27 de abril de 2009

Desafio

Estava eu à toa no Orkut agora há pouco, quando me deparo com uma invasão (nota para os não-iniciados: quando alguém entra no seu profile e, com o seu consentimento, escreve no campo de "about me") no perfil do meu primo. Quem conseguir traduzir primeiro sem chorar de dó da Língua Portuguesa ganha um doce de leite de Minas:

"vai todo mundo para o canto que ah jeny ta chegando utii utii utii vo entra no teu orkut hugo maizii enportantii pra mim Amor zinhu mais lindoO q tem no mundinho da jeny aquii pasando aquii pra dizer ou menhor agradeser por vc ter entradu na minha vidA 
Vc foi um presente de deus 
q todos os dias de sua vida seija os menhores esta perto de vc e um previlheijo A DISTANCIA ENTRE NOIS NÃO PODE SEPARA EO QUE SINTO POR VC NÃO VAI PASSAR uq deus uniu ninguem separá jeny e hugo para senprii te amo ♥"

25 de abril de 2009

O menor estado da federação

A ideia inicial era aproveitar as férias para ir ao Acre tomar Guaraná Jesus e conhecer os Lençóis Maranhanses. Mas pesquisa dali, pesquisa de cá, a Internet dizia que em abril pouco chovia por lá e haveria grande chance de eu caminhar três horas pela areia, debaixo de um sol infernal para me deparar com uma pocinha. Detalhe que o Maranhão está debaixo d'água, mas ok, eu ainda confio no Google.

A segunda opção então era Fernando de Noronha. Entretanto, pacotes na faixa de quatro mil reais por cabeça por uma semaninha não animaram o meu bolso de jornalista. Cidades grandes como Fortaleza e Recife também estavam fora de cogitação. Era preciso um lugar diferente. 

Eis que, fuçando o site da CVC, surgiu Aracaju. Por que não o Sergipe? Eu não tinha a menor noção do que encontraria por lá, mas pelo menos uma coisa estava certa: eu voltaria com novidades, seria quase uma desbravadora, afinal boa parte dos turistas (exceto o Cazavia) que escolhem o Nordeste fazem questão de ignorar "o menor estado da federação", como os próprios sergipanos se definem.

Pausa para um rápido comentário: eu não ouvia a palavra "federação" sem estar vinculada a esporte desde as aulas de Estudos Sociais, na terceira série do Ensino Fundamental. 

Voltemos: vale a pena. Estou escrevendo um texto (gigantesco!) para dar minhas impressões aos interessados no estado e na cidade. Por enquanto, posso dizer que foi uma viagem engraçada desde o início: assim que eu e minha mãe sentamos no avião, conhecemos o Seo Joaquim, um típico exemplar de pessoa que definimos como "interativa".

Sergipano, advogado criminalista, advogado trabalhista, procurador, morador do Maranhão por mais de 15 anos, pai de cinco filhos homens, etc, etc... a figura já tinha contado metade da vida dele antes que o avião sequer tivesse levantado voo de Cumbica.

Disse que estava em São Paulo para aconselhar um cliente em um caso de assassinato (desconfio que o tal cliente era o assassino), que havia se hospedado naquele hotel chique ao lado do aeroporto e o que o filho, cuja mulher está com câncer, foi lá almoçar com ele. A conta deu mais de mil reais. U-hu!

Como se não bastasse, passou a dar em cima da minha mãe descaradamente. Saiu-se com esta: "Você é muito parecida com a minha finada mãe"... para segundos depois completar: "Ela foi a mulher mais linda que eu já conheci". Que beleza!

Depois, quando minha mãe tinha ido ao banheiro, disse que ela devia ser "uma tradicionalista, uma conservadora filha de um pecuarista" só porque ela havia comentado que era mineira e não se arrependia em nenhum momento de ter casado com o meu pai. Claro, acertou tudinho. Só precisa avisar meu avô onde estão as cabeças de gado...

Por mais que tentássemos ler, o seo Joaquim sempre dava um jeito de cutucar nossos braços para iniciar um novo assunto. Falha nossa não saber naquele dia que era possível solicitar fones de ouvido à aeromoça (pobres que nunca anda de avião é assim...) . Seriam de grande utilidade.

