25 de março de 2008

Faculdade de família


(Crédito: Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem)


Foto descorberta por acaso no UOL no dia 25 de março. A imagem retrata uma ação da PM e da Prefeitura da na Cracolândia.

24 de março de 2008

Canossa, a masoquista

Resolvi abandonar o sedentarismo e me matriculei na academia na última quinta-feira, para começar no dia seguinte.

Mas aí minha pediu para eu não ir na sexta, pois a tradição familiar manda que não façamos nada muito alegre no dia que Jesus morreu. Como não custava nada, aceitei.

No sábado, toda pimpona, acordei relativamente cedo, me arrumei e fui. Quando cheguei lá, descobri que estava diante um problema pontual e só depois das 14 horas haveria um professor para orientar minha primeira aula. Voltei para casa, depois de encarar 20 minutos de caminhada.

Depois do almoço, lá ia eu de novo, quando justamente na hora de sair começa a descer o maior toró. Mas meu pai, em uma atitude muito bacana, ficou com dó de mim e minha da roupa nova e me levou de carro.

Cheguei lá e me matei por mais de uma hora. Na volta, um caminhoneiro cuja mãe tem moral contestável passou a toda velocidade por uma poça (oriunda da chuva do começo da tarde) e molhou todo o meu lado direito.

Por causa da minha bendita idéia, acordei quebrada ontem. Até já posso dizer que sei com qual sensação com a qual Judas Iscariotes acorda todo domingo de Páscoa. Mas ele, pelo menos, não pagou para isso.

Não sei o porquê, mas acho que os céus não querem me ver em boa forma...

20 de março de 2008

The book is on the table

Se houve uma coisa que eu decidi quando vi pelo última vez as "espetaculares" aulas daquele professor que tem apelido de humorista foi que em 2008 eu não me inscreveria em nada que se denominasse "outra faculdade" ou "pós-graduação".

Por outro lado, eu também não queria ficar apenas trabalhando, de forma que decidi retomar o curso de inglês. O problema é que se tem uma coisa para a qual eu não tenho muito saco ultimamente é para uma sala de aula com cinco indivíduos desconhecidos entre si sentados em círculo e tentando ler/escrever/ouvir/falar a língua de Shakespeare em uma sessão de humilhação coletiva.

Além disto, eu também não estava com a menor vontade de ter um compromisso fixo vários dias por semana e ter meu aprendizado determinado por um plano já pré-estabelecido. Foi então que eu lembrei do Método Kumon, que me ajudou bastante com matemática nos agora longíquos tempos do vestibular. Liguei em uma unidade próxima de casa e descobri que eles também ofereciam aulas de inglês. Perfeito.

O problema do Kumon é que os caras são cricris. Um pontinho final esquecido já te derruba, sem contar que o baixo tempo de resolução também é fundamental. Una isto ao fato de o sistema exigir que o aluno tenha uma excelente base até avançar para conteúdos mais complexos, de maneira que não se enrole tanto (o que é ótimo no futuro).

Disse tudo isso para revelar que comecei no segundo grupo de exercícios mais baixo, o 4A. Até que estava gostando, quando de repente eu me deparo com o seguinte exercício, dotado de uma dificuldade estupenda... só não dou um doce para quem conseguir resolver porque eu sou legal e postei a imagem com a resposta correta já escrita.


15 de março de 2008

Ossos do ofício

Ontem no final da tarde eu perdi mais de duas horas fazendo a nota mais bizarra de toda a minha vida. Então, para que todo o meu trabalho não seja em vão, peço que todos colaborem comigo:

- Cliquem neste link aqui, dêem só uma lidinha rápida, e fiquem apertando F5. Se a minha proposta der certo, a nota vai bombar de audiência e eu vou ficar feliz.

Sério, o que é esse esporte dos pocotós? Imagina assistir cavalinho levantando patinha para ganhar ouro às 3 horas da manhã em agosto, durante as Olimpíadas. Nãããããooo!

Rápido pitaco sobre a Fórmula 1 - Vou antecipar a previsão que me consagrou em 2007: Kimi será bicampeão do mundo este ano, apesar de ele já ter voltado ao normal e toda a sorte de Interlagos ter se revertido em um puta azar logo no primeiro treino classificatório.

Ah, e depois do que eu vi no treino, também vou dar uma força pro Kubica. Ele é feião, mas dizem que muito gente boa, o que é raro naquele meio. Vide Nelsinho Piquet, que é bom piloto , mas merece tomar umas na cabeça - como já está tomando na Austrália - para baixar um pouco a petulância (informações tiradas daqui). Massa? Não, não vai ser campeão de novo.

A falta do tal controle de tração? É, vai tornar as disputas muito mais legais. Só que tem uma coisa: por enquanto, está todo mundo dizendo que foi ótimo, é isso mesmo que a Fórmula 1 precisava e tal. Na hora que o primeiro piloto se esborrachar no muro, as opiniões vão mudar, vocês vão ver.

Vou ficando por aqui. E lembrem-se: prestigiem minha nota de adestramento!

8 de março de 2008

Só falta salvar a princesinha!

