemos, não tem lá a divulgação de nenhuma Globo.

Mas, ok, o que custa tentar, não? E foi com esse espírito que eu me debandei rumo a outra parte do ABC paulista durante a manhã. Um pouco de paciência para esperar uma avaliação física interminável, mais um tanto para deixar outros jornalistas trabalharem e... voilá! Consegui algo que julgo um dos melhor trabalhos da minha vida - não que isso signifique alguma coisa para o planeta Terra.

A ordem das perguntas não era exatamente a que foi publicada, mas houve pouquíssima edição, o que deve significar que alguma coisa do material presta - até houve algumas reações favoráveis pelo "Fale Conosco" do site e em comunidades do orkut e blogs de vôlei. Claro que, seguindo o espírito canossiano, eu achei que vários aspectos poderiam melhorar, outras coisas poderiam ser perguntadas, mas... enfim. É o que temos.

Ah, sim: já sob a influência de um editor internacional, agora a Gazeta Esportiva segue algumas das maiores publicações do mundo e publica uma foto do repórter no trabalho. Prestigem lá e digam o que acharam aqui (mas se criticarem, eu mando um vírus para o infeliz).

18 de setembro de 2008

"Antigamente é que era bom"?

Se tem algo que me irrita profundamente, são aquelas pessoas que ficam repetindo a todo momento que "antigamente é que era bom". Primeiro, porque demonstra uma rabujice sem limites e segundo porque isso não passa de uma crítica involutária a si mesmo: se "antigamente é que era bom" por que você/a sua geração deixou que as coisas virassem um lixo?

Não estou dizendo com isso que eu não gosto do passado ou que espanco meus avós. Pelo contrário. É que recentemente, eu tive uma prova escancarada de como as pessoas deixam-se levar por tais mitos e sentam no próprio rabo não agem de acordo com as suas palavras.

Durante as (toc-toc-toc) Olimpíadas, eu tinha que sair beeem cedo de casa, porque moro no fim do mundo tinha que bater ponto às sete da matina e fazer a cobertura dos fatos da noite pequinesa. Daí que um "dia" (entre aspas porque nem havia amanhecido ainda), eu estava chegando ao terminal próximo de casa quando, na hora de pegar o bilhete, caiu uma moeda da minha carteira.

Bem na minha frente, já passando pela catraca, estava um senhor - aliás, o número de idosos que pegam ônibus de manhã é inacreditável. Devem gostar de sofrer já que, na condição de aposentado de muitos deles, era plenamente possível fazer quase tudo em horários menos caóticos do transporte público.

Voltando: Minha moeda fez um baita barulho porque caiu justamente em cima daquela proteção de metais que cobrem o chão em volta de algumas catracas. Ou seja, bem perto dele.

O senhor se abaixou e pegou a moeda. Então, olhou para os dois lados ao melhor estilo pantera cor de rosa no auge da investigação e, "disfarçadamente", a colocou no bolso. Ok, ele não precisava saber que a moeda era minha, pois havia outras pessoas perto. Porém, moedas não costumam surgir do nada em chãos de catracas, de maneira que era óbvio que havia caído da carteira de alguém atrás dele.

Eu olhei a cena e desacreditei. Iria dar uma voadora nas costas dele Deixei quieto porque era somente cinco centavos e comecei a rir sozinha da situação. Uma pena que não existem remédios para caráter, senão me sentiria satisfeita em contribuir.

26 de agosto de 2008

Pataquadas olímpicas atrasadas

Essa última semana de Olimpíadas foi completamente estafante e eu infelizmente não tive forças para postar tudo o que queria. Tentando então tirar o atraso, vamos a um pacotão de pataquadas que eu vi, mas não pude colocar aqui.

Ouro - Galvão Bueno

Ele, claro. Juro que até um tempo atrás eu achava que as pessoas pegavam muito no pé do Galvão, que, apesar de algumas cagadas, nosso narrador-mor era injultiçado e tal. Bom, aviso que depois de Pequim-2008 eu mudei completamente de idéia.

Além de vários deslizes que eu já citei em outros posts, foi extremanente irritante perceber que o Galvão sequer se dá ao trabalho de dar um Google a respeito dos jogos e personagens sobre os
quais ele irá falar na próxima transmissão.

Por exemplo: na decisão do bronze no vôlei de praia masculino, ele simplesmente ficou o tempo inteirinho falando que os brasileiros naturalizados georgianos que enfrentavam o Ricardo e Emanuel jamais tinha ido ao novo país. Mentira. Eu mesma fiz uma reportagem na qual eles contavam toda a história deles.