Comentários ainda sobre o dia que a polícia de Aracaju havia pedido dois mil reais para matar o suspeito de ter assaltado o filho-médico-que-estudou-em-São-Paulo (ele não aceitou porque, segundo o filho, "era um negrinho mirradinho e não esse gori..., esse negão") e sobre as varizes vaginais que fizeram a mãe dele morrer (sim, chegou nesse nível).

Três horas depois, demos graças a Deus por termos o encontrado em um voo para Aracaju e não para Fortaleza ou Miami. Juro que até outras pessoas no voo vieram nos cumprimentar depois pela nossa paciência com o homem. Já desembarcamos com os pecados perdoados.

As fotos, se alguém tiver curiosidade de ver, estão aqui.

11 de abril de 2009

Vou para Aracaju e me lembrarei de vocês

Beijosmeliguem.

9 de abril de 2009

Será que eles são?

Eu não acredito muito nessas coisas de mensagem subliminar (sub-liminar? sub liminar?). Acho, por exemplo, que a Xuxa chegou onde chegou por meios bem mais mundanos que o famoso pacto com o capeta. Porém, não duvido que compositores/autores/roteristas tenham segundas intenções e as manifestem de vez em quando.

Estes dias mesmo eu estava lendo a revistinha do Cebolinha, número 20, datada de agosto de 2008. A história principal chama-se “A Gincana” e basicamente fala sobre um dia no qual os meninos do bairro do Limoeiro resolvem, a contragosto do Cebolinha, deixar de encher o saco da Mônica para brincar de gincana, se metendo em muitas confusões.

Até aí, tudo bem, não fossem os estranhos trejeitos do Cascão durante toda a história... até minha mãe comentou, logo na primeira vez em que leu a revistinha: “Nossa, olha como o Cascão está esquisito, meio gay...”. Confiram:

Página 3, terceiro quadrinho:

Página 5, quarto quadrinho:

Página 6, terceiro quadrinho:

Página 14, quarto quadrinho:

Página 19, sexto quadrinho (os mais maldosos verão um duplo sentido aqui):

Até o Xaveco, personagem mais secundário do mundo, também manifesta seu lado “biba”. Ou alguém me diz o porquê que um menininho sai do banho enrolado na toalha como se fosse uma menininha...

Página 11, terceiro quadrinho:

Depois que li esta história fiquei com a dúvida: será que eles são?

5 de abril de 2009

Do porquê nós amamos Kimi

Ele é mala, fala "para dentro" e faz a maior cara de saco cheio quando precisa conversar com a imprensa e atender fãs.


No meio da zona que se formou com a paralisação do GP da Malásia, os pilotos não sabiam o que fazer: uns só tiraram o capacete e ficaram esperando impacientes uma decisão. Outros sequer saíram de perto dos carros ou de dentro deles. O Rubinho até usou uma espécie de "galochas" para o pé não escorregar nos pedais, caso a corrida voltasse.

Mas Kimi, nosso herói, não. Ele simplesmente colocou sua Ferrari nos boxes, trocou o macacão de prova por um bermudão e... foi tomar sorvete!


Salvou o meu último final de semana pré-férias, no qual trabalhei de casa e vivi no fuso do Oriente, sofrendo com os bons serviços do Speedy e com uma corrida maluca, ao melhor estilo Lei de Murphy. Culpa do "jênio" Bernie Ecclestone.

* Imagem chupinhada do Blog do Fábio Seixas

Atualização: O vídeo da cena também já está disponível...


Estão dizendo que ele iria abandonar a prova mesmo se fosse dada a relargada, por conta de um problema do KERS. Ainda assim, o finlandês é sensacional.

27 de março de 2009

Previsão F-1 2009 (tá todo mundo louco)

Com a experiência de quem acertou, na cagada, os dois últimos campeões da Fórmula 1, lá vai o meu palpite para 2009:

Rubens Barrichello, com direito a um "chupem" em rede nacional para todo o Brasil.

Bom, em caso de erro feio eu tenho a desculpa de estar fazendo essa previsão na correria e com um sono gigantesco. Portanto, longe das minhas melhores faculdades mentais.