Quem conviveu por muitos e muitos meses naquele prédio bizonho da Avenida Paulista sabe que o André, amigo da Cinthia de Curitiba, tem absolutamente toda a razão em suas teorias: a primeira é que a Cásper Líbero é a versão brasileira de Hogwarts. A segunda – descoberta recentemente – que assim que se passa por aquelas catracas, você está adentrando em um videogame. Praticamente apertando o “Start” do seu SuperNes

(eu sou do tempo em que os 16 bits eram A tecnologia. Céus, como estou velha!).

Como assim um videogame, vocês devem estar se perguntando? E eu respondo: mais precisamente como um cartucho de plataforma. Você precisa ir conquistando pontos e tempo de prática para ter acesso a novos lugares. Pode reparar: há escadas e portas da FCL que você só descobriu depois de dois ou três anos circulando quase que diariamente por lá – na verdade, não necessariamente elas saem em algum lugar do planeta Terra.

É simples: elas sempre estiveram lá, mas os primeiroanistas, por exemplo, não possuem as habilidades e experiências necessárias para visualizá-los. Vou dar um exemplo: somente em um dia qualquer do meu último ano de Cásper é que, de um dia para o outro, quebraram uma parede do TB e atrás surgiu uma megasala. Já o teto do quarto e do quinto andar são praticamente um bunker de sobrevivência na guerra. Qualquer hora, vai aparecer uma piscina olímpica onde horas antes você julgava haver apenas uma parede.

Mas eu só escrevi tudo isso para contar uma das coisas mais legal que me aconteceram nas últimas semanas. Na condição de ex-estagiária e quartoanista, tive o direito de chegar praticamente à última fase do jogo – só falta agora derrotar o Browser e salvar a princesinha! Sim, eu subi lá na antena da Gazeta, um lugar cujo o acesso me foi negado milhares de vezes em quatro anos de faculdade.

Para começar: ao contrário do que eu imaginava, o 15º andar do prédio é só o início do fim. Descendo do elevador falante que aterrisa ali, você ainda deve virar à esquerda e subir um monte de escadas. É preciso subir, subir e subir até ficar bem cansado. Este é o momento em que você vai se deparar com... um portãozinho trancado. Daí, será necessário trocar todos os pontos acumulados nas fases anteriores pela chave que o abre e lhe dará acesso um tanto de escadas. Superados os degraus, você vai se deparar com um pequeno espaço de dois por dois a céu aberto que mais parece a laje de uma casa de periferia.

Faltou o varal e a roupa secando, mas deve ser porque o dia estava nublado. Mas não se decepcione: basta subir mais um pouco em uma escada que parece escada de casa de periferia que você estará no ponto mais alto de São Paulo (segundo o bombeiro que nos acompanhou (sim, éramos um grupo), o número 900 é o ponto mais alto da Paulista, que, por sua vez, é a avenida mais alta da cidade) e poderá observar absolutamente toda a cidade que nem é tão grande assim.

De lá, é possível ver a zona leste inteira sem correr nenhum risco. O Parque do Ibirapuera então, ó, é logo ali. Região da Berrini, Congonhas, Paulista com um monte de bonequinho lá em baixo... só não dá para ver São Bernardo porque (acho que) a gloriosa cidade do ABC Paulista fica dentro de um buraco, mais conhecido como vale.

Reza a lenda que o projeto inicial era torrar o dinheiro do Tio Cásper construindo o maior prédio de São Paulo na Paulista e de cujo topo – um terraço, ao estilo do Edifício Itália – seria possível visualizar o mar. Mas o dinheiro acabou antes e tudo ficou pela metade, ou talvez nem isso. O fato é que os 68 mil metros quadrados de área foram inaugurados em 1966, 17 anos antes da antena da TV Gazeta, que tem 85 metros de altura. Faltou apenas deixarem a gente subir no topo dela.

A construção mesmo, porém, começou por volta de 1947 (pensa que é fácil fazer aquele monte de labirinto?) e em 1991 a prefeita Luiza Erundina instituiu que ali seria o marco zero da avenida Paulista. A propósito, quem estiver passando perto do prédio por volta do meio-dia irá ouvir um insuportável e alto alarme, que antigamente tinha a missão de avisar que a última edição do jornal “A Gazeta” estava saindo. Sorte que eu subi lá depois das 12 horas...


Vou também aproveitar para desfazer uma lenda: a antena da Globo NÃO fica ali, mas sim em um prédio próximo. E o povo da Vênus Platinada é tão, mas tão folgado que eles foram subindo aquela joça o máximo que puderam, até a Infraero se tocar que estava começando a ficar perigoso para a rota dos aviões que descem em Congonhas. E, claro, trata-se da única antena da região que é pintada em tons prateados, contrariando a sinalização contra acidentes aéreos. Sim, estar fisicamente no alto da FCL é uma experiência espetacular, mas para poucos! Ainda bem que eu deixei de almoçar direito aquele dia. Pelo menos agora, eu posso morrer feliz.



(Canossa e a Zona Leste ao fundo - se você observar bem, vai enxergar o prédio do Banespa também)


(Canossa, a Paulista, a antena irregular da Globo e a Zona Sul ao fundo - ainda bem que o celular do André tinha câmera, senão eu iria me martirizar pelo resto da vida por não ter registrado o momento)


4 de março de 2008

Bem-vindo ao maravilhoso mundo dos bancos

Deus, o InternetBank do Bradesco tem tanta obsessão com segurança que chega a ser irritante. Falta pedir para você peidar ao lado da CPU para analisar a composição dos seus gases. E o pior é que eu não confio que meu dinheirim suado realmente esteja seguro.