Para piorar, sr. Galvão ainda queria dar uma de defensor da pátria e ficou metade do tempo criticando o Renatão e o Jorge (que competem com o singelo nome de Geor/Gia) a respeito da decisão deles, que isso era errado, não se devia fazer e tal. Só que o Galvão simplesmente ignora que, se não fosse por isso, uma dupla com a capacidade de chegar a uma semifinal olímpica jamais estaria ainda no esporte, (modo ironia on)visto que nosso país é um oásis de patrocínio e apoio aos atletas...(modo ironia off)

No mesmo jogo, vencido pelo Ricardo e Emanuel, Galvão e a comentarista e ex-atleta Jackie Silva ficaram a outra metade do tempo insinuando que os dois eram que deveriam estar na final, de certa forma desmerecendo o Fábio e o Márcio Luiz, algo que também havia ocorrido quando as duas duplas jogaram na semifinal. Como se não bastasse, no final do jogo, ele ainda ficou o tempo todo insistiando que o Ricardo e o Emanuel iriam se aposentar ("Pode ser o último lance dessa maravilhosa dupla, aproveite"), algo prontamente desmentido por ambos quando foram
entrevistados.

E tem mais: Galvão conseguiu ser ainda mais tosco na decisão do vôlei feminino, jogo no qual confesso fiz questão de ver pela Globo só para ouvir as besteiras dele. Primeiro, ele ficou insistindo o tempo todo que o Zé Roberto era técnico da seleção há oito anos, algo que qualquer
criança com acesso ao Google sabe que não é verdade: o Zé assumiu em 2003.

Quem deveria estar lá para corrigir e pensava-se ter capacidade técnica para isso, também decepcionou: candidato ao posto de pior comentarista das Olimpíadas, Tande além de concordar,
soltou uma pérola na qual dizia que a Mari tinha deixado de ser oposto para virar ponteira apenas um torneio antes das Olimpíadas, o Grand Prix 2008.

Ok, é completamente aceitável que 99,9% da população ignore esta informação, mas quem é do meio e deveria acompanhar vôlei sabe que, há pelo menos três anos, o Zé Roberto começou a mudá-la de posição, fazendo a virar ponteira - tanto que o passe dele, apesar de horrendo na final olímpica, apresentou uma sensacional evolução desde então. Ou então eu estou ficando
louca e passo dados errados para os leitores da GE há uns bons meses sem meu chefe descobrir.

Engana-se, porém, quem pensa que terminou: todo pimpão porque a excelente Natália Falavigna
(cujo embarque foi feito por um único veículo. Adivinhe qual...) tinha conquistado o bronze minutos antes, Galvão conseguiu estabelecer todas as pronúncias possíveis e imagináveis para o FA-LA-VI-NHA.

Mas ele se superou mesmo quando soltou um sonoro: "a nossa lutadora DANIELA FLAVINHA". Doeu, ainda mais por pensar que ele ganha em um mês o que eu vou ter que me esforçar muito , se é que vou conseguir, para conquistar na minha vida inteira.

Uma pena que a idéia de fazer uma campanha nacional para pagar a bala com a qual o governo chinês o mataria só me surgiu agora...

Prata

Depois das Olimpíadas de Pequim, uma prova que eu adoraria assistir in loco no meu projeto London-2012 é o salto com vara. Além de acompanhar de perto o 158º recorde mundial da Yelena Gadschiyevna Isinbayeva, em russo Елена Исинбаева, é sensacional ver os losers da modalidade, visto que seus vexames são bem mais engraçados.

Em Pequim, por exemplo, o brasileiro Fabio da Silva e o argentino German Chiaraviglio conseguiram a proeza de sequer conseguir pular. O representante tupiniquim, por sua vez, perdeu a concentração e passou direto pela vara, enfiando a cara no colchão de proteção que deveria estar lá para amortecer a queda daqueles que conseguem pular.

Mas, sem querer ficar atrás, o argentino foi lá e se superou, conseguindo um salto de uns 70 centímetros e se esborrachando logo depois. Só vou perdoá-lo porque ele é bem ajeitadinho, ao contrário do brasileiro vade-retro.

Uma pena que eu não tenha achado esses vídeos em nenhum lugar - se bem que eu vi a cena na ESPN Brasil... será que não tem esse arquivo lá, Fábio?. A do argentino passou no top five do CQC ontem, com direito ao brilhante comentário: "O argentino não encaixou a vara!".