23 de março de 2009

As mal comidas atacam...

Impressionte como, às vezes, você é obrigado a se segurar para evitar maiores dores de cabeça. Segue diálogo ocorrido agora há pouco, com a assessora de um importante ex-atleta:

Eu: (inacreditavelmente pimpona, apesar de ter acordado às 5h45)Oi, fulana. Aqui é Carolina, da Gazeta Esportiva. Tudo bom?
Assessora: (com a maior voz blasé do mundo, depois de uns dois segundos de silêncio). Tudo.
Eu: Então, que queria saber se a coletiva do xxx amanhã está confirmada...
Ela: (mais dois segundos de silêncio) Você vai?

Vontade de responder 1: Não, sua imbecil. Eu só estou ligando para despediçar o meu tempo
Vontade de responder 2: Só se não tiver.
Vontade de responder 3: Não. É que eu tenho prazer em ligar para números de telefones aleatoriamente só para saber o que vai acontecer em São Paulo.
Vontade de responder 4: Não, mas... É que, na verdade, eu sempre gosto de saber o que eu NÃO vou fazer amanhã...
Resposta real: Vou.

Ah, no dia que eu tiver o meu próprio lançador de mísseis...

19 de março de 2009

Jornalismo engraçadinho

Semana passada, um cara se jogou das Cataratas do Niágara. Aposto sem medo de errar que 99,9% das pessoas fizeram a mesma associação com o famoso desenho do Pica-Pau. E isso inclui o editor da capa da Folha OnLine da tarde do dia 12 de março:


Para quem quiser conferir, o link da matéria reportagem está aqui.

2 de fevereiro de 2009

Essas crianças...

Talvez alguém aqui ainda se lembre que eu tenho um priminho meio nervosinho. Pois é, apesar da falta de citações aqui, ele continua aprontando das suas.

Durante os feriados de final de ano, estava todo mundo lá na casa dele, meio sem ter o que fazer. Eis então que ele aprontou algo que eu não sei o que é (e nem vai fazer falta na história!) e tomou uma bronca enorme da mãe.

Ficou então puto da vida e foi sentar com a cara fechadíssima na área atrás da casa, onde já estavam a minha mãe e um tio dele. Os dois então tiveram a boa (?) ideia de mexer com o menino, que estava quieto.

Tio - Ô Marcelo, como é que é o seu nome completo mesmo?

Marcelo - .... (cara mais fechada)

Tio - Como é? É Marcelo Henrique....?

Marcelo - ... (cara mais fechada ainda)

Tio - Nhei? Fala pra gente...

Marcelo (na lata) - Marcelo Henrique fio duma égua!

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Bom, nem é preciso acrescentar que ele tomou outra surra da mãe, que estava perto e ouviu. E nem que o resto da família não conseguiu, naquele momento, colaborar com a boa educação do Marcelo e rolou de rir com a resposta dele.

19 de janeiro de 2009

Yes, we can!

10 de janeiro de 2009

Seu passado sempre vai te condenar

Hoje, no ônibus, um cara conversa com sua amiga/namorada, que por algum acaso estava sentada ao meu lado.

- Está vendo aquele cara ali atrás, de verde?

- Estou sim. Aquele de óculos, né?

- É, esse mesmo. Então... ele estudou comigo quando a gente era pequeno. Só que no meio do ano ele teve que mudar de sala porque fez xixi nas calças e os moleques todos ficaram aloprando.

Moral da história: não importa o quanto você cresça, o quanto você amadureça, o quanto aprenda a controlar seu organismo. Quando você menos esperar, seu passado voltará. Portanto, tomem cuidado.

Fim do momento auto-ajuda.

31 de dezembro de 2008

Cidade Maravilhosa

Duas semanas atrás, no subúrbio do Rio de Janeiro a trabalho.

Entrevistado: Blá, blá, blá, blá... então (apontando para a janela do apartamento), porque esse morro aí atrás é 90% tranqüilo.