Dá vontade de mandá-los a mer** e ficar com toda a grana da conta (que já nem é muita mesmo) só para se livrar desse inferno. Mas até para isso deve ter uma burocracia do tamanho da Avenida Paulista.

Falando em inferno, alguém aqui já tentou cancelar um cartão de crédito porque não usa essas coisas e, consequentemente, não quer pagar a maldita anuidade? Pois bem, acho que essa opção é inexistente no universo. Só pode ser. Mas vou continuar tentando.

Se bem que acho mesmo é que vou começar a guardar dinheiro debaixo do colchão.

29 de fevereiro de 2008

O dia de 30 horas e a arte da procrastinação

Alguém aqui ainda se lembra daquele slogan do Unibanco, no qual o dia tem 30 horas? Ou daquele poder da Punk, a levada da breca, em que ela junta os dois dedos indicadores e pára o tempo? É, eu realmente precisava a aprender fazer esses truques. Eu ando com a leve impressão que o tempo tem passado mais rápido ultimamente. Quando percebi, já estava há quase 20 dias sem escrever aqui, a despeito da idéia de tentar atualizar o espaço com mais frequência.

A verdade é que, como diria a filósofa Narcisa Tamborindeguy, os últimos dias foram um "loucura". Na últimas três semanas eu engrenei de vez no novo (velho) emprego, fui trabalhar em Franca (juro que teve gente que pensou que tinha sido na França), colei grau, badalei na festa de formatura, ganhei cariucatura, dei entrevista para a Bárbara Gancia (e ganhei mais uma história bizarra na vida) e tive o direito de ter acesso a um dos lugares mais visados de um certo ponto de determinada avenida de São Paulo. Ah, e eu também comemorei o fato de a Escrava Isaura estar finalmente livre.

Mas isso tudo não é desculpa perto da minha grande procrastinação. Ando com uma incrível capacidade de me atrapalhar na hora de organizar as coisas que eu tenho de fazer e o blog é quem paga o pato. Se eu já tô assim em fevereiro, não tenho idéia do que será de mim no final do ano.

13 de fevereiro de 2008

Aniversário

Há exatamente um ano, este blog nascia de parto normal, no meio da madrugada e com muito sangue. Feitas as devidas limpezas no bebê, ele foi registrado como "Nossa, Canossa!" e passou a se desenvolver ao longo do tempo, alternando momentos de gracinhas encantadoras com birras memoráveis.

Atualmente, já engatinha com grande habilidade e consegue dar um ou dois passos em pé antes de se esborrachar no chão. De vez em quando também sofre com a febre ourinda dos dentinhos que estão nascendo, a qual todo pediatra insiste em denominar erroneamente como virose. Faz cocô durinho e fedorento.

Ainda toma leite no peito e come muita papinha, além de maçã e biscoitos em pequenos pedacinhos. Já balbucia algumas palavras e entende tudo o que dizem para ele. Em breve, estará correndo por esse mundo da Internet, que terá que tirar todos os objetos da parte de baixo do armário.

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A verdade é que quase toda a festinha planejada para o primeiro ano deste blog deu errado. Primeiro, porque a minha idéia inicial era comemorar este dia com o post de número 100. Até tentei me programar, mas acabei vacilando e esta pe a 93ª mensagem escrita nesta página.

Depois, eu também tive a maravilhosa idéia de comemorar esta primeira primavera (trava língua!) mudando o layout da página. Entretanto, fui acometida por uma crise de criatividade e não consegui pensar em nada de bacana. Como eu não queria somente mudar as cores, o "Nossa, Canossa!" vai ficando verde e laranja por enquanto... ou melhor, se alguma boa alma se dispor a fazer isso para mim ganha um almoço acompanhado por mim em um lugar barato e que aceite VR.

E, em terceiro lugar, a idéia era colocar este post no ar logo nas primeiras horas do dia 12, mas isto não foi possível porque a Internet ficou mais de 24 horas fora do ar aqui em casa e também porque hoje eu trabalhei bastante e somente agora eu pude redigir estas linhas. De qualquer forma, um "arigatô" a todos os leitores.

Mas há uma coisa que deu certo nas comemorações, afinal eu finalmente vou atualizar os blogs linkados aí na direita e que valem a pena serem lidos: agora estão adicionados o "Prefiro Pegar Pneumonia e Morrer", do excelente Victor Biachin (está meio desatualizado, mas tenho fé que ele ainda vai nos divertir mais), o "Paris na Linha", que conta as aventuras francesas do glorioso Elói Silveira, o "Quotations", da sempre ótima Carmen Guerreiro, o "Martini Seco", dos leitores (quase) anônimos Gabriel e Léo Barbosa, o "Ponto de Fuga", da pertinente Amanda, o "D'Propósito", da pensadora Camila Dayan e o recém-descoberto "Publicações Vol.3", da Marilia Zannon.