Bronze

Olimpíada é o momento da superação, já diz o clichê. Mas, como tudo nesse mundo, há limites. Ou o que dizer do nosso amigo que, de tanto, esforço, resolveu dar uma comida para os peixes depois da prova do C-1 500m da canoagem?

(Que Phelps, que nada! A foto dos jogos é esta!)

Menções honrosas (adotando um formato que eu deveria ter adotado desde o começo dos Jogos):

+ Piada infame que eu não posso deixar de fazer: será que o Zé Roberto vai agora lançar o livro "Transformando Amarelada em Ouro?"

+ Essa eu só fiquei sabendo depois e me lamento muito por não ter acompanhado. Dizem que o tal do Doutor Osmar, da Band, teve a proeza de declarar vitória do Brasil e chamar os reclames assim que o Brasil marcou o 15º ponto nô primeiro set da estréia do vôlei feminino em Pequim. Acho que o último jogo que esse viu foi em Barcelona-1992...

+ O que dizer do cubano taekwondista (viciei nesta palavra) que meteu um chute na cara do juiz na disputa pelo bronze da categoria até 80kg? Certíssimo. Chega de discursos politicamente corretos no esporte, "onde o importante é competir" e "Londres, que assim como a África do Sul é logo ali, a gente tenta de novo. E o comandante concorda. Mas, por outro lado, não posso deixar de observar: eta povinho encrenqueiro esse de Cuba....

+ Nos saltos ornamentais, nosso gloriosos atletas que são ouro na modalidade "fui mais uma vez passear com o dinheiro do contribuinte" conseguiram pipocar em mais uma oportunidade. O melhor mesmo foi a Juliana Veloso, que tinha tudo para avançar às semifinais, mas conseguiu fazer um salto pior do que eu faria e ficou na zona do rebaixamento. Depois, se justitifou dizendo que tem medo de altura (!!!!!). Tamo bem de atleta...

+ Semana passada, o Lance descobriu qual o segredo da dupla Walsh e May: sempre que vai jogar, a May espalha um pouco de cinzas da mãe (!!!) pela quadra. Pode-se dizer que é uma terceira jogadora? Que proporcionaria o famoso "ponto espírita"? Mais: seria uma forma de doping? Outra: você aceitaria entrar em quadra?

23 de agosto de 2008

Amarelo de ouro


Como já disse Fábio Seixas, da Folha, sumiços no blog significam ou que o dono está de férias ou que ele está trabalhando mais que remandor viking. Obviamente, o meu caso é o segundo.

Hoje eu trabalhei igual a uma presidiária na Sibéria durante o regime Stalin. Mas acho que nunca fiz uma nota com tanto gosto como esta aqui. Antes mesmo do jogo, ela já estava quase que totalmente preparada. Não, não foi nem uma questão de petulância, mas sim a consciência de que eu não conseguiria escrever muitas linhas decentes durante a final.

Olha, se eu não enfartei hoje, eu não enfarto nunca mais. Nunca pensei que um jogo de vôlei seria aquele que me deixaria mais feliz na vida. Doze horas depois do início da partida contra os Estados Unidos, eu ainda estou pilhada, revendo os VTs na TV a cabo. Quase chorei quando a Tom jogou aquela bola para fora.

Nos últimos quatro anos, eu fui uma daquelas que fiquei com extremo ódio das falhas nos momentos decisivos. Mas, a partir do momento em que fui trabalhar diretamente com vôlei na GE.Net, mais ou menos em 2005, e passei a acompanhar mais de perto a trajetória dessas jogadoras e do Zé Roberto.

Foram alguns desembarques complicados, muitos desabafos e um certo sentimento de admiração por tudo o que elas foram simplesmente massacradas nos últimos anos. Por isso, que hoje foi uma das poucas vezes em que eu mais torci do que trabalhei. Porque é muito bom ver uma conquista obtida através do merecimento.
OBS: Antes que o Fábio brigue comigo, digo que eu não me esqueci da Maurren. Sim, também acho uma história super bacana de superação e tal e depois de ler isso realmente acredito que ela não tenha se dopado de propósito. Mas eu realmente não fico tãããão empolgada assim com o ouro dela, até porque sempre a achei levemente mala (instável, na verdade: tem dia que está super legal e em outros uma tosca de marca maior). E o pior é que depois da conquista, ela ficou agradecendo o Galvão...