Só então reparo que através da referida janela é possível visualizar uma favela comunidade quando se olha para cima

Eu (pensando): Puxa, mas que que tem? Não seja preconceituosa, Carolina

Dez minutos depois, dois estampidos.

Entrevistado (como se nada tivesse acontecido): Blá, blá, blá, blá...

Eu (pensando): Não seja preconceituosa, Carolina. A violência do Rio de Janeiro também não é taaaanta assim. Isso deve ter sido rojão. Ou escapamento de carro. Deixa de ser neurótica!

Mais dez minutos:

Entrevistado: Blá, Blá, blá, blá... então, porque de vez em quando a gente ouve uns tiros aqui, como esses que vieram do morro agora há pouco...

Eu (pensando e fazendo esforço máximo para não demonstrar minha cara de desespero): COMO ASSIM, SEU MALUCO? OS CARAS ATIRAM AÍ NO MORRO E VOCÊ FICA COM ESSA CARA DE “PUXA, QUE NORMAL”?. E SE UMA BALA PERDIDA ME PEGA AQUI? A INDENIZAÇÃO DA FIRMA NÃO É TÃO GRANDE. ONDE É O AEROPORTO MESMO?

Louco, esse Rio de Janeiro.

26 de dezembro de 2008

Interior

Um Feliz Natal a todos, antes de tudo. Ignorem o fato de hoje já ser dia 26.

O bom de Minas Gerais é que só uma pessoa da minha família tem, ao mesmo tempo, internet banda larga em casa e intimidade suficiente comigo para que eu possa usá-la sem criar clima de constrangimento. Mas como ela prefere me ensinar a lavar o Carnossa da maneira correta (estava sujo que só...), só abri meu e-mail uma vez desde sábado.

Incrível como a gente consegue se livrar fácil, fácil dessas coisas de computador. Aproveito então para exercer meus dotes de babá, que só aparecem uma vez ao ano, justamente nesta época. Ao todo, são oito crianças de até dois a seis anos - todas devidamente uniformizadas com a camisa verde-limão do Palmeiras e que tiram um sarro da tua cara porque você puxa o erre, um absurrrrdo por aqui.

Mas abriu uma lan house aqui perto e o vício não resistiu. Só que já, já vou embora porque é preciso comprar pão de queijo, que são incrivelmente baratos por aqui. Dá até raiva de pagar mais de um real a unidade em São Paulo.

São Paulo? É, eu vi na parabólica que está chovendo a cântaros lá, assim como no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Aqui chove e esquenta, chove e esquenta. A passagem de volta está marcada para domingo (por que a São Silvestre não é em maio?), mas a chegada mesmo no Tietê é só na segunda. Longe demais, principalmente quando quatro caras ficam a VIAGEM INTEIRA conversando e mexendo com o povo. Inacreditável a minha sorte para essas coisas.

O ruim de lan house é que eu sempre acho que o tempo está acabando e isso potencializa a procrastinação de não escrever nada aqui. Então, eu leio um monte de blog em uma mal feita leitura dinâmica, dou uma passada lá no serviço que ninguém é de ferro (workholic!), vejo os e-mails, lembro que o Rodrigo deve estar p*to da vida porque eu não cumpri a promessa de organizar as traduções...

Graças a Deus, o pequi ficou longe de mim dessa vez. Nem o cheiro eu senti. O celular também não pega por aqui, graças aos bons serviços prestados pela Vivo. Mas tem até o lado bom porque o isolamento te faz pensar tudo e refazer as promessas não-cumpridas dos anos anteriores. E que é claro não serão cumpridas de novo (ou não).

Ah, e também dá para pesquisar bastante nos camelôs a quarta temporada de Lost, que eu não consigo baixar no meu computador paulista nem por milagre. Igualmente bom para se livrar dos calos do show da Madonna ((modo gay on) Diiiiivvvvvaaaaaaaaaa (modo gay off)).

Interior é assim.

13 de dezembro de 2008

O espírito natalino

Estava lá eu essa semana, sentada quietinha em um dos bancos da frente (e solitários) do ônibus, lendo o meu livro sossegada. Daí, no ponto em frente ao "Quarteirão da Saúde", em Diadema, entra um cara com toda pinta de mano e fala/grita para o motorista:

- Tem duas muié brigando no busão aí da frente!