Ah, também aproveito para tomar vergonha na cara e finalmente enterrar o finado "Indecências", e transformá-lo no novíssimo "Enaoltil", ambos escritos ótima contadora de causos Lelê, que é irmã do Rodrigo Martin e amiga do Elói. Tem também as fotos do Túlio Vidal, com destaque especial para a denominada "Mãe e Filho". De famosos, vou apenas colocar o do PVC, que é o melhor comentárita de futebol deste país. Saem de cena o "Perólas das Assessorias..." e o "Balde de Gelo", enquanto Juca Kfuri estará com o link a prêmio até passar a má fase e ele voltar a ser o espetacular jornalista que é.

Para finalizar, digo/escrevo que pretendo copiar o Trotta e, na medida que a minha procrastinação permitir, responder aos comentários. Só para finalmente terminar mesmo, inicio a campanha: "Vitim, Monte, Nara e mamãe, façam um blog!".

10 de fevereiro de 2008

Da série: "Coisas futebolísticas bizarras do mundo" - Parte II

Quem é que nunca torceu por uma autêntica videocassetada naquelas comemorações circenses do futebol? Pois é, já aconteceu...



O lance é da final do Campeonato Gaúcho de 1977, entre Grêmio e Internacional. Os dois times haviam empatado em pontos durante a fase final, o que provocou a necessidade de um jogo-extra. A decisão foi vencida pelo Tricolor dos Pampas por 1 a 0, ou seja, justamente o gol do vídeo.

Alucinado pelo próprio feito, o centroavante André Catimba quis dar um salto mortal. Só que sentiu uma fisgada na coxa em pelo vôo (as más línguas dizem que, na verdade, ele se atrapalhou), tentou uma abortagem da operação, um pouso de emergência... mas acabou mesmo se estatelando no chão. Teve que ser substituído.

A foto do lance é tão legal quanto o vídeo. Uma pena que na época as transmissões de TV não tivessem 5234 câmeras espalhadas pelo campo para captar melhor este momento épico...




OBS: Para saber mais sobre lesões bizarras, vale a pena dar uma olhada nesta coluna aqui do Eduardo Viera da Costa, na Folha Online.

8 de fevereiro de 2008

Caminhos do Coração

Quanto mais duas pessoas estudam, mais intelectuais vão ficando seus papos e melhor é o nível de suas opções culturais, correto? Talvez nem sempre. Eu tenho um primo lá em Minas que é formado em letras, tem pós-graduação e chegou ao patamar de ser um professor respeitadíssimo. Definitivamente, não lhe falta emprego, seja em escolas públicas, particulares ou em cursinhos. Na sala de aula, é visto como um mestre bastante exigente, além de dono de uma excelente metodologia para explicar a matéria. Porém...

Adivinhe qual foi o programa televisivo que mais o divertiu no período de férias? Não, não, esqueça programas da TV Cultura. Telespectador que seria visto como exemplar pelo bispo Macedo, ele passa parte considerável do tempo na Record. E você pode ter certeza que toda noite, ele estará no canal 7 (que lá não é 7, mas 11, eu acho) assistindo a melhor novela da atualidade: “Caminhos do Coração”, aquele folhetim permeado por mutantes.

O pior é que ele tanto me falou sobre as aventuras do policial federal Marcelo e da mutante Maria (o casal protagonista da novela) pela clínica da Dra. Júlia (que criou os primeiros mutantes através de modificações genéticas), que eu resolvi assistir. E me viciei, o que é pior. Mas o fato é que, à sua maneira, a versão tupiniquim de X-Men e Heroes, é muito boa de tão tosca. E ainda tem a participação de nomes como Preta Gil, Toni Garrido e Fafá de Belém!

Não deu outra: logo a gente estava gravando os trechos que tinham a aparição do vampiro e do lobisomem para assustar nossos priminhos. Mas os efeitos são tão ruins que logo eles estavam mesmo era se divertindo e pedindo para rever os capítulos. Por coincidência, creio que nesta mesma época um monte de gente também passou a ver a novela, de maneira que a Record perdeu completamente as estribeiras e hoje praticamente todos os personagens são mutantes. Sabe como é, um vampiro vai mordendo um humano, o outro adquire o vírus da mitrancopia (do lobisomem)...

Mas se as mutações se limitassem somente a vampiros e lobisomens, estava bom. Acontece que a novela virou um samba do criolo doido e atualmente podem ser vistos a mulher hipnótica, o homem super-rápido (que tem um calcanhar-de-Aquiles. Ganha um doce quem adivinhar com ele chama), um bebê que cresce rápido demais, um homem invisível, outro que se transforma em qualquer pessoa (este dois são do mal), a menina com asas, a que cura todas as doenças,a mulher pantera, o cachorro que vira homem e (pasme) até a Iara. O detalhe é não vai parar por aí: eu li no jornal que em breve serão introduzidos um sapo-gigante, um minotauro e um dinossauro (!).

Nem a dra. Júlia escapou: depois de ser mordida pelo primeiro vampiro, ela agora também está sedenta por sangue. Para quem não entendeu nada, aqui vai um breve resumo: a Maria, que é super-forte (foi a primeira mutante criada), trabalhava em um circo quando, depois de uma festa, passa a ser acusada de matar o dono da Progênese, a clínica que fez os mutantes. Aí, ao lado do policial Marcelo (que quer descobrir quem envenenou sua esposa), ela passa a viver escondida para descobrir quem é o verdadeiro assassino. Enquanto isso, a produção dos mutantes – que será feitos em uma ilha no Guarujá – perde o controle.