Pensei comigo: "Ah, esse mano aí só tá querendo tirar uma com a cara do motorista...". E voltei a ler o livro.

Só que segundos depois, comecei a ouvir de longe gritos de mulheres. O referido ônibus da frente também começou a demorar mais que o normal para sair do ponto. Porém, como eram daqueles veículos sem janela traseira e na calçada nada de anormal acontecia, pensei comigo: "Ah, fiquei com a história no inconsciente e estou imaginando coisas...". E voltei a ler o livro.

Nem uma frase lida depois, eis que surgem na calçada duas mulheres, uma mais agarrada que carrapato no cabelo da outra, com olhar de "Chuck, o Brinquedo Assassino" e soltando toda sorte de impropérios.

Não preciso nem dizer: é óóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóbvio que a esta altura todo o meu ônibus já estava na janela em busca do melhor lugar para acompanhar a briga. Posso dizer que era uma privilegiada porque da minha posição eu tinha uma boa visibilidade para o duelo. Mas certamente eu iria para a janela se não estivesse lá.

Foi então que surgiu um cara, daqueles gordo e alto (o popular armário), e conseguiu separar as duas, que continuavam ensandecidas e gritando palavras que eu não vou reproduzir aqui porque isso é um blog de família. Uma delas então pegou um objeto preto - imagino que fosse a bolsa da outra - e jogou no meio da rua entre os carros. Isso voltou a emputecer a adversária, que só foi segurada pela turma do deixa-disso.

Então, entre cabelos desgrenhados e unhadas na cara, os ônibus partiram e começou o debate. "Por que briga de mulher é só cabelo? Tem que dar é chute no estômago!", uma disse. Outro, que havia entrado no ônibus durante a confusão, completou: "O cara que estava separando tinha jogado as duas para fora do ônibus com tudo. Ha-ha-ha". Mas quem resumiu tudo, com muita sabedoria, foi o motorista:

"É o espírito natalino".

7 de dezembro de 2008

Mais uma profissão descartada

Quando eu era pequena, lá pelos meus 7 ou 8 anos (acho), houve um tempo, na verdade alguns dias, no qual eu fiquei absolutamente alucianada por futebol. E quando eu escrevo alucianda aqui, é alucinada mesmo: eu via alguma referência ao esporte bretão em qualquer coisa que estivesse ao meu redor.

Foi nesta fase, mais ou menos, que eu comecei a sonhar com resultados de algumas partidas. Claro que, não sendo eu filha da Mãe Dinah, nem sempre os placares reais correspondiam ao do meu inconsciente. Mas uma coisa era batata: se eu sonhasse que o Palmeiras perdia, o Palmeiras perdia mesmo.

Foi assim com o Campeonato Paulista de 1995, quando perdemos para o Corinthians. E olha que nessa época o meu fanatismo já tinha diminuído bastante, se comparado ao que tinha sido.

Pois bem, de uns anos para cá, eu simplesmente parei de sonhar com resultados. Essa semana, porém, as "premonições" voltaram e eu tive a oportunidade de saber se elas estavam melhores que antigamente, ou seja, eu prevendo placares de jogos que não eram do Palmeiras.

Tudo bem que a coisa já começou mal: no meu sonho, o São Paulo jogava pela última rodada do Brasileirão 2008 no Morumbi e contra o Atlético-MG. Licenças poéticas, à parte, o resultado era o mais bizarro: com cerca de 30 minutos de jogo, o Galo já vencia por 3 a 0. Mas o jogo não estava definido, os paulistas correram atrás e em outro momento do sonho a desvantagem era só de um gol: 4 a 3.

Por uma dessas coisas loucas de sonho, não lembro de mais nada depois disso, só o pós-partida; Atlético 6 a 3 e Grêmio campeão. Bom, como todo mundo que não mora em Marte já sabe, os resultados passaram bem longe disso, dando a certeza de que minha vocação não é mesmo para vidente.

Complemento: Antes que os são-paulinos se manifestem: sim, pensando racionalmente foi merecido, eu admito. Em um outro post, eu explico o que eu achei disso tudo. E espero assim encerrar o assunto futebol em 2008.