Se você nunca assistiu, saiba que pode começar a fazê-lo a qualquer momento, visto que os diálogos são tão bobocas que todo dia eles basicamente explicam o que aconteceu nas duas últimas semanas. Serve ainda para ver uma pancada de atores que não conseguiu subir na Globo e agora tem que se submeter a este constrangimento. Destaque para aquele Cláudio Heinrich, que faz um gay absurdamente estereotipado, cuja música tema é “Robocop Gay”, dos finados Mamonas Assassinas.

Eu recomendo.

OBS: Quarta-feira, segundo o Ibope, “Caminhos do Coração” fez pela primeira vez um capítulo de novela da Record ficar o tempo todo na frente da Globo, que passava os mutantes do Corinthians.

6 de fevereiro de 2008

Sobre o título da Beija-Flor

Só tenho uma coisa a dizer:
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL22422-5606,00.html

Deixaram acontecer de novo. Garfaram a Viradouro e a Portela, que, pela primeira vez em toda a minha vida, fez um desfile decente (o Fábio que me perdoe, mas nos anos anteriores não ganhava nem em SP).

Só bem-feito para a Estação Primeira de Mangueira: em um ano no qual deixaram os cem anos do Cartola de lado (deveria ser o enredo, não oum carro jogado no fim do desfile), não se desculparam com a Beth Carvalho e, pior, permitiram que o tráfico arranhasse a imagem deste patrimônio cultural brasileiro, a escola tinha mesmo era que se ferrar.

Até os deuses se manifestaram e o único desfile no qual choveu foi justamente o da verde-rosa. Só não caiu para a segundona do Carnaval porque no Rio há o estranho hábito de se prejudicar agremiações menores (vide o próprio campeonato fluminense de futebol).

Voltamos agora à nossa programação normal.

Apuração, o melhor do Carnaval

E eis que é chegado o final de mais um Carnaval. Tempo de bailes, desfiles, alegria, trio-elétricos, folia... para tudo terminar na Quarta-Feira de Cinzas. Não que eu não goste da festa mais popular (?) do país, mas o fato é que pertenço àquele pequeno grupo que se diverte muito mais agora, justamente no fim da festa. E isso porque é tempo da maravilhosa e divertida apuração dos desfiles das Escolas de Samba.

Sejamos honestos: se alguém na Globo se enganar e colocar a fita dos desfiles do ano passado como se fosse ao vivo, 90% da população só iria se ligar depois de algumas horas. E isso talvez porque o BBB liberado para ir até a Sapucaí fosse diferente. Definitivamente, ver a diversão dos outros pela TV não é das tarefas mais espetaculares do mundo.

O fato, porém, é que todo aquele interminável desfile com uma lógica que só o carnavalesco entende, recheado de mulheres seminuas (com um cara tocando pandeiro e passando a mão no bumbum delas), gente fantasiada, discursos sobre a “alegria do povo brasileiro” e alegorias pseudoinovadoras só serve para justificar o grande momento proporcionado pelo público que é a apuração das notas recebidas pelas escolas.

Vamos pensar: se não há uma pessoa no universo que agüente assistir todos os desfiles com atenção (talvez o Chico Pinheiro consiga, mas a Leci Brandão quase cochilou ao vivo, além de pigarrear no microfone...), qual você acha que é o critério estabelecido para se distribuir notas? É óbvio que os jurados dormem! E isso ficou muito evidente em 2007, quando uma jurada se esqueceu de dar uma nota para a Acadêmicos do Tucuruvi. Espetacular. Além do mais, qual a integridade de um julgamento onde as escolas podiam dar presentes aos jurados? No qual médicos davam nota para quesitos como alegorias?

Mas isto não é uma reclamação, pelo contrário. Se julgamento de escola de samba fosse uma coisa séria, não nos divertiríamos tanto – a propósito, fica aqui o meu protesto quanto à mudança do regulamento em São Paulo, onde agora são descartadas a menor e a maior nota, evitando assim que um jurado mal intencionado possa foder uma agremiação e provocar xingamentos e brigas absolutamente hilárias. Legal mesmo são os sistemas de pontuação bizonhos do Rio, onde um jurado dá 9,9 e outro dá 9,1. Qual o critério? Sei lá, talvez nem eles entendam direito qual a diferença de “evolução” para “conjunto”. Afinal como julgar “melodia”? E o que é exatamente “harmonia”?

Sem contar que apuração de escola de samba é muito mais emocionante que qualquer jogo de futebol. A campeã sempre é decidida na última nota, geralmente no critério de desempate ou por diferenças mínimas. E tudo graças a um narrador inigualável, Jorge Perlingeiro, o homem do vozeirão, que todos os anos nos brinda com um:

- Atenção para a abertura dos envelopes das notas.. Quesito (pausa de 3 segundos): Alegorias e adereços. (pausa de 3 segundos). Jurado: Jefersandro da Silva. (pausa de 3 segundos). Estaaaaação Primeira de Mangueira. Nota: (pausa de 5 segundos). DÉÉÉÉÉZZZ.

As imagens das quadras, com um bando de doentes pulando (com delay) e amassados igual sardinhas enlatadas também são um espetáculo à parte. Assim como os comentários imbecis dos narradores da Globo. Na apuração paulista deste ano, por exemplo, o Maurício Kubrusly insistia em dizer toda hora que “naquele momento a Gaviões estava na frente”. Detalhe: a Gaviões era a primeira a ter notas divulgadas. Dã.