Em tempo: a fase alucinada por futebol acabou quando eu levei uma senhora bronca dos meus pais - provável que eles nem se lembrem disso - depois de dizer: "Olha, Brasil e Equador estão jogando" ao passarmos, de carro, diante de uma dessas quadras de futebol society em São Paulo. Lembro que fui absolutamente proibida de falar de futebol, tamanho era o saco cheio deles.

6 de dezembro de 2008

Nova fase

"Esse Papai Noel parece um velho ermitão tarado"

Este foi o primeiro comentário que minha mãe fez quando eu, toda empolgada, a chamei para ver o novo design do Nossa, Canossa. Como o Natal já está logo ali e, consequentemente, serei obrigada a mudar a imagem, resolvi ignorar a referida observação.

Aliás, trocar a imagem acima com uma frequência aleatória é uma das idéias para a nova fase deste blog que, tadinho, andava meio abandonado (a ponto de tomar um puxão de orelha público do Bianchin). Culpa da ressaca olímpica, da loucura da Fórmula 1, de uma série de mudanças aqui e acolá e, principalmente da minha procrastinação.

Tentarei - mas não garanto nada - evitar que este espaço continue adepto do slow-blogging. Aos poucos também quero dar uma melhor atualizada nos links da direita. É, eu leio várias páginas que não estão aí, mas estou com preguiça de procurar agora.

Resolvi ainda acabar com aquele brega estiloso verde-laranja (Deus, onde estava o meu bom gosto esse tempo todo?). Foram alguns bons minutos de luta contra o Photoshop e, principalmente, contra o maldito plugin do Flash do meu Firefox, que insiste em dar pau, no mínimo, uma vez a cada dez minutos, fechando o navegador.

Enfim, comentem as mudanças se acharem que devem comentar. Ou não.

9 de novembro de 2008

Interlagos, dia 2, 3 e 4

A demora em continuar a saga de Interlagos se deu por apenas um motivo: resolvi só voltar a escrever depois que a batata da perna de uma japonês se curasse, o que comprovaria que a minha fúria já estava aplacada.

"Como assim?", alguém deve estar se perguntando.

Bom, primeiro vamos por uma dica essencial na cobertura: para evitar descer do saltinho, nunca, mas nunca tente entrevistar um emergente astro inglês quase amarelão e agora campeão de Fórmula 1 depois de um milhão de anos de jejum no país dele. Sim, porque a chance de você se ver envolta e esmagada por milhares de cinegrafistas, fotógrafos e o que quer que seja é de 150%.

Mas eu não tenho o costume de obdecer as minhas próprias dicas. Para piorar, como o inglês campeão ficou fora do pódio na corrida, a master-organizada Federação Internacional de Automobilismo não o convocou para subir até a sala de coletivas, a despeito de ele ser o mais jovem e o primeiro afro-saxão (esse termo existe?) a ganhar o título.

Em resumo, a zona de jornalistas internacionais estava formada.

Eu, pensando que era esperta, me posicionei de modo a ficar quase cara a cara com o Hamilton onde eu imaginei que ele daria entrevista. Mas eis que o nosso amiguinho (shit!) resolveu mudar de local - foi basicamente para frente de onde era antes (shit, shit!) - e, como diriam os meus avós, eu perdi o bonde no meio da manada.

Tentando me equilibrar, primeiro tomei na cara, quase no olho, o suporte de uma lente de longa distância de um fotógrafo gringo. A estupidez do ser foi tamanha que na hora a Mariana Becker, da Globo, se prontificou a se indignar e perguntar se estava tudo bem e tal, com mais algumas pessoas que eu não lembro que eram. Estava sim, nem foi tão forte e quase nem doeu (de verdade).

Fato é que eu resolvi não me vingar naquela hora. Afinal, não ficaria bem eu dar uma de louca descontrolada na frente de um monte de coleguinhas brasileiros. Passou-se então mais um tempo e a muvuca se moveu naqueles mesmos metros quadrados e as pessoas se misturaram entre si. Foi aí que apareceu um fotográfo japonês tentando se enfiar lá no meio, me empurrando com toda a grosseria do universo.