Mas antes disso, as torcidas já se provocaram até não agüentar mais, além de terem homenageado as mães de todos os jurados. “Filho da p.... filho da p...”, sendo gritado em coro por causa de 0,25 pontos (voz irritada do presidente da escola modo on) “de um jurado mal-intencionado que destruiu todo o trabalho de um ano inteiro da comunidade da Vila Patotinha. Ano que vem a gente não volta para a essa safadeza”. (voz irritada do presidente da escola modo off). Promessa que graças a Deus não será cumprinda: no ano seguinte eles estarão lá me divertindo de novo!

31 de janeiro de 2008

Da série: "Coisas futebolísticas bizarras do mundo"



Então, tá.

28 de janeiro de 2008

Pequeno causo cotidiano

Eu devo ser um caso raro na história da metafísica: quanto mais eu envelheço, menos idade as pessoas me dão. Já nem ligo mais quando alguém me diz: “Nossa, mas você tem cara de 16 anos!”. Difícil mesmo é alguém acertar de cara quantas primaveras eu já comemorei.

Mas tem coisas que extrapolam todos os limites.

Cenário: Uma loja de sapatos em São Bernardo do Campo
Data: 24 de janeiro de 2008.
Horário: Aproximadamente 15 horas (horário de verão de Brasília)
Idade corrente: 22 anos, um mês, duas semanas, seis dias, 23 horas e 40 minutos (dados não muito precisos).
Personagens: Eu, minha mãe, amiga da minha mãe, vendedora 1 e vendedora 2.

Amiga da minha mãe experimenta um sapato sob olhares da vendedora 2, que segura a caixa do dito sapato.

Alguns metros distante, eu experimento um sapato de salto não muito alto, com o objetivo de usá-lo no baile da minha formatura. Minha mãe e vendedora 1 emitem as suas respectivas opiniões.

Minha mãe: “Acho que este vai ficar bom com o vestido longo que a gente comprou!”
Vendedora 1: “Também acho. (Dirigindo-se a mim) Você vai usá-lo onde?”
Eu: “Na minha formatura, mês que vem”

Durante o diálogo, amiga da minha mãe e vendedora 2 se aproximaram de nós.

Vendedora 2 (intrometendo-se na conversa): “Nossa, mas formatura esta época?”
Minha mãe: “Mas pelo que eu saiba, formatura sempre foi no começo de ano: janeiro, fevereiro, no máximo em março...”
Vendedora 2: “Ué, no meu tempo, formatura do GINÁSIO era no fim do ano!”

O pior é que ela falou sério. E eis que eu me pergunto: de que adiantaram quatro anos de faculdade se eu continuo cara de bebê? Ou será que eu sou superdotada e nem me dei conta disto?

21 de janeiro de 2008

Bocaiúva

Cidade onde minha mãe nasceu e uma considerável parte da minha família reside, a mineira de Bocaiúva (369km ao norte de Belo Horizonte e 955 da praça da Sé) tem cerca de 45 mil habitantes e é a cidade natal do saudoso sociólogo Betinho e seu irmão Henfil. Além disto, é denominada pelos próprios habitantes locais como a "terra do 'já teve'". Carnaval de rua? Bocaiúva já teve. Cinema? Também. Milagre de santo? Yes. Escola de samba? Não só uma, mas três. Invasão de cientistas gringos e manchetes em todo o mundo por causa de um eclipse total do sol? Já teve.

Ainda há muita coisa boa por lá e eu poderia gastar muitas linhas falando delas. Mas isso fica para depois. Sim, porque neste primeiro post de 2008 gostaria de apresentar os leitores que ainda frequentam este espaço a coisa mais fodástica de Bocaiúva. Infelizmente, por ser uma propriedade privada, pouquíssimas pessoas tem acesso a este lugar. Na verdade, muitos habitantes da cidade nem imaginam que ele existe. Por sorte, este magnífico banheiro verde-e-rosa pertence aos meus parentes:

(Não é uma beleza? Fotos: Canossa Press)



O melhor: o autor desta obra prima da decoração tupiniquim é meu ascendente direto, meu avô José Alves da Silva, mais conhecido na cidade como Zé de Deca (ou Dedé para o povo mais antigo). A casa, porém, não pertence mais a ele e sim ao seu cunhado, ou meu tio-avô, Ourival Souto (mais conhecido como Loro Souto), a quem a vendeu em meados dos anos 70. Mesmo ampliando a residência, Loro fez questão de manter o banheiro original, apesar de ele ter bem menos uso nos dias atuais. Não, não é reflexo de uma família com intestino preso, mas sim porque atualmente há um outro banheiro na casa melhor localizado e, portanto, mais frequentado.

Mesmo assim, o banheiro verde-rosa ainda está em perfeito funcionamente. Trata-se de um privilégio fazer necessidades fisiológicos em ambiente tão exótico. Sem jamais ter manifestado qualquer preferência carnavalesca pela Estação Primeira de Mangueira, meu avô Zé de Deca explicou, com exclusividade ao Nossa, Canossa!, porque fez um (modo exagero on) lavabo tão criativo e ousado, rompendo paradigmas da decoração conservadora de banheiros (modo exagero off).