Pausa para falar que eu entendo o trabalho dos lambe-lambes, que eles precisam da imagem para não serem demitidos e tal, mas um mínimo de educação é essencial, não? Fim da pausa.

Sem ninguém conhecido por perto eu, já extremamente puta da vida, pensei: "Ah, dessa vez não passa". Coloquei em prática meus conhecimento de jornalismo-taekwondo.

Ciente de que eu não consigo dar uns chutes tão altos quanto o da Natália Falavigna, me contentei em mirar bem a batata da perna do japa, colocar toda a minha força no pé direito e desferir um belo de um chute. Na hora, o cara estava tão envolto na adrenalina que continuou a bater fotos (do Hamilton, não minha). Sei também que a minha força não é das maiores, especialmente agora que estou há meses sem nem passar na frente da academia, mas tenho absoluta certeza que ele encarou vinte e tantas horas de vôo de volta com a perna bem inchada. Deve estar melhorando agora, uma semana depois de desferido o golpe.

É óbvio que alguém deve estar se perguntando o porquê de tal atitude. Antes de tudo, não eu não sou psicopata louca que sai batendo nos outros - apesar de ter vontade, nunca posta em prática, de dar umas voadoras em certos usuários do Metrô. Talvez eu sejá só um pouco esquentadinha.

Mas é que eu já estava realmente irritada. Primeiro porque a Lei de Murphy resolve agir sempre e a nova tecnologia de acesso à Internet disponibilizada pela empresa simplesmente era mais lenta que conexão discada. Tudo bem, se eu não trabalhasse para um SITE. Depois porque por mais bem-feito que seja o lanchinho da sala de imprensa do autódromo, no quarto dia seu intestino passa simplesmente a recusá-lo (é, é quase isso o que vocês estão pensado).

Trabalhar mais de dez horas no próprio dia e nos seis anteriores não é problema quando você gosta do que faz (ainda mais quando você tem a oportunidade de vivenciar in loco um momento da história do esporte). Mas ter o puta azar de chover justamente no dia que você tem que ficar parada na frente dos boxes da Renault porque o Nelsinho rodou na primeira curva é realmente foda. Ainda mais porque ele nem falou e todo o seu trabalho de sentir in loco a meteorologia de Interlagos foi para o saco.

Ah, tem o resultado. Sim, foi muito interessante ver todo aquele autódromo explodindo de alegria e depois broxando com o êxito e queda do Massa, inclsuive os boxes da maioria das equipes. Nessa hora eu já nem sabia mais de nada e o que me salvou mesmo foi o radinho a pilha de 9,90 que eu levei para lá.

Só que... querem saber? Voltei morta, mas foi muito, muito divertido vivenciar o tal do gramour da profissão - aliás, eu até apareço do vídeo oficial do GP do Brasil (um doce para quem me achar).

Enfim, só agradeço a bênção de ter pensado antes em pedir para o pessoal da redação escrever anota da corrida (senão eu tinha enloquecido mesmo). E ainda bem que eu não tinha feito chapinha.

31 de outubro de 2008

Interlagos, dia 2

Como o cansaço está grande, por enquanto só vou contar a cereja do bolo: na hora de deixar o paddock, topei com Galvão Bueno, o próprio, que era mais assediado que o Felipe Massa.

Nada mais adequado para um Halloween despercebido.

Interlagos, dia 1

Pouco antes das dez horas da noite e eu cruzando Diadema de volta para casa depois de mais uma maratona de trabalho esta semana. Na cabeça, as lembranças de um Kimi mais solícito que em 2007, porém ainda Kimi, um Hamilton bem mais baixinho do que eu imaginava, a estranheza de ter ficado a menos de meio metro do Alonso mais-tampinha-ainda, o Massa que eu não aguento mais ver, além de Nelsinho e Rubinho, outras figurinhas tarimbadas. Sem contar um sem-número de pessoas antes só vistas na TV e que - óh - existem mesmo.

No meio daquele monte de gente também voltando de seus respectivos trabalhos, eu só tentava ter idéia de quantas risadas irônicas eu seria vítima caso começasse a contar que, eu ali no meio de todos eles, tinha "passado o dia" junto com tais nomes. No mínimo, iam fugir do ônibus no ponto seguinte achando que eu estava prestes a colocar fogo em tudo.

Vida de repórter é estranha mesmo.

Bom, hoje foi a minha estréia de verdade no circo da Fórmula 1. Até o ano passado, o meu máximo era ir até o último dia que Interlagos estava aberto para a galera, a quarta-feira antes do GP. Mas esse ano eu consegui a credencial, aliás, a mais bonita que eu já vi. Estava aberto parte daquele mundo que parece só estar na TV.

Para quem tem curiosidade de saber como é cobrir um GP, vou tentar passar algumas impressões aqui. A primeira é que você inevitavelmente vai se perder a caminho da sala de imprensa e/ou coletivas em sua estréia e nenhum funcionário será capaz de te passar essa simples informação. Então vai andar, andar, andar com uns 200kg de equipamento nas costas até descobrir que era bem perto e você deu um monte de volta à toa.

O segundo aspecto importante é estar com a auto-confiança em dia. Porque dinheiro não significa necessariamente educação e o povo da Fórmula 1 é meio escrotinho mesmo, que diga a assessora da Renault e o carinha da McLaren encarregado de distribuir bloquinhos para os jornalistas, que praticamente os tacava na mesa. Cheguei a temer pela tela do laptop.

O terceiro é descobrir que a sala de imprensa é um lugar gigantesco, com 1437 mesonas em que cabem uns 15 negos cada e que já estão devidamente marcadas - quando você, chega escolhe algum lugar (no meu caso, aleatoriamente) e permanece lá até o final dos tempos. Ah, lá no fundão tem lanchinho, água e refrigerante, mas você vai demorar alguns bons minutos até ter certeza que é "di grátis". Bom, ao menos alguma coisa tem que ser assim, já que o wi-fi custa os olhos da cara (e olha que os meus são azuis).

Descobrirá também que nas coletivas os pilotos com sotaques mais estranhos parecem desconhecer o microfone só para ajudar no seu trabalho de adivinhação. Aliás, é bem mais fácil entender quem não tem o inglês como língua materna, como o accent Leste Europeu do Kubica e o accent espanhol do Alonso, que puxa todos os erres como o Galvão Bueno quando vai exaltar o Ronaldinho. Ok, nem tanto.

Sim, você também estará cercada de gringos por todos os lados e perceberá atitudes estranhas deles, como começar a falar alto sozinho "Son of a Bitch" olhando a tela do computador, dar dois socos na mesa que você também está, levantar e sair falando "What a fuck" e depois voltar todo simpático com a menina da organização dizendo-se australiano. Desculpem o preconceito, mas a partir de hoje eu vou partir da premissa que todo australiano tem um quê de Dado Dolabela.

30 de outubro de 2008

De volta (ou não)

Correria maluca e muitas inserções no mundo dos ricos na última semana. Primeiro, Athina Onassis Horse Blá Blá Blá Show e um encontro com toda a altíssima classe paulistana (menos traumático que no ano passado, mas ainda assim traumático porque quase fui expulsa ao querer fazer meu trabalho - conto depois em maiores detalhes).
Depois, "jogar" golfe com a Daiane e o Cielo em clube bacanudo inserido numa área pobre da zona Sul. Na sequência, milhões de coisas a fazer com a aproximação da F-1 no Brasil. Os carros então chegam e é hora de ir a Interlagos. No meio do caminho, porém, é preciso ver o Massa doando livros em escola pública ao mesmo tempo em que se enrola para dizer qual foi o último livro que leu.
Daí que é a vez de ver o "principezinho" (gay?) Nico Rosberg em um hotel "outro pedigree" da Avenida Paulista. No dia seguinte voltar ao golfe bacanudo para falar com o Nelsinho, acompanhar a mala do Webber (desculpe, Mané) e rir das piadas do David Coulthard. Agora, correria para dar um alô ao menino Kimi em um terceiro hotel fodástico e ver o que Hamilton tem a dizer no autódromo.
Tô quase virando burguesa.