"Aquilo lá é o seguinte: a casa foi construída há mais de 40 anos. Eu fiz muitas casas para aqueles lados e cada uma tinha que ser diferente da outra. Então, fiz o banheiro daquelas cores, porque uma coisa importante é você pensar na claridade. Aquele outro banheiro da casa de Loro, por exemplo, é muito escuro. A gente tem que ter criatividade também", explica Seo Zé, ao mesmo tempo em que nega, aos risos, ter pensado em fazer decoração semelhante na casa que terminou de construir poucos meses atrás.

Orgulho.

29 de dezembro de 2007

Recesso

Dentro de algumas horas estarei adentrando as abeçoadas terras das Minas Gerais. Por lá, ficarei uns 20 dias, afinal até (ex-)estagiária tem direito a férias decentes um dia.

Será meu primeiro Reveillon sem São Silvestre desde a virada 2005/2006. Estou com saudade de assistir a prova pela TV enquanto a família está preparando o jantar na cozinha.

Provavelmente, os lugares pelos quais passarei não me fornecerão muita disponibilidade de acesso a Internet. Mas eu também não queria mexer muito. Quero descansar é no interior, na roça de preferência, bem longe dessas mudernidade de computador.

Celular também não vai funcionar, até porque a grande Vivo não oferece seus preciosos serviços por lá. Isso significa que o meu aparelho morre depois da placa "Divisa São Paulo - Minas Gerais". Dizem que um dia a rede deles vai atravessar este marco. Esperemos para ver.

Por isso, este blog e esta blogueira estarão em recesso até meados do dia 23 de janeiro. Escrevi menos do que gostaria nesta temporada, mas quem sabe o atraso não é tirado em 2008. Será também o ano de arrumar a vida novamente. Vamos ver no que dá.

Antes de partir, gostaria de desejar um bom ano a todos que prestigiaram os textos deste blog (mesmo os que não comentam há muito tempo), que começou meio sem querer e foi capaz até de me arrumar novos amigos e estreitar laços com outros.

Até 2008!

24 de dezembro de 2007

Natal

Ao invés de desejar muita paz, saúde, amor e todo aquele blá, blá, blá que teremos esquecido no dia 26, aproveito a data natalina para postar um achado dos anos 70. Coisa de gênio.

19 de dezembro de 2007

Hohoho

A empresa de ônibus que me leva todos os dias para São Paulo resolveu introduzir o "Ônibus do Papai Noel" neste final de ano. Em resumo, trata-se de um veículo cheio de pisca-pisca e com o motorista vestido como o Bom Velhinho. Ele funciona normalmente, inclusive andando tão (ou até mais) lotado que os outros carros.

Isso me leva a pensar que tal situação só pode ter duas origens:

1- Tem gente que faz de tudo para ganhar um adicional neste final de ano e incrementar a ceia.

2- Os anos de neoliberalismo de FHC e Lula afetaram até mesmo o Papai Noel, agora obrigado a fazer hora extra para presentear as crianças.

12 de dezembro de 2007

Quer sacanear, Deus? Então joga logo um raio!

“Não há almoços grátis”, diz um velho ditado norte-americano.

E é claro que os céus iriam me cobrar com juros e correção monetária a semana de felicidade que eu descrevi abaixo.

Pois bem. Na função de “setorista” de vôlei, eu estava escalada há alguns bons dias para fazer a pauta mais legal desta semana: entrevistar o Bernardinho, que nesta quinta estará em Santos. Acontece que o evento começa às 19 horas.

Até aí tudo bem. Pessoas dotadas de grande sensatez planejariam o que a minha chefia planejou: como São Bernardo (vulgo onde eu moro) é o meio do caminho entre Santos e São Paulo (vulgo onde eu trabalho) e a pauta, sem muita previsão de término, é de noite, nada mais natural que o motorista da GE fazer um pequeno desvio de dez minutos e um terço de litro de gasolina para me deixar em casa, local em que eu publicaria a nota, já que (pombas!) eu trabalho em um site.

O problema é que o setor de transportes daquele lugar é regido por um mantra: “Burocracia! Burocracia!”. Ou seja: eles simplesmente se recusaram a me deixar em casa, visto que estagiário não pode ter essa mordomia (!) e nem era tão tarde para se deixar ninguém em casa (!). Quanto mais um estagiário, bah, estes seres inferiores. Em resumo: por mais que a minha chefia protestasse, o transporte se convenceu que era mais simples que eu passasse ao lado da minha casa (meu destino final), mas só desembarcasse a 22km dali ainda mais nesta cidade que à noite mais se assemelha com os níveis de segurança da Suíça.

Enfim, resolveram não arriscar meu pescoço e colocaram o Felipe para fazer a pauta. Pelo menos ele é competente.

Mas isso é só o começo. Esta semana é a entrega dos brindes de Natal da Fundação. E só esta semana. Repare: justamente na semana em que meus pais estão fora do Estado de São Paulo e eu não tenho carona para cá. Ou seja: teria que me virar para trazer as duas cestas e o peru no ônibus. Já prevendo isto, puta da vida por ter perdido a pauta legal, e com o objetivo de minimizar a fadiga, resolvi deixar uma das cestas na redação para levar depois e trazer a outra hoje. Não era pesada, mas era volumosa.

Sempre com a mentalidade de evitar a fadiga, peguei uma puta fila no ônibus, de maneira a ir sentada. Quinze minutos depois, eu finalmente consigo me acomodar em um banco segurando a maldita cesta.

Não deu outra: bastou dois pontos para o ônibus quebrar e todo mundo (e olha que tinha muita gente) ter que descer.

Ainda com pensamento de evitar a fadiga, esperei os apressadinhos embarcarem nos dois ônibus seguintes, que foram absolutamente lotado. Só no terceiro consegui me acomodar com a minha maldita caixa. Obviamente não consegui sentar de novo, mas uma moça simpática e que estava sentada se ofereceu para carregar o meu brinde de Natal.

Tudo seguia bem, quando dez minutos depois, o ônibus morreu do nada. O motorista conseguiu ressuscitá-lo, mas mal andou dois quilômetros e ele (o ônibus) morreu em definitivo.

Inacreditável: em cerca de 25 minutos, dois ônibus em que eu estava quebraram! E justo quando eu carregava uma cesta de Natal, o que me consolaria no dia em que eu perdi a pauta mais legal da semana por burocracia.

(Detalhe sórdido: São Paulo/São Bernardo vive uma linda noite de chuva)

Fiz o restante do trajeto pensando que alguém ainda ia me roubar a cesta ou me prédio estaria com um avião encravado. Cheguei em casa com cara de louca e molhada (já que resolvi ligar o foda-se e não abrir o guarda-chuva). A cesta idem.

Por via das dúvidas, já liguei para minha mãe em Salvador e mandei ela levar uma foto minha na benzedeira. Só pode ser encosto.

Coisas do cotidiano

E então você pensa que depois de terminar quase tudo o que você tinha que terminar no ano, finalmente vai parar de se estressar e tomar involuntariamente atitudes bizarras.

Mas o mundo não é assim.

Dois minutos antes de você sair de casa com previsão de volta somente para a noite, Margarida, sua diarista, avisa que vai dar uma rápida saída para levar a filha da vizinha – também cliente dela – até o ônibus escolar. Até aí, nada demais.

Obviamente, ela não cumpre esta tarefa em dois minutos, o que significa que você não a vê antes de se retirar. Roupa lavando, móveis fora do lugar e rádio ligado. A porta é trancada. Antes, você passa no apartamento de uma terceira vizinha para lhe devolver um livro.

Devolve e vai embora. Passa pela portaria e Margarida não está lá com a criança (Manu). Provavelmente ainda teve que terminar de arrumar a menina. Enquanto isso, os outros habitantes da casa encontram-se simplesmente fora do estado de São Paulo.

Minutos mais tarde, já no ônibus, o clique: “Caramba, será que ela tinha a chave para destrancar a porta?”. Em seguida, a tranqüilidade: “Ah, mas a porta de casa está com um problema e não fecha sem chave!”. No minuto seguinte: “Não, eu não tenho certeza de que a porta estava realmente trancada antes de eu passar a chave. Será que não estava só entreaberta e eu não percebi?”.

Na falta de uma certeza, você espera chegar no trabalho, localizado a mais de uma hora de distância, para ligar até sua casa. Afinal, bastam um ou dois toques, ela atende e a dúvida se dissipa. É certo que tê-la trancado para fora de casa seria uma tremenda sacanagem, mas pelo menos as vizinhas para as quais ela trabalha podem ajudá-la a chegar em casa.

Talvez ela nem precise voltar com roupa de faxina, vai que tenha alguma muda em outro apartamento. O certo é que o celular dela continuará em cima da mesa descarregando. Mas nem que se Margarida estivesse com ele adiantaria ligar, afinal sempre esqueço de marcar este maldito número no meu aparelho. O número só está disponível na agenda da sala.

Você chega ao trabalho e sua primeira atitude é ligar. Toca, toca, toca e cai na caixa postal. Tudo bem, ela pode ter saído para comprar alguma verdura. Dez minutos mais tarde: toca, toca, toca e cai na caixa postal. Bom, ela pode ainda não ter voltado. Mais cinco minutos: toca, toca, toca e cai na caixa postal. Mas será o Benedito? O sacolão é do lado de casa.

A esta altura do campeonato, a reza começa a ser para não chover como no dia anterior, o que significaria casa encharcada, visto que as janelas ficaram abertas. Será que ela ficou com raiva? Bom, você tem a consciência tranqüila que foi sem querer. Nossa, será que o feijão não estava cozinhando? E você já imagina uma tampa de panela de pressão encravada no teto de sua cozinha, que, claro, está cheirando queimado. Também começa a pensar nas desculpas que vai dar depois.

O tempo passa e você não consegue falar com ela. Fazer o quê? O jeito é rir de sua desgraça. Quem sabe na volta você não encontre na porta de seu apartamento absolutamente encharcado, um capitão do Corpo de Bombeiros, a síndica com cara de poucos amigos, uma multa na mão e uma multidão curiosa?

Mas graças a Deus isso não aconteceu. Nunca senti tanto alívio ao chegar em casa e ver que tudo estava na mais perfeita ordem. Tenho a impressão que um dia ainda vou destruir minha casa sem querer. Ontem, foi quase.